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terça-feira, 8 de março de 2011

O 'EU ACHO' JURÍDICO E AS AÇÕES RELIGIOSAS

           



            Lagoinha,a 230 km do Recife, foi palco há pouco tempo de um dos atos mais retrógrados, em termos de religião, que se possa imaginar: o ato de excomunhão. Este procedimento indica que parte da Igreja está, ainda, se firmando em procedimentos que o tempo acabou por colocar no baú das coisas absurdas praticadas no campo religioso. Cheira à Inquisição.
            Uma menina de 9 anos, com1,36 metro de altura e pesando 33 quilos, estava grávida de gêmeos e no quarto mês de gestação. Foi engravidada pelo padrasto, que já abusava da menina há anos. Um quadro típico do nível social que nosso país registra em suas várias regiões.
            O art. 124 do Código Penal diz textualmente: “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque – pena- detenção, de um a três anos”  Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, a pena será reclusão de três a dez anos(Art. 125). Se provocar aborto com o consentimento da gestante: pena- reclusão de um a quatro  anos. Pune-se quem faz e pune-se quem ajuda, quem faz e quem induz.
            O Código prevê em seu artigo 128 que: não se pune o aborto praticado por médico(I), se não há outro meio de salvar a vida da gestante e não se pune o aborto no caso de gravidez resultante de estupro(II). Ambos os casos necessitam de fundamentos médicos devida e tecnicamente explicitados e só podem ser feitos sob ordem da Justiça, após a formalização de um processo legal. Estas exceções são produtos inteligentes do Direito.
            O caso em questão ficou claro e tecnicamente fundamentado. Em não havendo o aborto legal, a menina não teria condições de suportar uma gravidez gemelar (gêmeos). Não se levou em consideração a questão do estupro. O embasamento médico foi o perigo de vida da mãe(criança). A lei autoriza o procedimento médico e a família deve se engajar no procedimento, autorizando o aborto. Tudo feito, tudo consumado.
            Sou visceralmente contra o aborto por ser um ato covarde e um atentado contra quem não pode se defender. Há mais de três décadas luto contra isso sob várias formas. Há, contudo, situações que necessitam de análise acurada e científica.
            Eis que, no século XXI, surgem os pseudos arautos da fé e, em nome da Igreja, condenam a atitude e excomungam a mãe da menina e os médicos envolvidos. Excomungar quer dizer amaldiçoar, condenar, reprovar. Implica em pena eclesiástica que exclui do gozo de todos ou de alguns dos bens espirituais comuns aos fiéis. Repetem, em tese, o que fizeram com Joana D’Arc, com Tomas Morus, com Galileu Galilei e tantos outros. Isto é defender a vida? Tem padre negando o holocausto. Depois vivem pedindo desculpas pelos absurdos cometidos. Esta mesma Igreja luta contra o uso de preservativos no mundo atual que enfrenta gravíssimos problemas com a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
            Por que esta mesma Igreja não trabalha com tamanha intensidade contra médicos católicos e assemelhados que praticam o aborto em clínicas ostensivamente funcionando em todo o país. Por que não ‘excomunga’ membros seus, ou mesmo de outras seitas, que fazem o aborto por dinheiro? Por que não paga todas as despesas de aidéticos por todo o mundo contaminados pelo não uso da camisinha? Por que não ajudam a criar e manter TODAS as crianças produtos de gravidez indevida e não apenas algumas para tentar justificar suas ações paroquiais? Algumas ajudas esporádicas não resolve, a não ser para justificar opiniões, ações mínimas  e gastos. O interessante é que o estuprador passou batido nesta questão. Ninguém falou dele. Por que será?  
            Semelhante fato se vê atualmente com relação a geração de criança sem cérebro. Instala-se uma celeuma admirável (no sentido negativo). Representantes do Direito se colocam contrários e outros favoráveis.  O ‘eu acho’ impera e causa pavor pela forma como agem os mentores da Justiça. As mães entram em pânico pela omissão da Igreja, seja ela de que tipo for de um lado e o ‘direito’ do outro, ambos com espadas que torturam e nada resolvem, num empurra-empurra revoltante quando o centro da atenção é esquecido, é ignorado: um ser em formação que não tem condições de gerir sua própria existência SE nascer com vida.
            A família em pânico, diante de tanta confusão gratuita e até ‘burra’ resolve não abortar o ser gerado com grave anomalia. Medo de ‘castigos’, de cometer ‘pecado’, de agir contra a Justiça.  E depois, quem vai resolver os inúmeros problemas que poderão advir se este ser continuar vivo? O que será do ser e das pessoas que o cercam em termos familiares? Ou será que passada esta fase tudo cairá no esquecimento e dane-se quem tiver o problema para resolver. O ‘ibope’ já  deu. Agora, fora da mídia, nada a fazer...
            É a isto que chamo de ‘pecado’....

