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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

UMA BOMBA PRESTES A EXPLODIR


            A questão da movimentação de migrantes pelo Brasil em busca de emprego tem provocado uma enorme gama de problemas de natureza social, educacional e até da existência real de muitas crianças, sem registro de nascimento.
            Houve tempo em que registrar um filho era geração de despesa, o que não ocorre mais, pelo menos depois da vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente e leis complementares. Hoje o trabalho cartorário é gratuito e exigido por parte da família, que pode até ser responsabilizada em caso do não registro da criança.
            O que vemos, porém, e está escapando dos registros oficiais, é a incidência de gravidez em ‘meninas’ com menos de doze anos de idade, portanto, crianças nos termos da lei. ‘Mocinhas’, maiores de 12 e menores de 18 incham as estatísticas de gravidez precoce. Acima de 18 a coisa ganha cenário espacial.
            O que precisa ser visto é que, na gravidez provocada pelos migrantes, que apenas ficam ‘juntos’, em termos de casal, por necessidade um do outro ou de ambos, são dependentes de tudo, inclusive da sorte de manterem o emprego. A dissolução da associação é totalmente incontrolável, imprevisível.  Deu crise, o pai ‘some’ e ficam a ‘companheira’ e a prole ao ‘deus dará’ e sob a responsabilidade do poder público.
            Em termos sociais, a médio e a longo prazo, uma das situações mais alarmantes, é o caso de criança com registro apenas em nome da mãe, ou se no nome de ambos os cônjuges, sem casamento, que também não garante nenhum tipo de acompanhamento familiar. Esta criança ou crianças, em nossa região, que já chegando à casa dos 12 anos, que garantia tem de um amanhã seguro, e, o que é pior: o que será dela nos próximos anos?
            O pai migrante desaparece ao sabor da necessidade das empresas e de serviço. Sem emprego voa atrás de outras oportunidades e ficam os rebentos aos cuidados sabe lá de quem. Não se espante o leitor com o aumento das estatísticas de menores na trilha das drogas. A origem do alastramento desta praga está ficando clara e o resultado, alarmante.
            Alerta às cidades que registram migrantes em suas estatísticas. Atenção senhores responsáveis pela educação em geral. Senhores gestores municipais.  Esta questão tende a se avolumar com o passar dos anos e, dentro de dez anos, e não mais do que isto, acontecerá a explosão deste processo e não será nada de bom que está por vir, e o que é pior, virá, está vindo, e com  força assemelhada a um tornado.

domingo, 13 de novembro de 2011

EVASÃO ESCOLAR - PROBLEMA DE TODOS NÓS.

           

