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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

OS CAMINHOS PARA A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - PARTE I






Muitos foram os documentos elaborados para que se conseguisse a separação entre o Reino Unido e o Reino de Portugal e Algarves. para que o Brasil pudesse alcançar a pretendida independência. Foram muitos os trâmites e as grandes distâncias eram impedimentos naturais que, de forma cuidadosa, acabaram por chegar aos momentos da real concretização dando sustentação aos atos preparatórios, onde os documentos levavam meses para serem lavrados e assinados conforme legislação em vigor.

No presente caso, depois de várias tratativas, a data fixada para a separação entre ambos os países, foi definida para o dia 7 de setembro de 1822, tendo-se como base o ‘grito do Ipiranga” que D Pedro I fez acontecer quando empreendia visita à casa da Marquesa de Santos em São Paulo. Seguidamente, em 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822 e o país passou a ser conhecido como Império do Brasil. Em 1807, a Família Real e o governo português fugiram para o Brasil, acabando por elevar o Brasil à condição de Reino. Tendo que retornar a Portugal, e o rei João VI nomeou seu filho mais velho, Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Quatro anos depois. Portugal reconheceu a independência do Brasil e em 29 de agosto de 1825, foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança firmado entre o Brasil e Portugal. O Brasil, com a separação, optou por preservar as características que existiam no período colonial, a forma monárquica de governo, a dinastia de Bragança no poder, a unidade territorial, a economia agrária de exportação e a escravidão de origem africana.

O Brasil nasceu, politicamente, após a Revolução Francesa. O Liberalismo Político era o sistema vigente como Monarquia constitucional representativa e não absolutista. O Império adotou uma constituição para poder administrar o poder e gerir o reinado. Graças à Constituição de 1824, todos os cidadãos se tornaram iguais perante a lei, ao menos no papel.


Continua ....

Prof.Dr, Antonio Caprio .Tanabi
historiador -Ex-Presidentre do IHGG/ S.J.R.Preto e atual conselheiro.

OS CAMINHOS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - PARTE II


Muitos foram os documentos elaborados para que se conseguisse a separação entre o Reino Unido e o Reino de Portugal e Algarves. para que o Brasil pudesse alcançar a pretendida independência. Foram muitos os trâmites e as grandes distâncias eram impedimentos naturais que, de forma cuidadosa, acabaram por chegar aos momentos da real concretização dando sustentação aos atos preparatórios, onde os documentos levavam meses para serem lavrados e assinados conforme legislação em vigor.

No presente caso, depois de várias tratativas, a data fixada para a separação entre ambos os países, foi definida para o dia 7 de setembro de 1822, tendo-se como base o ‘grito do Ipiranga” que D Pedro I fez acontecer quando empreendia visita à casa da Marquesa de Santos em São Paulo. Seguidamente, em 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822 e o país passou a ser conhecido como Império do Brasil. Em 1807, a Família Real e o governo português fugiram para o Brasil, acabando por elevar o Brasil à condição de Reino. Tendo que retornar a Portugal, e o rei João VI nomeou seu filho mais velho, Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Quatro anos depois. Portugal reconheceu a independência do Brasil e em 29 de agosto de 1825, foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança firmado entre o Brasil e Portugal. O Brasil, com a separação, optou por preservar as características que existiam no período colonial, a forma monárquica de governo, a dinastia de Bragança no poder, a unidade territorial, a economia agrária de exportação e a escravidão de origem africana.

O Brasil nasceu, politicamente, após a Revolução Francesa. O Liberalismo Político era o sistema vigente como Monarquia constitucional representativa e não absolutista. O Império adotou uma constituição para poder administrar o poder e gerir o reinado. Graças à Constituição de 1824, todos os cidadãos se tornaram iguais perante a lei, ao menos no papel.
A colonização foi praticamente iniciada em 1534, quando o Brasil teve o processo das capitanias hereditárias concretizado, em 14 faixas, onde apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram, causando sérios problemas de povoamento e posse real das terras. O século XVIII e início do século XIX foram palcos de pesados movimentos de independência (mediante guerras). Com a fixação da Família Real em 1808 no Brasil, este se transformou em metrópole e o retorno do soberano para Portugal, acabou ficando aqui, como regente, o primogênito Pedro de Alcântara iniciando-se de forma lenta, mas gradual, o processo constitucionalista no Brasil, cujo objetivo maior era a independência. Em 1815 o Estado do Brasil foi elevado à condição de reino e com isto instalado um estado monárquico transatlântico e pluricontinental. Em 1821, Dom João VI foi obrigado a fazer um juramento à nova Constituição, deixando aqui o Príncipe Pedro de Alcântara como Regente do Reino do Brasil. Assim, a independência ficava cada dia mais próxima.

