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terça-feira, 5 de abril de 2022

O AUTISMO





O mundo apresenta problemas com crianças autistas e deficientes mentais há séculos. Desconhecendo a questão, médicos e observadores comportamentais na área da psicologia e psiquiatria, acabaram por descrever ambas as situações que hoje são analisadas, tratadas e muitas vezes apresentam resultados bastante satisfatórios em favor de milhares de crianças e famílias afetadas.

Segundo a “The National Society for autistic Children” – USA, 1978, autismo é ‘uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave, durante toda a vida. É incapacitante, e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida. Acomete cerca de cinco entre cada dez mil nascidos e é quatro vezes mais comum entre meninos do que meninas. É uma enfermidade encontrada em todo o mundo e em famílias de toda configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu provar nenhuma causa psicológica no meio ambiente dessas crianças que possa causar autismo’.

Autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo no estabelecimento de relacionamentos dos mais variados níveis bem como dificulta respostas apropriadas ao ambiente. O autismo pode se manifestar em crianças que, apesar da situação, apresentam inteligência e falas intactas. Há aqueles que apresentam retardos no desenvolvimento da linguagem, sendo alguns fechados e distantes, com comportamentos restritos e rígidos segundo os padrões de comportamento. Esta desordem compõe um grupo de síndromes denominado ‘Transforno Global do Desenvolvimento (TGD). O ‘espectro autista’ compõe uma listagem de formas de como o autismo pode se manifestar.

De forma popular, atribui-se aos autistas rótulos como ‘retardados’, o que não é de nenhuma forma correto nem devido. Afirma, ainda, o populacho, que autistas vivem em seu mundo, um mundo que lhes parece próprio, interagindo com o ambiente que criam, o que é infundado sob vários aspectos. O médico austríaco Leo Kanner, em 1943, foi quem descreveu o autismo pela primeira vez em seu artigo denominado ‘Austic disturbance of affective contact’, na revista Nervous Child, vol 2, p.217-250. O termo ‘autisno’ foi criado n por Eugene Bleuler, em 1911, quando descreveu um sintoma da esquizofrenia, que definiu como ‘fuga da realidade’ só se tornando conhecido nos anos 70.

 Técnicamente passou a ser chamado de ‘síndrome de Asperger’, visto que na década de 70 o austríaco Hans Asperger descreveu em sua tese de doutorado a psicopatia autista da infância.

O dicionário Mini-Aurelio, FNDE, 1989,em sua página 76, define autismo como ‘fenômeno patológico caracterizado pelo desligamento da realidade exterior e criação mental de um mundo autônomo’. Pesquisas demonstram que em 2010, o brasileiro Alysson Mutuori, atuando na Universidade da Califórnia, alcançou significativos resultados na pesquisa com um ‘neurônio autista’, baseada na ‘Síndrome de Rett’, causada por problemas genéticos. Atualmente afirma-se que o autismo é de natureza orgânica e não genética como se pensava, podendo ter sensíveis melhorias através de intervenções intensivas e precoces, visto que as alterações normalmente ocorrem ou estão presentes antes dos três anos de idade, caracterizando-se por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.O autismo difere fundamentalmente da deficiência mental.

“Deficiência mental corresponde a expressões como insuficiência, falta, falha, carência, imperfeição associadas ao significado de deficiência (do latim deficiêntia) que por si só não definem nem caracterizam um conjunto de problemas que ocorrem no cérebro humano, e leva seus portadores a um baixo rendimento cognitivo, mas que não afeta outras regiões ou funções cerebrais”. Como principal característica da deficiência mental pode ser citada a redução da capacidade intelectual, situadas abaixo dos padrões considerados normais para a idade, se criança ou inferiores à média da população, quando adultas. A deficiência mental é física enquanto o autismo é meramente comportamental.(Wikipédia, a enciclopédia livre).