           Houve tempo em que a escola era o ‘templo do saber’. Era a porta de entrada do futuro. Era o passaporte da esperança de um mundo melhor e de uma sociedade consciente de seu importante papel no contexto social como um todo. Estar na escola era estar no mundo.
O que será que mudou nestes últimos anos? Quem mudou, a escola, o aluno, a sociedade ou ninguém mudou nada?
A escola foi elitista, bem o sabemos, em especial até a década de 60. Era exclusiva, afirmam alguns pedagogos de bonde com o trem da mudança necessária. Hoje é inclusiva e a isto chamam de modernismo necessário e pedagogicamente correto. “Antes” a escola era para poucos, hoje é para todos. A inclusão, com seus exageros acobertados por uma capa de modernidade, leva para a escola alunos com todas as dificuldades físicas, psicológicas, neurológicas e o professor é o grande amortecedor de todos estes problemas, o verdadeiro ‘saco de pancadas’, o grande responsável por todas as mazelas educacionais que brotam todos os dias dos cérebros dos dirigentes instalados nos elevados postos da educação em todos os municípios, estados e país. O cipoal legislativo é assustador.
A lei maior e todos os sucedâneos nos graus menores, determina que os responsáveis pela educação são a família, o estado e a escola.  É público que os fracassos escolares são de responsabilidade da família, do estado e da escola. Em alguns momentos colocam o estado na ponta das críticas, mas na grande maioria dos textos legais aparece como base a família. O aluno nem é lembrado, já que ele é a “razão e a causa” de tudo. O elenco de responsáveis pela evasão escolar deságua na diferenças de classes, na desnutrição pregressa, no trabalho, na gravidez precoce e por último e fortemente acelerador, nas drogas. Os fatores internos, como a não valorização do aluno pela escola no universo cultural do aluno, e nos fatores externos o trabalho e a necessidade de ‘ajuda no orçamento doméstico’, incham ainda mais as estatísticas da evasão.
Há pedagogos que proclamam aos quatro cantos educacionais que o desinteresse do aluno pela escola se alicerça na falta de atrativos escolares, como se a escola tivesse de ser um circo onde todos os espetáculos devem ser diferentes e motivadores, e o professor, o ‘grande artista’, o ‘grande astro’.
Balela. O aluno está se afastando da escola porque existem outros atrativos ‘lá fora’ fortes, bem próximos e muitas vezes na porta da sala de aula ou no portão da escola. Mulas ganham muito bem para fazer da escola um péssimo lugar, a não ser para a distribuição dos produtos que oferecem e sustentam o vício de uma larga e crescente clientela.
O professor tem de cumprir a programação escolar. É cobrado pelo coordenador que por sua vez é cobrado pelo diretor, que é cobrado pela Diretoria de Ensino e esta pela Secretaria da Educação, e o que é pior, esta pelos índices estatísticos que devem ser mostrados ao mundo.
Neste ‘baile’ sem maestro e com conhecidos músicos, a escola se torna chata, sem atrativos, sem propósitos e o que é pior, sem apoio da própria família que deveria ser a regente de todo este concerto.  Como aperitivo temos a promoção continuada, as reclassificações, os teatros dos conselhos de classe e ao final, a grande vilã, inverso de tempos atrás, a escola.  
É preciso mudar tudo neste tabuleiro chamado educação. Por onde começar, a quem cabe iniciar este processo, o que fazer?
De nada adianta caçar as bruxas. Isto não levará a nada e a nenhum lugar.
Todos devem agir e só com uma  profunda revolução educacional se poderá pensar em termos de futuro para este país. 
Tempo confuso, este que vivemos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O MUNDO DO DIREITO CONTRA O MUNDO DO DEVER





           Uma constituição define um rol de direitos, de deveres, de responsabilidades vinculando o cidadão, como membro de uma comunidade, ao poder do Estado, organização jurídica de um povo fundada na lei emanada do poder legislativo, ou por este poder aprovada.
            Todos são iguais perante a lei, diz o art. 5º da Constituição Federal. Inverdade na prática, pois cada cidadão, conforme seu poder financeiro,tem seus direitos garantidos. São invioláveis a intimidade; a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.(Art.5º,X) Balela. É assegurado a todos o acesso à informação.(5º,XIV) Letra morta, bastando se ver o quanto escondem coisas acontecidas no regime militar,por exemplo e os próprios atos dos agentes político, e recentemente.  Segue-se um conjunto de acontecimentos que tornam a constituição Federal Brasileira um conjunto de piadas. Lá no Art. 196 diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Alguém ri disto? Não, porque o caso é de calamidade pública, bastando-se assistir alguns jornais televisivos. Pule para o Art. 205, onde se define que a educação, direito e todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Precisa mentir tanto?
            O Art. 215 diz que á educação é DIREITO de todos e DEVER do ESTADO e da FAMÍLIA. Digamos que o Estado faz o que pode, e faz muito pouco, bem o sabemos, entendendo-se aqui o poder público(município,estado e país). E o que faz a família?
            Para ‘garantir’ que a família faça sua parte, na educação, em especial, foi preciso fazer outra lei – a  8.069, de 13 de julho de 1990, o chamado ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que se fez esta lei? Porque a família não cumpre com sua parte no contrato educacional das crianças e adolescentes neste país chamado Brasil. E já faz muito tempo.
            Portanto, precisamos fazer uma lei para que os pais façam sua parte na educação dos filhos. De igual forma é hilário o que se fez, editando a lei 10.741. de 2003, criando o Estatuto do Idoso. Um país que precisa escrever numa lei o que deve ser feito com o idoso é alguma coisa de constar no livro dos absurdos do mundo. Mas, não fique o leitor preocupado, visto que também temos a lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, que cria o Código de Defesa do Consumidor, sendo o mesmo que declarar todo comerciante (que fornece algum bem ou serviço) não digno de confiança. E a coisa vai longe, com ‘ leis Maria da Penha’ e outras das mais engraçadas, se não fossem, no fundo, e claramente, trágicas.
            E o que isto tudo gera, em especial na parte educacional, raiz e alicerce de todo processo humano? Total falta de vontade na ação da educação de berço. Digo falta de vontade porque os pais( e isto é de espantosa porcentagem) entendem que ‘fazer’ o filho, é problema deles,(e até por culpa divina) mas educar, que se ligue quem quiser, menos eles. Que a escola se vire, que o setor de assistência social  se arrebente, que a justiça vá para onde quiser, mas o que importa é EU TENHO DIREITO, você, cidadão contribuinte, TEM DEVER de me dar o que eu preciso, afinal, nós temos direitos, visto que somos eleitores. O Art. 4º do ECA determina que tudo é responsabilidade da família, depois da comunidade e depois ainda do poder público. O que se vê, no entanto é o inverso. O poder público que se arrebente, o filho é meu, mas a responsabilidade É DE VOCÊS TODOS.
            Esta é uma bomba que está prestes a explodir. Se não for contido este desastre anunciado o mais rápido possível, coisas muito sérias acontecerão, e o que é pior, já estão acontecendo.
    

