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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

PENSANDO



Observava nossa Lua cheia refletindo a luz do Sol. 

Grandioso espetáculo. 

Milhares de anos nos observando. 

Suas manchas na superfície, diziam os mais antigos, eram a velha com feixe de galhos secos às costas. 

Ela viu o homem saindo das cavernas, curiosos. 

Pode observar as lutas, as guerras, mesmo sem entende-las.

Ela viu o poder passar de mão em mão e muitas mortes. 

Viu o progresso humano com o nascer da tecnologia. 

Lá, de seu espaço, viu foguetes arranhando a atmosfera da Terra. 

Viu naves singrando o espaço e fugindo do Sistema Solar. 

Apreciou o homem saindo de suas naves livres no espaço. 

Lá, sempre, presente em nossas noites e se escondendo nos dias. 

Que interessante se ela fosse uma escritora, uma repórter. 

Quantas coisas poderia nos ensinar, nos orientar, alertar. 

E nós, aqui em baixo, só podemos admirá-la, silenciosa. 

Ela caminha como que por encanto e eternamente nos ignora. 

Tanabi, agosto de 2021. 
Prof. Antonio Caprio.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

A VERDADE

 


A Verdade pode ser comparada à luz solar, fator indispensável, no planeta Terra, para que a vida seja possível. Uma nuvem, por mais simples que seja, pode interceptar a luz do Sol, o que vale dizer que a Verdade não é poderosa como deveria ser. Um dia alguém disse: “Ame a verdade e a verdade o libertará ”, mas, perguntado a Ele o que era a Verdade, Ele baixou os olhos para o chão e permaneceu calado. A Filosofia clama afirmando que ela, a Verdade, é  o princípio que dirige todos os atos humanos, sendo ela a raiz da própria vida, da família e de toda a comunidade humana.

É real que cada um tenha, implícito nas próprias entranhas, sua Verdade, a Verdade de cada um segundo seus conceitos religiosos, sociais, políticos, partidos ou seitas. A maior prova da liberdade é a prática da Verdade.

A Verdade é o objeto da lei, da qual é a essência. E o que é a Justiça? Dizem os dicionários que Justiça é a maneira de perceber, avaliar o que e justo, certo, de direito; reconhecimento do mérito de alguém ou algo. É nascida da interpretação de uma lei, de um processo, por outros seres humanos. Humanos.  Ser justo, no caso da Justiça, é coisa realmente difícil  de ser exercitada. Se houvesse, realmente, a Justiça como deveria ser, o planeta estaria num enorme oceano de felicidade, visto que a harmonia e o amor, se presentes no processo, fatalmente a verdade seria praticada. A raiz deste processo Verdade/Justiça consiste, também, na defesa  do atacado injustamente.

Auxilio mútuo é um dos pilares da Verdade/Justiça. A falta de justiça leva, fatalmente, toda a humanidade para um caminho belicoso, onde a vingança se torna comum e a cada momento mais conflitos são gerados na sociedade. Afirma-se que a balança usada na representação da Justiça é o peso do dinheiro, que move a balança para o lado da parte mais poderosa, em especial, em termos de dinheiro e em segundo plano, o poder. Resta neste rol de ações, a Justiça mal dirigida e, por conseguinte, com falsas verdades aflorando no processo conduzindo a decisões injustas e muitas vezes falsas ou mal administradas.  Erros judiciários são frequentes, como frequentes no processo todo, a ausência da verdade ou se, presente, distorcida.

E fica a eterna pergunta: O que é a verdade?

Antonio Caprio – Tanabi – agosto de 2021. 

LEMBRANÇA DA CHUVA.....

 


Saudades da chuva, mesmo respingos.

O som dos trovões ao longe.

O barulho do vento.

A expectativa.


Dentro da noite relâmpagos em passeios pelo céu.

Percebia pelas frestas da janela.

Às vezes por uma falha na energia.

Ela vinha  de mansinho. Quase sempre.


Escorriam, as antes gotas,  pelo telhado.

Pequena enxurrada caminhava pelo quintal.

De repente um estralo forte dentro  da noite.

As gotas se fortaleciam e ela se fazia presente.  


Embalado pelo vento e pela chuva, adormecia.

Que pena! 

Perdia o espetáculo.

Mas, chovia. 


Antonio Caprio .

Agosto de 2021.

A MORTE – UM SEGREDO DA VIDA

 


A morte é um fenômeno natural imposto pela própria estrutura da matéria, tanto orgânica como inorgânica. O átomo é a base da matéria, tanto vegetal como animal e também química. É um processo, ou seja, acompanha uma série de fases que visam devolver ao meio todo o material utilizado nas milhares de milhões  de combinações que um corpo registra desde sua formação até sua total ‘desmontagem’. A reciclagem não é coisa nova. Nasceu com a própria vida.