quinta-feira, 3 de junho de 2010

DEUS VERSUS DEUSES

            Por que o homem precisa de Deus? Será que Deus precisa do homem?  O que é Deus? Deus seria a mesma coisa que deus?
            Caminhando pelos livros ditos sagrados, encontramos em diversas fontes respostas ao que pretende Deus, ao que deseja Deus, ao que fez Deus, ao que fará Deus, mas não encontramos respostas exatas sobre o que é Deus. Nada se fala sobre sua ‘genealogia’. Deus é um ser que não teve princípio nem terá fim. Pronto.
            Cristãos de várias religiões afirmam que o homem foi criado por Deus para obedecê-lo, amá-lo e servi-lo. Contestam os ateus e mesmo os não ateus, porém duvidosos da existência de Deus, que Deus foi criado pelo homem para obedecê-lo, amá-lo e servi-lo.
            Paradoxos ou simplesmente palavras colocadas em sentidos contrários?
            Se Deus criou o homem foi porque entendeu que precisava dele. Fez o homem à sua imagem e semelhança, soprou-lhe nas narinas e fez do homem um ser vivo com vontades, desejos, vaidades e sabedoria, afinal, o modelo era o próprio Criador. Criado o homem Deus deveria saber, por sua sapiência, que o homem acabaria por ser desacreditado e expulso do paraíso. Se sabia que o homem seria expulso para que  o criou?  Ou Deus não sabia disso?
            Será que Deus precisaria do homem para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo?  Em sendo Deus, carece de quem O sirva; de quem O ame ou de quem O conheça?
            Interessante como os livros sagrados nada dizem sobre Deus. Não O identificam, não definem seu rosto, não definem seu sexo, apesar da predominância machista da sociedade humana em dizer que Ele é do sexo masculino.  Alguns pintores do passado o representaram, por conta própria, como um ser de certa idade, não muito magro, sempre vestido com roupas largas e esvoaçantes e rodeado de anjos e o que é interessante: branco e, praticamente, tipo europeu.
Nas vezes que Ele se manifestou de forma direta a determinados ‘escolhidos’, foi pela voz, pela sarsa ardente ou pelo ribombar de trovões e relâmpagos. Ninguém jamais ‘viu’ a face de Deus. Não há nenhum registro em todos os livros considerados sagrados pelo homem.
A fé é um mecanismo de sentimentos intrínsecos e próprios da pessoa, fé essa não dividida com ninguém nem somada com a de ninguém. É um fator individual, indefinível e próprio do ser humano. Acreditar é uma coisa. Crer  é outra e ter fé, muito diferente. Para se crer, acreditar ou ter fé não se exige raça, cor, sexo, diploma ou qualquer outro atributo humano, social ou cultural.
Estranho a insistência dos livros sagrados em exigir que o homem não tenha outro deus ou deuses diante do Deus verdadeiro.  Há uma constante nesta exigência. “Não terás outro Deus que não a Mim”, insistem os livros e autores sagrados. Por que será esta preocupação?  Será medo um natural, sem pensar, que o autor sagrado deixou escapar quando escreveu seus textos, e, dizem, sob a inspiração dEle?
Deus, criador do Universo. Energia perfeita que a tudo controla e que compõe tudo o que existe. Pronto. Para que dar a Deus forma, sexo, altura, cor, desejo de ser servido, de ser amado, de ser cultuado?   Isto não são coisas de Deus e sim de deuses, de quebra-galhos que o homem criou para viver melhor ou complementar sua pouca fé.
Cá para nós: Deus não merece as culpas e os erros que os homens atribuem a Ele. Uma coisa é certa: Deus tem muita paciência com sua criatura.
Muita paciência!