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MEMÓRIA CONSTITUCIONALISTA DE 1932


O Brasil era governado de forma ditatorial em 1932 pelo senhor Getulio Dornelles Vargas. Estávamos sob forte ditadura sob todos os aspectos e os paulistas não concordavam mais com as ordens do Palácio do Cadete, sede do Governo Federal. São Paulo carregava sob as costas as despesas do governo central e de outros estados. A liberdade era ficta. As bocas eram caladas e os discordantes punidos sob várias formas. Era interventor em São Paulo o Sr. Pedro de Toledo, homem de elevado preparo, civil e paulista
Em 23 de maio de 1932 eclodiu forte e preparado o levante de São Paulo por uma nova constituição e, como plano secundário e para alguns até principal, a separação de São Paulo da Federação Brasileira. Pedro de Toledo procurava harmonizar os interesses do governo de São Paulo com os da República e acabou vencido pela voz do povo paulista que o queria como Presidente do Estado de São Paulo.
A tarde de 23 de maio anunciava-se com o por do sol vermelho como nunca parecendo uma previsão do que iria acontecer. O sangue paulista fervilhava nas veias de todos e o nervosismo tomava conta como que algo prestes a explodir. Alguém iniciou o canto do Hino Nacional e o rastilho foi aceso. Impressionante massa humana se reuniu e blocos antagônicos se enfrentaram e tombam quatro jovens na Praça da República e mais tarde uma quinta vítima se registrou. Morreram Mario Martins de Almeida,Euclydes Bueno Miraguaia, Drausio Marcondes de Souza, Antonio Américo de Camargo, mortos no dia 23 de maio  e Orlando de Oliveira Alvarenga, que morreu no dia 12 de agosto. Dos nomes dos quatro primeiros surgiu  a sigla ‘M.M.D.C.’ Esta sigla permanece até hoje lembrando o grande movimento paulista de 1932 em busca da liberdade e do combate à tirania. A morte destes jovens levou toda a juventude paulista para o campo de batalha e fez tremer os alicerces do regime totalitário de Vargas.
O povo paulista aderiu em peso ao movimento com cidades que acabaram ficando divididas quanto ao apoio às propostas do movimento. No dia 9 de julho de 1932, Pedro de Toledo, pressionado pelo poder central, renunciou à interventoria e ficou do lado do povo paulista.. Seguiram-se três meses de luta onde as palavras de ordem eram: coragem, valor, abnegação.
O movimento durou de 9 de julho a 4 de outubro de 1932, em oitenta e sete dias se sangrenta luta e domínio mais forte do poder central. Oficialmente registraram-se 934 mortos, mas, afirmam que o número chega a 2.200 combatentes. No dia 23 de maio é comemorado o dia do Soldado Constitucionalista e o dia 9 de julho é feriado paulista onde acontecem em vários pontos do estado intensas comemorações.
Foram emitidos bônus e selos comemorativos, buscando angariar recursos financeiros para as enormes despesas com a guerra, bem como emitidos distintivos militares e civis, dentre eles anéis e broches, que eram usados durante a revolução. Campanhas de arrecadação de ouro e prata corriam de cidade em cidade, onde pessoas doavam as próprias alianças de casamento e jóias de família para financiar o movimento.
No dia 29 de setembro de 1932, já exauridas as forças paulistas, Pedro de Toledo e seu gabinete assinam documento de rendição (armstício), sendo iniciadas as negociações para o restabelecimento da paz. Sob o ponto de vista militar, São Paulo, traído da insídia e da felonia, foi derrotado pelas forças tremendamente superiores da ditadura, politicamente. No entanto, pelo menos na essência, saiu vencedor: a ditadura sem mais delongas, teve que reintegrar o país sob o regime da lei instituindo nova constituição.
Vários brasileiros foram deportados. A primeira turma, composta dos principais líderes revolucionários, foi transportada a bordo do Navio “Pedro I” e depois transferida para o “Siqueira Campos”, chegando a Lisboa no dia 18 de novembro. O Governo central usou da força para mostrar aos outros estados brasileiros que o ‘atrevimento’ de São Paulo não poderia servir de modelo para nenhum outro ente da federação.
No centro de São Paulo, em monumento especial lembrando o movimento, Guilherme de Almeida deixou gravado: “Aos épicos de julho de 32, que fiéis cumpridores de sagrada promessa feita a seus maiores – os que houveram as terras e as gentes por sua força e fé – na lei puseram sua força e em São Paulo, sua fé.”.