Morto o individuo, deixa ele de pertencer ao grupo dos vivos, mas continua a fazer parte do  grupo dos mortos, e nalgumas religiões e sociedades humanas, desde os tempos das cavernas, continua a fazer parte do aglomerado de seres, vivos e não vivos. Muitos passam a ocupar altares e espaços específicos e especiais no campo da religiosidade humana. Honrar um falecido é respeitá-lo e transformá-lo em um ser extraordinário e, agora não vivo fisicamente, se torna num vivo não material, mas tão forte quanto antes da morte ou ainda mais.

O falecido tinha de ser velado na casa onde viveu. Ali tinha seu corpo banhado, ungido com óleos especiais, vestido com trajes que lhe davam conduta de liderança na comunidade e, sepultado ou cremado, seus restos mortais guardados como relíquia em espaços especiais, dentro do antigo lar, agora seu espaço espiritual. Os ameríndios eram sepultados com suas joias e utensílios que, segundo acreditavam, lhes serviriam na nova vida que haveria de ocupar. Os egípcios são exemplos clássicos da metamorfose que seus reis, escribas e altas divindades sofriam. Muitas civilizações costumavam sacrificar pessoas, sempre do sexo feminino, ou alguém que se oferecesse para acompanhar o falecido pelos campos da eternidade, sempre do estreito círculo de amizades e dependência do falecido fim de que, na outra vida, não se sentisse só. Isto era, mesmo que parecendo um paradoxo, uma honra para o escolhido para o sacrifício.  Não eram raros os sacrifícios de animais e até pessoas em funerais no seio da sociedade Egípcia,  Inca, Maia e Asteca e até do Japão e China.  

O tempo passou, os protocolos fúnebres se modificaram e hoje os velórios residenciais já não ocupam espaços na sociedade e os públicos tomam o mesmo rumo, em especial diante da pandemia hoje registrada. Os cemitérios se tornaram campos de sepultamento obrigatórios, não sendo mais permitido que um corpo seja sepultado em quintais ou mesmo espaços particulares, chácaras ou fazendas. Já não se pratica a preservação de espaços especiais na antiga residência, existindo, ainda que em numero bastante pequeno, prática de celebração de missas e cerimônias especiais comemorativas do aniversário da morte de um parente. Nos grupos sociais antigos, era crença que, o indivíduo morto, poderia fazer o mal ou o bem para aos que ficaram e para que apenas o bem pudesse ser praticado, celebravam oferendas constantes e mandavam fincar, no centro da comunidade, um totem, para que o morto nunca fosse esquecido. Portanto, morrer nem sempre foi um fato a se lamentar. Ganhava-se um espírito para que a proteção da família fosse ampliada.

Prof. Antonio Caprio – Tanabi –ago/2021

A CRÍTICA

 

A comunhão do pensamento é uma verdade vital e tão antiga quanto o próprio homem.  O ser humano deve educar de forma conveniente seu caráter e só assim poderá expressar de forma construtiva sua energia mental. A comunhão de pensamento ensina que o homem é um centro individualizado de inteligência num complexo oceano de energia mental. Nosso cérebro é um superpotente ‘computador’, não apenas no que diz respeito ao uso da energia para governar todo o complexo orgânico composto de  trilhões de células, reunidas em tecidos, em órgãos e que ao mesmo tempo gera energia irradiante tornando o homem num ser único no planeta com tamanha potencialidade.

Um homem bem instrumentado com pensamentos positivos, segue uma corrente que se perde no tempo e que  diz: “Na proporção em que EU SOU, o que é meu me vem, pela lei da atração”.  Esta corrente nasce do cérebro e integra o ser pensante, ativando centros cerebrais que ainda carecem de estudos com um potencial elevadíssimo de energia desconhecida, mas concreta como o mais forte aço e que o homem comum chama de FÉ. Esta estranha força pode ser desenvolvida como faz o atleta no desenvolvimento de um músculo. A bipolaridade verbal ‘posso e quero’,  são os fios condutores da vontade que se torna real, absoluta e concreta. Nosso  cérebro é como uma bateria recarregável. Cabe ao ser humano fazer convergir para ele a corrente ideal, semelhante a uma corrente elétrica, e o cérebro será ativado tal e qual uma conexão computadorizada.