No passado a deficiência mental foi definida como idiotia, cretinismo, debilidade e imbecilidade. Eram os portadores de deficiência chamados de excepcionais, deficientes mentais, retardados e até loucos. Atualmente são denominados de portadores de necessidades especiais. No final do século XIX e início do XX, significativos avanços foram feitos por Francis Galton, Alfred Binet e Charles Edward Spearman, que trabalharam no campo da medida da inteligência, fornecendo subsídios enormes para o tratamento e a conduta médica no que diz respeito à deficiência mental e intelectual.

O Mini-Aurélio define deficiente, em sua página 205, como a pessoa que apresenta deficiência física ou psíquica. Na vida escolar e profissional, relacionada à educação, se depara com confusões verbais quando pessoas leigas e mesmo portadores de licenciaturas em pedagogia ou disciplinas na área da psicologia e mesmo psicopedagogia, se referem às crianças com determinados problemas de aproveitamento escolar ou mesmo situações mais complicadas de forma errada, rotulando crianças sem nenhuma preocupação de definir, de fato e tecnicamente, a situação específica de cada uma.
Misturam problemas de ordem cerebral com problemas de ordem apenas de conduta ou desvios e mesmo falhas educacionais, geradas, em especial, em famílias com problemas das mais variadas ordens. Nesta ordem de confusões, a dislexia e a hiperatividade acabam formando um enorme conjunto de confusões.

É comum ouvir professores e membros da administração escolar se referir a uma determinada criança como deficiente mental ou mesmo autista. Alguns arriscam afirmar que esta ou aquela criança deveria estar na ‘APAE’, e não nos bancos escolares regulares, ignorando, inclusive, as questões da inclusão escolar atualmente tratada e exigida das unidades escolares em suas séries iniciais. São várias as classificações ou categorias da deficiência mental, sendo a mais clássica: leve, moderada, grave e profunda. Em todas as fases, as pessoas com o transtorno são inteiramente dependentes de atendimento multiprofissional.

De forma comparativa, no âmbito teórico, o autismo é uma disfunção comportamental embora não haja malformação cerebral. Algumas linhas de estudos apontam para mudanças bruscas em algumas áreas do cérebro de pacientes autistas, incluindo um aumento moderado do cérebro fetal ou na 1ª infância. Fatores genéticos, ou a exposição do cérebro em desenvolvimento a alguma toxina ambiental ou infecção, pode ser a causa dessas anormalidades. O impacto cerebral pode piorar durante a vida, enquanto o indivíduo é continuamente exposto a tais fatores ambientais, ou dentre aqueles com incapacidade de quebrar e se livrar dessas toxinas. Nos portadores de deficiência o padrão é totalmente diferente. As causas se alicerçam em disfunções ou mesmo anomalias cerebrais.

No cérebro normal, essas áreas coletivamente conhecidas como o sistema límbico, estão envolvidas em atividades complexas como encontrar significado nas experiências sensoriais e perceptivas, no comportamento social, na emoção e na memória. O sistema límbico está envolvido no controle de complexos movimentos habituais como aprender a se vestir, a se lavar, participar de atividades coletivas e de pequenos grupos. A atividade artística está relacionada ao funcionamento do sistema límbico, da mesma forma que a agressão e o vício, ou mesmo a repetição de determinados gestos.

Aspectos biológicos e comportamentais do autismo remetem a doenças como a esquizofrenia, a epilepsia e outras tantas raras condições neurológicas pediátricas. Disfunções da química cerebral têm sido apontadas em vários estudos autistas. Compostos metabólicos resultados de digestão alimentar e também compostos como as citocinas, são conhecidos por terem efeitos profundos no desenvolvimento do cérebro. Diagnósticos se alicerçam no comprometimento na interação social; no comprometimento da comunicação verbal e não-verbal e no brinquedo imaginativo e no comportamento e interesses restritos e repetitivos. Algumas doenças são associadas ao autismo como a varicela, a herpes, a pneumonia, a rubéola, o sarampo, a toxoplasmose, a sífilis e até a caxumba.