domingo, 15 de março de 2009

EXCOMUNHÃO

Lagoinha, a 230 km do Recife, foi palco de um dos atos mais retrógrados, em termos de religião, que se possa imaginar: o ato de excomunhão. Este procedimento indica que a Igreja está, ainda, se firmando em procedimentos que o tempo acabou por colocar no baú das coisas absurdas praticadas no campo religioso. Cheira à Inquisição.
  Uma menina de 9 anos, com1,36 metro de altura e pesando 33 quilos, estava grávida de gêmeos e no quarto mês de gestação. Foi engravidada pelo padrasto, que já abusava da menina há anos. Um quadro típico do nível social que nosso país registra em suas várias regiões.
O art. 124 do Código Penal diz textualmente: “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque – pena- detenção, de um a três anos”  Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, a pena será reclusão de três a dez anos(Art. 125). Se provocar aborto com o consentimento da gestante: pena- reclusão de um a quatro  anos. Pune-se quem faz e pune-se quem ajuda, quem faz e quem induz.
  O Código prevê em seu artigo 128 que: não se pune o aborto praticado por médico(I), se não há outro meio de salvar a vida da gestante e não se pune o aborto no caso de gravidez resultante de estupro(II). Ambos os casos necessitam de fundamentos médicos devida e tecnicamente explicitados e só podem ser feitos sob ordem da Justiça, após a formalização de um processo legal.
  O caso em questão ficou clara e tecnicamente fundamentada. Em não havendo o aborto legal, a menina não teria condições de suportar uma gravidez gemelar(gêmeos). Não se levou em consideração a questão do estupro. O embasamento médico foi o perigo de vida da mãe(criança). A lei autoriza o procedimento médico e a família deve se engajar no procedimento, autorizando o aborto. Tudo feito, tudo consumado.
  Surgem os grandes arautos e a Igreja condena a atitude e excomunga a mãe da menina e os médicos envolvidos. Excomungar quer dizer amaldiçoar, condenar, reprovar. Implica em pena eclesiástica que exclui do gozo de todos ou de alguns dos bens espirituais comuns aos fiéis. Repetem o que fizeram com Joana D’Arc, com Tomas Morus, com Galileu Galilei e tantos outros. Depois vivem pedindo desculpas pelos absurdos cometidos. Esta mesma Igreja luta contra o uso de preservativos no mundo atual que enfrenta gravíssimos problemas com a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
  Por que esta mesma Igreja não trabalha contra médicos católicos e assemelhados que praticam o aborto em clínicas ostensivamente funcionando em todo o país. Por que não ‘excomunga’ membros seus que fazem o aborto por dinheiro?  Por que não paga todas as despesas de aidéticos por todo o mundo contaminados pelo não uso da camisinha? Por que não ajudam a criar e manter crianças produtos de gravidez indevida? Algumas ajudas esporádicas não resolve, a não ser para justificar opiniões. Por que a Igreja se silenciou com relação ao estuprador?  Não é esta figura o grande gerador de tanto sofrimento e confusão? Isto não ´é ‘ pecado’?         
Dizer que tais bispos são ignorantes seria absurdo, mas chego a pensar seriamente nisso.