Movimentos visando a independência das terras reinos fervilhavam em todos os pontos do planeta e Pernambuco foi a primeira província brasileira a se separar, de fato e de direito, do Reino de Portugal. Em 29 de agosto de 1821, um movimento armado se levantou contra o governo do capitão general Luís do Rego Barreto resultando na formação da Junta Goiana, saindo-se vitorioso com a rendição das tropas portuguesas com a rendição a 5 de outubro do mesmo ano. Nasce aí o Movimento Constitucionalista de 1821, sendo ele considerado o primeiro movimento com êxito na busca da independência do Brasil.

Era preciso que Lisboa, através de seus membros das cortes portuguesas concordassem de fato com a independência da antiga colônia e o eixo de todo esse movimento era Dom Pedro I defendendo a causa brasileira. Ele contou com a ajuda especial da esposa, a princesa Leopoldina de Habsburgo incentivando e favorecendo a permanência do marido no Brasil, com o que não concordava o grupo de Bonifica-nos. A causa cresceu e no dia 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I, depois de muito refletir, grita do alto da sacada de seu palácio: “Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da Nação, diga ao povo que vou ficar.
No dia 18 de janeiro de 1822, José Bonifácio foi nomeado como ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros do governo, que começava a se formar. Dom Pedro I recebeu, o título de defensor Perpétuo do Brasil e de imediato foi convocada e instalada a primeira Assembleia Constituinte para evitar algum tipo de golpe. Pedro I assinou o decreto no dia 3 de junho de 122 e convocou eleições dos deputados e com isto, os desejos de Independência, se tornava mais forte, e avançava no tempo em busca dos ideais da República. Independência e República, irmãs siamesas do processo político do Brasil.

Chegando a São Paulo no dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I disseminou a notícia da independência do Brasil do domínio português e de imediato foi instituído o brasão de armas do reino independente do Brasil. os processos de independência e mesmo de república, envolveu dezenas de pessoas, vários países, reinos, embaixadas e muita burocracia para se efetivar. O Brasil se tornou, depois de muito esforço, num reino independente, onde muitos deram suas vidas fazendo do Brasil um país uma nação respeitada em todo o planeta , mostrando que sempre soube e sabe conduzir nossa Nação, mesmo diante com várias crises que soube até hoje superar e controlar.


Prof. Dr. Antonio Caprio - ex-presidente do IHGG/Rio Preto e atual Conselheiro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CONSTITUIÇÃO




Tudo nasce do pensamento humano. Uma simples portaria, um estatuto, um regimento, um contrato, nunca é uma ideia isolada, perdida no espaço e nem num tempo, numa dança de letras mortas para nada e nenhum destes instrumentos e muitos outros que tentam estabelecer condutas humanas onde o tempo é o árbitro mudo, mas eloquente, desde os tempos memoriais da história humana. Como sempre foi difícil reger um grupo de forma homogênea, de cabeças pensantes, Karl Loewenstein, propôs um meio onde muitos pensavam da mesma forma, o que aconteceu por volta de 1215, em plena Idade Média, o advento de um texto que foi chamada de Magna Carta Libertatum e que foi apelidada de “ Lei da Terra” com real aplicação na Idade Moderna, onde o homem ocupava quase todos os cantos do planeta, ocorrendo no final do século XVIII o nascimento do Constitucionalismo moderno que foi chamado de Constituição e só em 1755 , gerou a separação dos poderes, na forma ‘tripartite’ mais tarde firmada pelo gênio do grande Montesquieu com a adesão da Constituição da Córserga, dos Estados da América e da França. O ano de 1787 estabeleceu a repartição efetiva dos poderes. Os Estados Unidos efetivaram a prática do Legislativo e do Judiciário independentes e harmônicos entre si. Nasce disto a supremacia Constitucional sobre as demais leis. O pedestal de tal processo é o alicerce e gerado em favor do cidadão no cumprimento dos deveres e direitos de cada um.