Na área da deficiência mental, pode se afirmar que tal transtorno é resultado, quase sempre, de uma alteração na estrutura cerebral, provocada por fatores genéticos, na vida intra-uterina, ao nascimento ou na vida pós-natal. O grande desafio é que quase metade dos casos estudados resulta de causas não conhecidas e quando analisados apresentam espectro de patologias que tem a deficiência mental como expressão de seu dano comum como a Síndrome de Dow e a Paralisia cerebral. A Síndrome de Dow é um conjunto de características especificas como a hipotonia, face com perfil achatado, excesso de pele na nuca, orelhas pequenas e displásicas, entre outros, e não uma doença. É uma anomalia causada durante a formação do feto que pode ocorrer com qualquer pessoa, chamada de Trissomia do Cromossomo 21. A deficiência intelectual é praticamente o resultado de uma alteração na estrutura cerebral, seja ela causada por razões genéticas, traumas pré e pós parto ou ainda na vida pós-natal.
Quanto à avaliação da atividade intelectual uma das mais fecundas abordagens dos últimos tempos é o estudo de Inteligências Múltiplas, proposta por Howard Gardner. Filmes vários como Forrest Gump, O contador de histórias, Gaby, uma história verdadeira, Rain Man, Simples como amar e O óleo de Lorenzo ilustram bem esta questão. À luz da ciência, devemos amparar nossas crianças com esta dificuldade, em idade escolar e mesmo na fase adulta, e jamais rotularmos crianças como autistas ou mesmo deficientes mentais sem uma análise técnica e médica, e, portadoras ou não da deficiência, olhando estes seres como passíveis de aprendizagem, de comunicação, do exercício das atitudes sociais, comunitárias e familiares, inclusive escolares.

O autismo faz do ser humano um corpo vivo preso a um meio ou um momento, ou mesmo um espaço. Este espaço, porém, pode ser alargado, aberto, arejado e tornado num meio agradável e que resulte ao autista uma vida melhor, mais adequada e mais feliz. A pintura, a música, a arte são para estas pessoas horizontes a serem alcançados e sem muita dificuldade. A deficiência mental impõe restrições determinadas pela biologia, mas, nada impede que ser não possa ser melhorado, aprenda a, agir com mais naturalidade e consiga se tornar num ser mais agregado ao mundo onde vive e, proporcionar à família e sociedade, momentos de menos sofrimento e até de dor. Destaque-se que a longevidade do autismo é normal. Não existe cura, mas existe tratamentos que facilitam, e muito, a vida do paciente e da família.

Sem dúvida, um autista não é um deficiente mental da mesma forma que um deficiente mental não é um ser fadado a apodrecer num canto como se nada de valor tivesse para oferecer. O diagnóstico do autismo, e não há dúvidas da deficiência mental, devem ser feitos por pessoas habilitadas e com base em exames clínicos e técnicos, aliando-se a testes genéticos que muito podem auxiliar o médico na descoberta de ambos os problemas e buscar especialidades na minimização de ambas as síndromes.
Em ambos os casos, por trás de toda a moldura que se aplica, há um ser humano que merece ser tratado como tal e respeitadas suas limitações até o mais elevado grau.


Prof. Dr. Antonio Caprio – Tanabi


sexta-feira, 1 de abril de 2022

O PARLAMENTARISMO É A TABUA DA SALVAÇÃO?


O Presidencialismo fixado em nossa Constituição Federal como sistema de governo é, sem dúvida, um desastre, desde 15 de novembro de 1889. A separação absoluta entre o Executivo e o Legislativo gera, na prática, graves consequências de sujeição um com relação ao outro e até dependência, que vemos ser negociada abertamente através de emendas parlamentares e até dinheiro vivo e cargos. A “caneta” presidencial é muito poderosa, e corrompe. Praticamente nossa História pré e imperial (I e II) navegou nos braços do parlamentarismo.

