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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O PODER POLÍTICO

 

Fala-se muito em poder, preferencialmente nos tempos atuais, e com destaque no campo político. Mas o que é o poder?

Dizem nossos dicionários que a palavra poder nasceu do latim “podere” que é a capacidade de deliberar de forma arbitrária, de agir, de mandar e de exercer a autoridade, a soberania, o império. Relaciona-se, também, com a capacidade de se realizar algo ou aquilo se se ‘pode’ ou que se tem o poder de realizar, calcado na tradição ou na lei.

O conceito de poder tem alicerces profundos na Filosofia política e tem em Hobbes, Arendt e Michel Foucault grandes pensadores. Hobbes acredita na força do poder no contrato social.  Uma eleição é um contrato social. O poder não existe quando todos têm o poder e este é exercido pelo mais forte. A corrupção é o sentido perverso do poder e o oposto ao contrato social.

Hannah Arendt vê o poder como múltiplo (duplo). No caso da Democracia Republicana (Brasil) o poder é trino, visto que três são os poderes instituídos pela política. A violência se instala quando se dá a perda da autoridade do poder, ou de um deles. A luta pela prevalência de um sobre outro ou os outros, tem sido notada na política brasileira e com sérios desgastes para o Estado Democrático de Direito.

Foucault diz que o poder depende de uma apropriação, seja ela por qual meio for, ou seja, uma eleição ou tomada do poder de forma arbitrária, inclusive por meio de fraudes eleitorais. Tentativas de forma mais diversas já foram testadas e algumas deram resultados, outras o caos.

Exercer o poder é uma habilidade de determinado cidadão impor sua vontade sobre os demais, mesmo que com a resistência de alguns ou mesmo de grupos politicamente organizados (partidos). Este poder pode ser social envolvendo o Estado, o lado econômico, abrangendo o sistema comercial e industrial e o militar, que se mescla com o poder político em muitos casos, mesmo nos sistemas democráticos regulares. Max Weber pensa ser o poder a probabilidade de um determinado comando concedido por um meio legal ou ilegal e que deve ser exercido por um grupo determinado. A cumplicidade do poder é defendida por Pierre Bourdieu, de natureza simbólica e muitas vezes invisível tal como foi, por exemplo, Golbery do Couto e Silva, a personagem parda do governo.

O poder é um comportamento dúbio com o lado ofensivo e o lado defensivo. Quem o exerce deve saber equilibrar ambas as forças ou tem seu poder ameaçado e até anulado. A organização é o alicerce desta força que, como nos ensina a história, não é perpétua e está sempre sendo ameaçada pela constante presença da oposição. A concentração do poder numa só pessoa é um processo fatal e o tempo corroerá suas bases a ponto do exercitador do poder ser destituído, processado, afastado ou mesmo morto. O poder exige táticas que são verdadeiras ferramentas que, se não bem utilizadas, podem provocar a ruína do prédio do poder. A barganha é uma destas ferramentas. A mecânica de cargos atribuídos aos apaniguados é constante e crescente, corroendo as bases do poder.  O poder tem fome e ela é insaciável e pode até destruir o ‘exercitador’ e apoiadores deste pretenso poder.

Nestes últimos dez anos, o poder político está escrevendo uma desastrosa página histórica em todo o planeta, onde a ação de ditadores e oportunistas do poder mancham de sangue as páginas da história humana.  

Prof. Dr. Antonio Caprio –Tanabi –abril-2026- sp Historiador político. Conselheiro e ex-presidente do IHGG/Rio Preto. 

domingo, 12 de abril de 2026

O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA





Atuei por 36 nos em vários cursos superiores, em várias faculdades e nunca consegui, explicar, sem falsa modéstia, com tudo o que li, estudei e estudo sobre a vida. Perguntado por uma imensidão de alunos o que é a vida, o máximo que consegui responder foi: não sei....... e arriscava uma resposta vazia: “é o princípio que anima a matéria”. .......Massaharo Taniguchi ensinava: “A vida não tem princípio nem fim, não morre nem desaparece; a vida não está contida numa escala do tempo”. Albert Einstein, em seu livro (Como vejo o mundo) arriscava dizendo ‘não me canso de contemplar o mistério da eternidade da vida ‘. Apenas uma tênue linha imaginária separa as moléculas mais complexas. Aí reside mais um grande mistério um insolúvel mistério. Como átomos se convertem em seres vivos? Como se instalada neste aglomerado de átomos a inteligência, a nutrição, a reprodução, a irritabilidade, a respiração. A membrana celular é uma coleção de funções; o núcleo, as mitocôndrias (que foram agregadas às células na interminável linha do tempo e da evolução como uma grande usina de força), a divisão e a multiplicação celular, e sem deixar de citar, a reprodução de novos seres na linha eterna da genética. A Biologia nega-se a tentar definir vida. E razão sejam dadas aos estudiosos da vida. Oparin em seu livro “A origem da vida”, num claro desabafo e frustração diante da complexidade do assunto, afirmou ‘: A ciência da natureza tinha o dever de explicar de que modo a matéria inerte adquiriu a vida e ele mesmo, recostado à sua cadeira, afirmou: ‘A matéria adquire vida exatamente porque não a possui em si mesma. Desfeito o mistério...???

O tema vida’ envolve o mundo científico sob várias formas. Os espiritualistas estão acostumados com expressões que mesclam ciência com o conhecimento humano em todo o planeta. Os materialistas apostam na tese de que a vida não é biológica e sim que apenas os fenômenos vitais são propriedades da vida. Os idealistas também apostam na tese de que a vida nada tem de biológica. Einstein mediu que 99,998% dos componentes do universo são energia e que os restantes 0,002% são matéria. E de novo a pergunta e como esta matéria, tão ínfima, abriga os mais complexo dos segredos humanos: o que é a vida????? No mundo científico, é vista, como insensatez, o estudioso que se aventura em definir vida sem cair em enormes pirâmides de dúvidas e de incertezas. A corrente dos idealistas já deduziu que a vida não é biológica sendo biológicos apenas os fenômenos vitais por ela desencadeados.

Mesmo um iniciante do estudo da vida sabe que as funções ditas paranormais são exercidas fora das limitações do tempo e do espaço, que não existem, sendo meras ficções da mente humana. James Hopwood Jeans, astrônomo e matemático britânico ensinava que aquilo que chamamos vida corresponde apenas aos meios visíveis da vida de uma projeção tridimensional da própria vida.

Huberto Rhoden, professor e conferencista brasileiro nos ensinou que o “Universo é um abismo de cuja Essência infinita(Deus) faz brotar, sem cessar, as existências infinitas, da mesma forma como nascem no seio das águas imensas, a vida, que, recaem neste mesmo ciclo eterno, e assim sempre foi e será” .Vida é a essência que transcende, sem princípios nem fim. Em síntese: hoje, como ontem e como sempre, o tema vida está rodeado e protegido como a jóia rara da coroa universal, a pedra filosofal de tudo que permeia o conhecimento humano e é mais fugidio que a fumaça fina da chuva ou mesmo a luz do Sol.

A vida é, pois, imanente e transcendente à matéria e, como devo dizer, da mesma forma que Deus o é em relação ao Universo e ao conhecimento humano.

Prof. Dr. Antonio Caprio – Biológo e estudioso da vida. Tanabi-SP. abril de 2026