ANTONIO CAPRIO ingressa na Sociedade de Veteranos da Revolução de 32 MMDC

Na noite de 14/09/11, a convite de Antonio Florido, Antonio Caprio tornou-se membro da Sociedade de Veteranos da Revolução de 32-MMDC de São José do Rio Preto, que tem por objetivo preservar e defender o civismo em nossa sociedade.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

FRASE PARA PENSAR...

"O pior de ter passado pela morte não é ser esquecido.É esquecer."


Esta é a última frase do livro Imperatriz no fim do Mundo - Memórias Dúbias de Amélia de Leuchtemberg, de Ivanir Alves Calado, Ediouro,1953.
Profundidade e discernimento à toda prova. Bom ler isto.
Os deuses antigos( e atuais) 'lutam' para não serem esquecidos. Uma vez esquecido, a eternidade se esvanece e tudo acaba.
A vibração da memória tem o poder da eternização concreta.




sábado, 6 de agosto de 2011

A SAGA DO HOMEM FRENTE A SEUS SÍMBOLOS


   Por que a Humanidade, desde seus primeiros raios da razão, criou, independentemente, em todos os rincões do planeta, a mesma forma explicativa da origem de tudo, desde o Universo até o homem, variando, apenas, a forma e mantendo idêntico núcleo inicial?
      Caminhemos em busca da resposta seguindo a pista básica: o ser humano é extremamente simbológico. Desde os primeiros momentos no despertar da ‘razão’, o homem se fez acompanhar de seus símbolos, sem os quais não resiste às diversas formas de ação e reação com o meio ambiente que o assusta, aterroriza e ao mesmo tempo o atrai. Símbolo é todo objeto físico que tem uma representação abstrata. Tem valor evocativo, mágico ou místico. Atrás de todo símbolo estão ocultos ensinamentos, crenças e superstições humanas. O símbolo está direta e firmemente relacionado com uma crença ou ritual e, raramente, com a parte religiosa de cada ser humano, embora pareça isto um paradoxo. O homem é primeiramente místico, depois religioso e ainda depois, pode ser ateu, e jamais em linha inversa.
        O ser humano, e somente os humanos, dentre os demais animais, se vale de símbolos para contar, representar e interpretar sua própria história. Não se vale o homem dos símbolos apenas no campo filosófico-religioso, valendo-se deles em toda sua vida, seja social, profissional, familiar e mesmo individual. Os símbolos podem variar de significados conforme a cultura, a região e o tempo. O pentagrama, por exemplo, no início do tempo cristão, representava as cinco chagas de Cristo enquanto que na Wicca, o mesmo símbolo representa os quatro elementos básicos da natureza:  água, terra,fogo, ar e o quinto elemento é o espírito, enquanto que na maçonaria, o pentagrama (estrela de cinco pontas) representa o homem perfeito, no aspecto físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual.
          Símbolo vem do grego antigo symballein significando agregar. Carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma idéia complexa (Mark O’Connel.,Signos & Símbolos,introd.). Confúcio afirma: ‘ Os signos e símbolos governam o mundo, não as palavras e as leis”. Sumer (Sumerianos) é a civilização mais antiga registrada pelos historiadores e são responsáveis pelo primeiro sistema de escrita conhecido.Usavam pictogramas ou ícones valendo-se 2 mil símbolos gráficos,cada um representando uma idéia,uma coisa, não uma palavra, de uso bastante limitado. Depois perceberam que os signos poderiam ser utilizados para representar sons e nasceu a escrita cuneiforme, surgindo uma vasta forma de representação de idéias,coisas e sons. Desta vasta coleção gráfica surgiram os templos, depositários do conhecimento onde as formas,as paredes internas e externas, tetos e pisos eram verdadeiras  bibliotecas disponíveis.Nascem os ziguratos, embriões dos futuros templos, com formas indicativas de montanhas cósmicas como Babel, escada unificadora do céu e da Terra e claramente significando o orgulho humano tentando se igualar à magnificência de Deus. Surgem os símbolos do poder e proteção, as esfinges maciças(Lamassu) com asas, o leão ou o touro com cinco pernas,asas e cabeça humana com barba, representando a vigilância contra os inimigos,o poder humano sobrenatural e a eterna vigilância contra o mal;  a deusa Lua, o deus Sol, as constelações e o zodíaco.