No II Império, D.Pedro II tinha a prerrogativa de indicar o Chefe de Governo que era chamado de Presidente do Conselho de Ministros e, por conseguinte, era membro do partido com maioria no Parlamento. Este Conselho era indicado pelo Imperador. Só havia dois partidos (que maravilha), chamados de Partido Conservador e Partido Liberal. O poder ficava nas mãos do Imperador e as decisões, em questões de alto interesse, partia também do Imperador, na época chamado de Poder Moderador, já existente desde 1824, e que, na prática, embora totalmente deformada, hoje é o Senado. O sistema era, por estas razões, chamado de Parlamentarismo às avessas e desde 1847 se inseriu no sistema democrático brasileiro. O Brasil se desenvolveu de forma significativa, em todos os sentidos, sob o regime parlamentarista no II Império.
 
Com o desastroso ato de Jânio da Silva Quadros de 25 de agosto de 1961, renunciando ao cargo de Presidente da República, assumiu o senhor Joao Belchior Marques Goulart, Vice-presidente, contra a vontade das Forças Armadas e, depois de muitas negociações, o vice assumiu o cargo-maior em 2 de setembro de 1961, após o Congresso Nacional adotar o regime parlamentarista no país, reduzindo drasticamente os poderes do Presidente, ajustando o poder nas mãos do Primeiro-Ministro, que durou dezessete meses, período no qual foram primeiro-ministro os senhores Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima. Por um golpe-branco dos presidencialistas, foi realizado um plebiscito que reintroduziu o sistema presidencialista e, depois de várias crises, acabou pela deposição do presidente e se iniciando um período de governo militar. Em 21 de abril de 1993 novamente o Brasil teve chance de implantar o parlamentarismo, mas a votação decidiu pela manutenção do sistema de governo presidencialista, onde a força do Presidente supera todo e qualquer tipo de decisão democrática e passa a ser decisão política, ao sabor da vontade do grupo majoritário que domina o Congresso( Câmara Federal e Senado).

O parlamentarismo é um sistema onde o Poder Executivo depende do apoio do Parlamento, de forma direta e indireta. Não há uma clara separação dos poderes executivo e legislativo. Há o balanceamento de ambos em favor do sistema. O voto de confiança prevalece mantendo o primeiro-ministro no comando e, perdido este, novo gabinete é montado e o país não tem oscilações de várias formas como acontece na queda de um presidente, gerando uma ruptura institucional. Isto garante a continuidade do governo em favor de todos os governados. Há o Chefe de Governo, que comanda o parlamento e o Chefe de Estado, que representa o país constitucionalmente. Muitas monarquias adotam o sistema parlamentarista de governo, como, por exemplo, a Inglaterra e a Espanha. O toma-la-dá-cá no parlamentarismo praticamente inexiste. O parlamentar representa o povo e seu poder se restringe ao mandato e às suas obrigações institucionais. Cai o número de partidos e cresce a responsabilidade do eleitor e do eleito, nascendo, daí, a verdadeira representatividade parlamentar.

Prof. Dr. Antonio Caprio - TanabI


quinta-feira, 31 de março de 2022

REVOLUÇÃO OU GOLPE DE ESTADO?






(síntese - o início)
 
O fim da Quarta República – 1946/1964, aconteceu do dia 31 de março de 1964, madrugada de 1º de abril de 1964, exatamente há 58 nos. O comando do movimento determinou que a data fosse registrada como 31 de março porque temiam o dia 1º de abril – dia da mentira. Iniciava-se no Brasil uma ditadura militar que durou de 1964 a 1985 – 21 anos de um governo de exceção. O presidente, Jânio Quadros, num golpe mal planejado, e por ação do presidente do Senado Áureo de Moura Andrade, que agiu sob ordens do grupo militar, teve de renunciar cargo em 1961 e um bloco de militares e civis impediram a posse do vice-presidente, João Goulart num conturbado processo, que passou até por um breve sistema parlamentarista. Em 2 de abril assumiu internamente o governo uma junta composta de três deputados, ficando como presidente Ranieri Mazzilli, totalmente submisso aos líderes do movimento. 