Da mesma forma como o cérebro poderá ser ‘ abastecido’ com energias positivas, internas e externas, pode também ocorrer o contrário através da antienergia chamada popularmente crítica que pode ter um potencial enorme de carga destrutiva.  Há quem entenda afirmar que a crítica pode ser negativa e ou positiva. Entendo o contrário. Jamais devemos nos expor ao polo negativo da crítica. É como uma granada com pino retirado.Dividi-la em dois polos, jamais. A crítica é sempre mordaz, mesmo camuflada. Assemelha-se a uma seta com ponta envenenada, com droga poderosa de efeito lento, mas progressivo. A falsidade é uma força física e mental que tem o poder de destruir muitas possibilidades de êxito do ser humano. Ela encobre a verdade, dissimula a Justiça, destrói riquezas físicas e culturais e emite fortíssimas correntes de energia negativa nos meios onde os indivíduos vivem, inclusive nos altos níveis políticos e sociais.

A imaginação não é fantasia. É a chave dos desejos e sonhos do homem e tudo o que o homem for capaz de pensar se tornará em algo real. Isto exige tempo e perseverança. A harmonia resulta do equilíbrio dos contrários.  A crítica é o antídoto do sucesso. Ela é como o ácido que corrói o frasco que o mantém.

Tanabi,agosto de 2021. Antonio Caprio

terça-feira, 17 de agosto de 2021

VITALISMO

 



Sempre defini vida como sendo “ o princípio que anima a matéria”. Os vitalistas defendem a tese de que os organismos vivos são, de forma fundamental, diferentes dos objetos inanimados. Já desde o século XVIII e ainda no início do século XIX, cientistas ‘esquentavam’ a cabeça para explicar o que é a vida. A Filosofia entrou, também, na discussão e Bergson (1859-1941)  era oposicionista do pensamento materialista e mecanicista. Entendia ele que existe na natureza  uma força vital em todos os processos vivos. O vitalismo encontra resistências desde o início do século XX, e a Ciência  refuta seus pilares enquadrando o assunto no campo da religião, mas encontra, ainda hoje, fortes correntes defensoras de suas teses.

Os vitalistas afirmam que a vida orgânica é uma manifestação do princípio espiritual superior, oriundo da contraparte não material do corpo físico dos seres orgânicos vivos, como escreveu Paulo de Castro em seu livro “O segredo das origens” (2010), p.85. O princípio da vida vitalista se alicerça na ‘energia vital’, ‘impulso vital’, e até o velho conceito de ‘alma’ ou ‘espírito’. O ser humano, como os demais seres vivos, são estruturados por dois princípios básicos: o energético e o material. A parte material extraímos do meio ambiente por meio de moléculas constituídas de átomos e da parte energética auferimos por intervenção da genética, das emoções, dos pensamentos, que sinteticamente podemos chamar de espírito, da alma, força vital, força cerebral irradiante, força psíquica, fogo vital, força psíquica e muitos outros adjetivos criados por ilustres nomes da ciência, no passado e no presente.


Sabemos, de há muito tempo, que a luz é uma espécie de matéria em estado especial e que a ‘solidificação’ da luz se converte em matéria. A Ciência ainda entende que um corpo físico ( seja de que estado for), não pode ultrapassar a velocidade da luz, já havendo experimentos que afirmam o contrário. As teorias do antiátomo e do antiuniverso estão ensaiando ocupar espaços nos campos mais variados dos estudos humanos de alta densidade. Lao Tse, ainda no século VII a.C inseriu no mundo filosófico a questão da dualidade da matéria – o Tao – onde as duas qualidades opostas e harmônicas  coexistem, se interpenetram. Pietro Ubaldi trabalhou na questão da lei dos binários e a dualidade da matéria é questão aberta, onde o vitalismo ocupa seus espaços e complica ainda mais o ‘ meio de campo’ no que diz respeito à vida.

O misticismo e a física admitem inúmeras dimensões para o universo resultando no pensamento do ‘universo paralelo’, onde frequências diferentes têm como ingredientes básicos a matéria, tão desconhecida, ainda hoje, como no tempo em que o homem começou a admitir sua existência. Garantem, os mais evoluídos, que somos seres tridimensionais vivendo numa moto-contínua chamada tempo-espaço sendo nosso corpo uma máquina 3D. Buscam comprovar que somos 99,998% de energia e 0,002% de matéria. Uma múmia egípcia pode servir como prova disso e o vitalismo se materializa de forma  clara neste processo todo. Os conceitos tempo-espaço são puramente mentais. A pergunta que estremece o mundo vitalimista e físico é: existem muitos mundos ou haverá um só? A Biologia molecular já trilhou e trilha por progressos notáveis contando com a engenharia genética de forma espetacular, mas  não explicam a vida, apenas e tão somente a definem  como um complexo químico que, estranhamente, se multiplica, mas não como realmente foi originada. A vida continua a ser a mais estranha de todas as manifestações que compõem o planeta Terra. O vitalismo, está, como sempre esteve, à espera de explicações que convençam e sejam comprovados. A vida é o grande mistério deste planeta e quiçá, do Universo.