            Seguem-se civilizações como a egípcia, com suas pirâmides significando a ascensão perfeitamente alinhada com o Sol e as estrelas, o cosmo, combinando perfeitamente o triângulo e o quadrado que se tornam companheiros simbológicos da humanidade desde o raiar da consciência humana, indicando o domínio do poder da vida sobre a morte. A ordem é representada por Hórus e Set representava o caos. Os ritos buscavam o equilíbrio das forças e disto surgiram deuses secundários e as seitas, depois transformadas em religiões. A vida continuada após a morte é representada pelo escaravelho e a cruz ansata (o Ankh), formada por uma alça oval invertida (representando o universo, o macrocosmo) acoplada sobre uma cruz tau (T), representando o homem, o microcosmo. Esta simbologia une o Céu e a Terra e o símbolo, que une Osíris(a cruz) e Isis( o oval) é a chave que destrava os portões da morte para a eternidade, fundamento da vida humana no planeta Terra.
            Os gregos e romanos influenciaram a Sociedade Ocidental no campo religioso, social e jurídico. Os deuses e deusas do panteão greco-romano ditavam as normas aos mortais do planeta Terra do Olimpo, cujas ordens emanavam do templo de Apolo em Delfos, nas encostas do Monte Parnassus. Prevaleciam os ciclos da natureza e em cada um, deuses e símbolos atuavam. Reinavam os Mistérios de Eléusis, rituais anuais e secretos, que foram observados por 2 mil anos. Até hoje símbolos ali nascidos se espalham por todo o planeta, como por exemplo, o caduceu, haste ou bastão entrelaçado por duas serpentes (o deus Hermes, grego e Mercúrio, romano), que simboliza a medicina homeopática ou também o comércio); a coroa de louros, ligada a Apolo, a coroa da vitória Greco-romana, largamente usadas em competições internacionais como olimpíadas e outros jogos); os cinco anéis, que formam o símbolo dos jogos olímpicos modernos e tantos outros.  
            A Europa pagã foi rica em mitos e símbolos. Os celtas eram amantes da natureza. O caldeirão celta, de onde renasciam os mortos, foi o precursor do Santo Graal das memoráveis lendas de Arthur. Os anglo-saxões adoravam seus cavalos como deuses representantes da prosperidade e dignidade. Os Vikings eram comandados pelo deus Odin, também detentor do poder do pensamento e da memória contando com a ajuda de Thor e seu poderoso machado, senhor dos raios e trovões, ao lado de Freya, a deusa do amor e da beleza.
            O Oriente Médio foi testemunha do início de civilização que foi o berço do Judaísmo, do Islamismo e do Cristianismo, três riquíssimas fontes de mitos, de símbolos e signos. Os persas fizeram nascer o centro do poder iraniano unindo toda a Mesopotâmia política e cultural ao Egito, outro manancial de simbologia, misticismo e divindades. Faravahar era o deus supremo dos persas – Ahura Mazda, uma imagem majestosa nascida de um disco com asas, representando a aspiração humana de unir-se ao deus. Os bons espíritos(ahuras) e os maus(daevas) criam antagonismos que levam o homem a pensar no passado, no presente e no futuro. O fogo é o elemento purificador no zoroastrismo e um touro branco representa a criação máxima e geradora de todas as outras formas de vida. Os famosos ‘tapetes persas’ representam a estabilidade familiar, social e humana e são símbolos milenares da região. O incenso é o elemento químico natural máximo, representando o sagrado, enquanto que o olibano está associado à masculinidade e o espírito dos céus, e a mirra ao feminino e à terra. As espirais de fumaça clara e aromática formadas pela queima do incenso eram consideradas asas condutoras das orações e representavam a comunhão com os deuses.
            As tendas usadas pelos beduínos simbolizam a dualidade do masculino e do feminino. É o local onde a divindade é convocada a se manifestar; é a ligação entre o Céu e a Terra.  O véu negro usado pelas mulheres indica a condição de mulher casada. O homem é livre, e há o predomínio da cor branco, já que o homem é  independente, em todos os sentidos.