Depois de muita manobra política, assumiu o governo o marechal Humberto Castelo Branco, um dos mais velhos do grupo militar, tomando posse no dia 15 de abril de 1964, por eleição indireta e sob forte pressão contra os deputados, sendo que muitos dos quais, dissidentes do movimento, tiveram seus mandatos cassados e expulsos do país. Por força de ato institucionais arbitrários e totalmente afrontantes à Constituição, que foi reformada conforme interesses dos generais, foram aprovados sob pressão pelo Congresso Nacional, subserviente aos novos comandantes do país, e instalou-se no Brasil uma forte ditadura e num regime de força que a todos atingia e oprimia. O General Castelo Branco manteve-se no cargo até 1967, sendo certo que sofreu forte pressão para permanecer no poder, onde pretendia ficar por pouco tempo e devolver o poder aos civis, no que era contraditado pelos demais generais. O golpe se consolidou nos anos seguintes e a ditadura acabou tomando uma forma autoritária e nacionalista em alto grau, tendo como aliados os Estados Unidos que investiram forças estranhas na república brasileira, agora dirigida por generais e aliados civis. Morreu em circunstâncias bastante estranhas. A dita ‘revolução’, acabou gerando centenas de mortos e outros tantos desaparecidos, ficando clara uma disputa fortíssima pelo poder entre os cinco generais que presidiram o país nos vinte e um anos de arbítrio.
 
Como considerar os 21 anos de ditadura como normal? Foram executadas obras interessantes e úteis pelo dito ‘ governo’? Sim, afinal foram 21 anos e não apenas alguns dias. Alegavam os invasores de República que o país estava sendo atacado pelo comunismo, temor inserido em nosso meio pelos Estados Unidos, fato que nunca ficou comprovado, apesar de várias ações terem se registrado na América do Sul, inclusive no Brasil. A Igreja, como sempre soe acontecer nestes tipos de ação, foi favorável, apesar de muitos sacerdotes terem feito forte oposição ao inusitado regime.
 
Prof. Dr. Antonio Caprio – Historiador – Tanabi.

(DITADURA, NUNCA MAIS)


terça-feira, 22 de março de 2022

ESPERANÇA E FÉ

 




Informam nossos dicionários que a palavra esperança é um substantivo feminino que indica o ato de esperar alguma coisa. Quem tem esperança acredita que algo está por acontecer e este sentimento é acompanhado de uma espera boa, positiva, e nunca ao contrário, daí considerarmos a esperança como bem vinda sempre. Ter esperança é ter expectativa, perspectiva. Em termos bíblicos, a expressão esperança transmite, de forma plena, um sentido de confiança, um forte desejo. Ter confiança aproxima a vontade individual num sentido de fé. A esperança de ficar rico, de ganhar na loteria, de sarar de uma enfermidade, de cultivar uma amizade, de ter uma longa vida, servem como exemplos de esperança.

A esperança caminha par-e-passo com a fé, com o amor, perfazendo uma trilogia que faz parte da existência humana. No campo religioso retrata a crença de ter uma vida eterna. No cristianismo advoga a proteção dos santos e anjos e do próprio Espírito Santo. Na mitologia Grega, a história nos traz Pandora, criada pelos deuses, que abre uma caixa onde estavam fechados todos os males da Humanidade. Assustada, fecha a caixa e a única coisa que ficou dentro dela foi a Esperança, que não era considerada uma virtude. A expressão ‘esperança de vida’ e também expectativa de vida, relaciona-se ao tempo que a Ciência prevê que uma pessoa mantenha-se viva. Na Roma antiga a expectativa de vida era por volta de 50 anos. No Brasil já supera os 75 anos.

Há uma nítida diferença entre esperança e fé. A palavra fé deriva do Grego “pistia”, indicando a condição de acreditar e do Latim “fides”, indicado fidelidade. Alguns filólogos entendem que ambas as palavras são sinônimas, embora apresentem nítidas diferenças. A esperança faz parte da trilogia teológica – fé, caridade e esperança. Deriva da junção do verbo ‘esperar’ e do sufixo ‘ança’. Fé é uma certeza em fatos e coisas que não se veem. Confiança é uma expectativa. O oficio religioso afirma que ter fé é ter certeza. Teólogos afirmam que ter fé é ter chão para pisar e que orar não é acreditar que uma pessoa possa ser curada, mas sim a certeza da cura. Fé é um sentimento total de crença em algo ou alguém. Ter fé é praticar o oposto da dúvida.