Prof. Dr.  Antonio Caprio – Tanabi – agosto 2021. 

sábado, 7 de agosto de 2021

A GUERRA DOS DEUSES

 



É interessante como todos os povos do mundo antigo acreditavam na existência de deuses do bem e do mal. Já nos idos em que o homem habitava cavernas e nas matas do planeta, e observando a natureza, concluiu rapidamente que tudo dependia de uma ordem superior por ele desconhecida, tal como o trovão, o raio, a chuva, o vento e isto fez com que ele atribuísse a estes elementos um poder além do dele e que era incontrolável pela vontade do próprio homem. Era assim na Índia, na China, no Japão, no Egito, na Grécia, nas Américas, inclusive no período pré-colombiano, na Assíria, e isto para aleatoriamente abarcar todo o planeta. E buscando se inserir no meio ambiente, criou seus deuses, do bem e do mal, como uma forma segura de estar bem com eles e fazer deles seus sustentáculos num meio tão hostil como o que vivia.

Para agradar a seus deuses, imaginou oferendas para tornar seus deuses amigos e aplacar a ira dos maus. A princípio as oferendas eram produtos da própria natureza vegetal, depois passou a oferecer vidas animais e até o próprio ser humano. A Bíblia tem inúmeros exemplos destes sacrifícios. Os sacerdotes, que se diziam porta-vozes entre o homem e os deuses, galgaram posições invejáveis nos clãs, e tudo faziam para manter e aumentar seus poderes ditos sobrenaturais e assim galgaram posições sobre a vida e a morte. A princípio eram sacrificados os inimigos presos nas constantes guerras. Depois ampliaram o rol das oferendas chegando ao fanatismo que alcançou proporções incontroláveis. Os deuses bárbaros exigiam sangue, muito sangue. Incas, Maias e astecas são exemplos evidentes desta conduta. A barbárie chegou a tal ponto que as vítimas dos sacrifícios se sentiam premiadas por serem escolhidas para os sacrifícios, tudo em prol da tribo, melhores colheitas, mais caças, mais chuvas e menos desastres naturais. Escravos imploravam para serem sacrificados e com isto renascerem livres.

Os ameríndios, os egípcios, os gregos, os asiáticos, e vários povos do mundo, escolhiam um Deus acima de todos atribuindo a este a função de presidir e decidir sobre os destinos do clã e suas descendências. No mundo hebreu e no próprio Egito, Grécia e outros povos, o Deus principal comandava todos os demais deuses menores. A crença de um Deus único não é coisa nova no planeta e isto causou, em muitos momentos, grandes disputas, guerras e mortes por toda a superfície da Terra. Moisés desponta como instituidor destas guerras frente à nacionalidade judaica. Apresentou Jeová como sendo vingativo e ciumento. Transformou-o em Deus nacional onde o único povo que tinha o privilégio da salvação ( o céu) era o israelita. Todos os demais eram dignos de extermínio. A política e a religião tinham o mesmo significado e força. Roma não desejava confrontos religiosos, valendo-se disto para se perpetuar no poder com paz relativa, chegando a dominar grande parte do mundo antigo. O mesmo procedimento era praticado na Índia, onde o mestre Vivekananda, reverenciava todas as religiões, sustentáculos de seu poder.

Extrapolaram neste comportamento os europeus que, ao invés de catequisar os ameríndios, apelaram para a violência, impondo a fé cristã e obrigando os índios e negros a substituir os deuses deles pelos seus. Estudos deixam claro que o fanatismo e a cobiça geraram situações de vandalismo, de mortes e perseguições das mais odiosas formas. Quase sempre as expedições eram compostas de aventureiros, criminosos e degredados sem nenhum escrúpulo ou humanidade. Eram mercenários. Os próprios religiosos faziam vistas grossas a estes comportamentos, afastando-se de seus princípios de religiosidade. Insignificante o número de membros do Clero que eram pessoas virtuosas que se deslocaram para as novas terras para pregar o Evangelho. A esmagadora maioria não tinha espírito cristão. Ser cristão foi, e ainda é em alguma parte do mundo, muito perigoso.

Tanabi

Prof. Dr. Antonio Caprio.