            A África Tribal cultua um arsenal de talismãs, símbolos da energia divina encapsulada em um objeto. Nesta região existe um mundo vasto, diverso e rico em cultos, divindades, cantos, danças e cerimoniais divinos. Seus habitantes acreditam que o poder espiritual possa ser manipulado para o bem ou para o mal. Pajés e Ngangas (benzedeiras) são imprescindíveis na vida social e tribal. As máscaras retratam a diversidade das divindades e dos espíritos dos ancestrais. A cabaça representa o universo e o Sol e a Lua ‘circulam’ em linhas opostas e constantes em torno da superfície da cabaça. A terra, o solo, está no interior da cabaça onde coexiste com os homens. Os tecidos são confeccionados e adorados como talismãs e retratam as famílias. A arte adinkra, que são símbolos pintados à mão, identifica cada grupo étnico e a posição social de cada usuário da roupa, sendo o tecido um grau de ascensão social.
            A simbologia ao sul e a sudoeste da Ásia é rica e dramática. Grandes civilizações já estavam na Índia por volta de 2.500 a.C e na China por volta do ano 200 a.C. O chamado terceiro reino é o Japão, tão rico quanto os dois anteriores em tradições, simbolismos e crenças, remontando ao século VII a.C, legando até a atualidade a dinastia Jimmu. A deidade principal do panteão xintoísta é o Sol e a bandeira japonesa ostenta um sol vermelho sobre um fundo branco puro. Japoneses tem símbolos eternizados como o dragão, símbolo do poder imperial e da tarefa atribuída ao imperador de mediar entre o Céu e a Terra em favor dos homens da ‘ terra do sol nascente’. Outros símbolos são as montanhas (sagradas moradas dos deuses), o faisão (ave celeste), grãos de arroz (alimento), o machado (trabalho), a chama (eternidade), a espiga d’água (a vida), o vaso sacrificial ( a vida eterna) e os padrões representantes da justiça.. São símbolos básicos a Grande Muralha, símbolo do poder, da divisão, de atitudes rigorosas e opressão Na Índia o Taj Mahal é o símbolo duradouro e profundo do amor. Na China o chá é o símbolo do respeito, da fraternidade, da benevolência sendo oferecido a todos os visitantes, não se podendo recusar a oferta sob pena de ofensa. Sete décimos da xícara são preenchidos com café e os outros três décimos representam a amizade e a afeição.
            É importante observar que a simbologia, a crença, os mitos, as lendas são uma constante em todos os pontos do planeta, independentes uns dos outros, mas com uma perfeita relação de significados e fundamentos. Parece que houve uma espécie de onda coletiva que alcançou a todos os povos da Terra, simultaneamente.
            A América Central e a América do Sul guardam esta relação de forma bastante significativa, talvez pela ligação física entre ambos, e isto até de forma mais marcante do que atualmente. Os Maias tinham o deus Itzamná como o mais elevado no panteão, senhor do leste e oeste, do dia e da noite, disseminador do conhecimento, da cultura, da escrita e criador de Mayapan, a grande capital maia. O jaguar era um deus  cultuado e respeitado, representando a realeza. O calendário, criação maia, tem expoente máximo  na Grande Pedra do Sol, que  simbolizava o tempo, fixado em uma rocha com 4 metros de diâmetro e é uma perfeita calculadora de datas, fatos, fenômenos, inclusive em nível extraterrestre, ou seja, em nível cósmico. Afirmam historiadores que os maias praticavam sacrifícios humanos, em especial de inimigos capturados, celebrando a ligação entre os deuses e os homens. Praticavam jogos, um deles assemelhado ao futebol, onde a bola (de um tipo de látex), representava  a Lua ou o Sol e a quadra o mundo. Os huacas eram locais sagrados e eram representados por cavernas, nascentes de rios e os seixos eram amuletos de alta simbologia e proteção. Cada dia reservado à agricultura tinha um deus e, os mais, costumavam desenhar nas grandes encostas montanhosas animais como um beija-flor, uma baleia, um macaco ou uma aranha, que, vistos  de forma aérea, são figuras perfeitamente geométricas, parecendo indicar alguma coisa a um suposto viajante espacial.