Orar não é o mesmo que rezar. Orar é uma forma de buscar uma conexão plena com o ‘ser supremo’. Rezar é repetir, apenas repetir uma oração.
Tanabi,
Prof. Dr. Antonio Caprio .

sábado, 19 de março de 2022

PARABÉNS SÃO JOSÉ DO RIO PRETO





No Dia 19 de março de 2022 São José do Rio Preto completou mais um ano da criação da comunidade, fato que se deu em 19 de março de 1852. São 170 anos da fundação. Desde então Rio Preto iniciou trajetória própria com a ajuda, sempre, de homens e mulheres que lavraram sua história desde a fundação, em 1852, pelo mineiro João Bernardino Seixas Ribeiro, até os dias atuais.

 
Parabéns São José do Rio Preto, seus construtores e gestores nesta longa caminhada de ordem e progresso na cidade das oportunidades.
 
Prof. Dr. Antonio Caprio – Presidente do IHGG/Rio Preto.

terça-feira, 15 de março de 2022

OS PECADOS CAPITAIS




O que será a inveja? Por que ela é comum aos seres humanos e até entre os animais?

Será a inveja classificada como “ pecado mortal ”?

Em sua obra “ A Divina Comédia” Dante Alighieri tornou popular a expressão ‘ pecado mortal’, onde ele relacionou diferentes círculos até chegar ao Inferno e a cada círculo denominou como um pecado mortal. A expressão Melebolge, criada por ele, refere-se a cada degrau, como que um funil, até chegar ao Inferno. Depois, a cada degrau chamou de pecados, que são o Orgulho, Avareza, Luxúria, Inveja, Gula, Ira, Preguiça, Heresia e Mentira, num total de sete, um número místico desde a antiguidade.

Os ‘sete pecados capitais’ precedem ao cristianismo e são conceitos classificados como básicos das condições humanas e tratadas no cotidiano como ‘vícios’ e que são usados com o objetivo de educar as pessoas e com isto controlar os seus instintos básicos. É, hoje, pedagogicamente, usado em várias funções e formações humanas. A lista final dos pecados capitais surgiu, efetivamente, no século XIII, seguindo uma versão conhecida desde o século IV. A Igreja católica se valeu disto em seus ensinamentos objetivando o cumprimento dos conhecidos ‘ dez mandamentos’, fixando como base de tudo a tríplice concupiscência, que é a raiz dos pecados capitais. Destas medidas todas, nasceram os pecados veniais, os perdoáveis sem que se exija a confissão e os pecados mortais que podem levar a condenação por ferirem os dez mandamentos cristãos. A partir do século XIV, a popularidade dos pecados mortais ganhou espaço nas comunidades sociais de alta e de baixa renda, tornando-se elemento cultural por todo o mundo civilizado.

Dentre os pecados capitais, no mundo moderno, se destaca a inveja definida como o desejo de um bem ou coisa que pertença a outro. Os dicionários a definem como um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro, um sentimento de cobiça condenável por todos, mas, altamente praticado. A inveja está diretamente ligada ao ciúme dando lugar à expressão popular “dor-de-cotovelo”. Popularmente se usam amuletos para se desviar as forças negativas da inveja, como talismãs, figas, etc. Segue-se a gula, desejo insaciável por comida ou bebida. Seu oposto é a temperança. A avareza é o mesmo que a ganância, sendo representada pelo pego excessivo e descontrolado pela posse de um bem, notadamente dinheiro, sendo seu oposto a generosidade. A luxúria é representada pelo desejo passional e egoísta por todo prazer sensual, carnal e material. Seu oposto é a castidade. A Ira é também conhecida como cólera. É a forma de ser externado o ódio, a raiva de alguma coisa ou alguém. Seu oposto e a paciência. A preguiça é a lentidão ou moleza que se concretiza pela negligência em fazer algo, causando prejuízo ao grupo ou a si mesmo. Seu oposto é a diligência. Por fim, o orgulho se liga à arrogância, presunção, futilidade. Seu oposto é a humildade. Por fim, nossos antigos agiram bem e pensaram de forma positiva ao eleger os sete pecados capitais como alicerces de grandes problemas da sociedade humana.

(Artigo publicado no Diário da Região, página 2 - dia 13.03.2022)

AS GUERRAS DO MUNDO




A Humanidade vive em guerra desde que dois homens se olharam nos olhos, frente a frente. Um dos primeiros conflitos está registrado na Bíblia, onde Abel e Caim se confrontaram. 

Venceu Caim. 

A História nos mostra que conflitos armados e não armados ocorrem desde os tempos que se perdem na memória humana e por motivos mais diferentes. São disputas políticas, econômicas, rivalidades étnicas, territoriais, familiares e inclusive religiosas. 

No transcorrer do século XIX, os estudos das guerras se tornaram ramos especiais entre os historiadores, já que envolvem os mais variados ramos do interesse de grupos, de nações, de estados e até de tribos indígenas. 

As guerras são catalizadoras de mudanças significativas nas sociedades, e hoje, em especial, no mundo. A História humana é composta de conflitos de várias formas e tipos e raros os anos nos quais nenhuma guerra aconteceu. 

Muitas guerras acontecem no cotidiano silencioso do mundo e travadas por meio de embaixadores e protocolos de disputas, em especial na área econômica, que hoje tomam conta do mundo globalizado. Costuma se dividir a história, para fins de estudo, em História Antiga, num registro que retroage 5.000 anos a.C, chegando até o século IV d.C. Um número bastante grande de nações e povos surgiram e desapareceram nesta período de tempo, grande parte por ação das guerras. 

A educação para a guerra já perfaz os currículos dos povos há milhares de anos, notadamente em Roma e na Grécia. Os assírios foram os primeiros a comporem grupos de homens a quem chamaram soldados para a defesa de seu patrimônio, política e território. 

O grande império Mesopotâmico, no Oriente Médio, nasceu daí. Tebas, Atenas e Esparta ficaram conhecidas pela Guerra do Peloponeso. Milhares de jovens guerreiros, recrutados pelos governos, perderam a vida nestes conflitos, bem como milhares de cavalos, já usados nos combates corpo a corpo. A produção de armas com o uso de metais se tornou realidade, como a produção de escudos e armaduras. 

Uma cidade-estado era respeitada pelo tamanho de seu exército, de suas armas, cavalos e capacidade de deslocamento por grandes regiões. As catapultas foram grandes armas mecânicas e só mais tarde os canhões. Hoje o fato se repete de forma bastante semelhante, guardadas as proporções. Ainda no mundo antigo, a Macedônia com Felipe II e seu filho Alexandre Magno, os egípcios, os cartagineses, Gengis Khan e outros revolucionaram o mundo com o uso da guerra antiga. 

Hoje tudo é diferente. Num rol de dezenas de guerras, o século XX registrou a Primeira Guerra Mundial (1914/1918) com 20 milhões de mortos; a Segunda Guerra Mundial (1939/1945) matando 70 milhões de pessoas, especialmente jovens, soma-se praticamente uma centena de conflitos por todo o planeta e todos eles desejam a opressão do povo e a ampliação de seu território e outras alegações absurdas, como vemos agora com Putin, o grande ditador russo, tentando subjugar o povo da Ucrânia sob os olhos complacentes da OTAN, da UE, da ONU e , dos grandes países do mundo como a China e os EEUU. 

A guerra é um mecanismo tenebroso que homologa os territórios ocupados, seja a que custo de vidas for, como já fizeram muitos países que hoje ostentam riquezas de grande porte e imenso território.