            A América do Norte, que em parte do tempo geológico esteve ligada a outras extensões de terra existentes no hemisfério norte e praticamente separada da América Central e do Sul, mostra uma simbologia diferenciada, mas semelhante. O Estreito de Bering era o caminho natural dos habitantes asiáticos que viveram na área há cerca de 15 mil anos. Os nativos americanos mantinham estreita ligação com a natureza, com a terra, Gaia. O Grande Espírito criou tudo e a todos em círculos e tudo se assemelha ao que a grande maioria das religiões indicam como o princípio criacional  da Terra e dos seres vivos, inclusive do Universo. O bisão, o urso, o búfalo, o lobo, a águia destacavam-se como representantes da vida, da força, do equilíbrio e da paz. Montavam seus totens (guardião principal do indivíduo ou da comunidade como um todo) e conta a história dos ancestrais daquele grupo étnico, numa interessante superposição de rostos, elementos naturais, figuras de animais e vegetais. O milho, no sul do México, era uma herança divina da deusa Iroquois, filha da Mãe Terra. Os xamãs usavam o tabaco como meio de ligação com espaços superiores da espiritualidade. Atos diferentes, fundamentos semelhantes, objetivos praticamente iguais, onde tudo é dito, expressado e santificado pelo uso de símbolos signos e crenças.
            As regiões árticas não ficaram de fora nestes mistérios. O Ártico inclui a Sibéria, partes do norte da Rússia, o Alasca, nos Estados Unidos, o norte do Canadá, a Groelândia, a Lapônia, a Finlândia, o norte da Noruega e a Suécia. A região ártica é conhecida como ‘terra do sol da meia-noite’. As forças da natureza são chamadas de innua e fazem parte delas a água, o ar, as pedras e os animais. Estas forças podem ser personificadas pelos guardiões dos homens, os torngak. O iglu é um símbolo de lar e vida familiar. É a residência de gelo utilizada pelos inuítes, os ‘ esquimós’, constituído por blocos de gelo de forma espiral ascendente com um orifício superior. Em 1958 o governo canadense registrou a imagem do iglu como marca indicativa do trabalho dos artistas e dos escultores inuites. Os antigos lapônicos, hoje saami, são caçadores hábeis e acreditam que o mundo foi criado em três escalas: o mundo inferior, o mundo intermediário e o mundo superior, lembrando uma tenda que chamam de ‘tenda cósmica’, onde o ápice é preso à Estrela Polar. O princípio básico da criação do homem e do universo permanece constante em todos os povos. A rena é um símbolo saami com várias facetas da vida e da morte, sendo ela a condutora da alma de uma pessoa para o mundo superior.
            Jung afirmava que um signo esta sempre ligado ao pensamento consciente e que um símbolo representava mais do que o seu significado óbvio e imediato, buscando algo ainda não conhecido e que  ocorriam, signos e símbolos, não apenas nos sonhos mas em todos os tipos de manifestações psíquicas. A Teoria do Inconsciente de Jung expressa que o homem se vale de símbolos para expressar os temas universais humanos, e ,por conseqüência, a universalização do mesmo pensamento básico da ação criativa em todos os pontos do planeta e em todos os tempos, desde o estalar de dedos da ‘razão humana’.
            O homem antigo e o homem atual são submetidos, historicamente, sempre, às mesmas pressões do meio e do grupo social onde viveram e vivem. Não poderiam agir de forma diferente quanto às suas crenças e nem teriam signos ou símbolos de diferentes significados, apesar de terem estes símbolos formas diversas de serem grafados e isto em razão de que, tanto o homem antigo como o homem atual, caminharem sob a ação dos mesmos elementos em todos os tempos: o ar, o fogo, a água e a terra. Desta ação, a reação não poderia ser diferente, daí as crenças se basearem, sempre, nos mesmos fundamentos e as religiões nos mesmos pilares, em semelhantes dogmas, tratados de formas diferenciadas no transcorrer dos séculos..
            Por esta razão, todas as religiões têm o mesmo princípio básico: um Deus criador de todas as coisas e muitos deuses ou divindades para administrarem todas estas diferenças.

            Tanabi, agosto de 2011.