Deste processo nasce a figura do cidadão adquirindo o direito à vida, à liberdade, à privacidade, à igualdade perante as leis e i isto gerou os direitos civis que não asseguram a democracia sem os direitos sociais representados pelo direito à riqueza, à educação, a um trabalho justo, à uma velhice mais confortável e mais saúde para si e familiares. A cidadania é a forma expressa da democracia e não há democracia sem uma constituição calcada em direitos e deveres. Uma Constituição, tal como todas as leis, é dinâmica e a batuta que a rege é o tempo e a própria sociedade. O Brasil já instituiu sete constituições (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e a atual 1988. De forma a acompanhar o ritmo da sociedade e suas exigências, existem as emendas, que aprimoram a constituição, conforme o caminhar da sociedade e sua evolução na linha do tempo e necessidade de readequação pela própria sociedade ativa.

Da Constituição derivaram e derivam as leis ordinárias e complementares, trabalhistas, eleitorais, tributárias, agrícolas, fundiárias , decretos, porta - ou outros momentos jurídicos que o tempo exige e a sociedade impõe aos sistemas governamentais, visto que o direito é dinâmico e atrelado à própria exigência do Estado como ente jurídico fundamental à existência de uma sociedade mais justa conforme o tempo o exige. Em 1998 nasceu a atual Constituição Federal e, em 1999 nasce de, seu bojo, a Constituição Estadual, e depois em 1990, as Leis Orgânicas Municipais . que a meu ver, deveriam ser chamadas de Constituições municipais e nenhuma das duas últimas podem divergir ou se dispor discordantes da Constituição-mãe, e se isto ocorrer serão chamadas chamadas de inconstitucionais.

A Constituição Federal é, portanto, o nascedouro da própria sociedade, juridicamente organizada, embora ocorram desvios praticados por desgovernos e gabinetes de uma comunidade podendo resultar em situações seriamente perigosas e até insanáveis.

Prof. Dr. Antonio Caprio- Tanabi -sp -,ex-presidente do IHGG,Rio Preto atual conselheiro da entidade. (27) 3270 1250.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O PODER POLÍTICO

 

Fala-se muito em poder, preferencialmente nos tempos atuais, e com destaque no campo político. Mas o que é o poder?

Dizem nossos dicionários que a palavra poder nasceu do latim “podere” que é a capacidade de deliberar de forma arbitrária, de agir, de mandar e de exercer a autoridade, a soberania, o império. Relaciona-se, também, com a capacidade de se realizar algo ou aquilo se se ‘pode’ ou que se tem o poder de realizar, calcado na tradição ou na lei.

O conceito de poder tem alicerces profundos na Filosofia política e tem em Hobbes, Arendt e Michel Foucault grandes pensadores. Hobbes acredita na força do poder no contrato social.  Uma eleição é um contrato social. O poder não existe quando todos têm o poder e este é exercido pelo mais forte. A corrupção é o sentido perverso do poder e o oposto ao contrato social.

Hannah Arendt vê o poder como múltiplo (duplo). No caso da Democracia Republicana (Brasil) o poder é trino, visto que três são os poderes instituídos pela política. A violência se instala quando se dá a perda da autoridade do poder, ou de um deles. A luta pela prevalência de um sobre outro ou os outros, tem sido notada na política brasileira e com sérios desgastes para o Estado Democrático de Direito.

Foucault diz que o poder depende de uma apropriação, seja ela por qual meio for, ou seja, uma eleição ou tomada do poder de forma arbitrária, inclusive por meio de fraudes eleitorais. Tentativas de forma mais diversas já foram testadas e algumas deram resultados, outras o caos.

Exercer o poder é uma habilidade de determinado cidadão impor sua vontade sobre os demais, mesmo que com a resistência de alguns ou mesmo de grupos politicamente organizados (partidos). Este poder pode ser social envolvendo o Estado, o lado econômico, abrangendo o sistema comercial e industrial e o militar, que se mescla com o poder político em muitos casos, mesmo nos sistemas democráticos regulares. Max Weber pensa ser o poder a probabilidade de um determinado comando concedido por um meio legal ou ilegal e que deve ser exercido por um grupo determinado. A cumplicidade do poder é defendida por Pierre Bourdieu, de natureza simbólica e muitas vezes invisível tal como foi, por exemplo, Golbery do Couto e Silva, a personagem parda do governo.

O poder é um comportamento dúbio com o lado ofensivo e o lado defensivo. Quem o exerce deve saber equilibrar ambas as forças ou tem seu poder ameaçado e até anulado. A organização é o alicerce desta força que, como nos ensina a história, não é perpétua e está sempre sendo ameaçada pela constante presença da oposição. A concentração do poder numa só pessoa é um processo fatal e o tempo corroerá suas bases a ponto do exercitador do poder ser destituído, processado, afastado ou mesmo morto. O poder exige táticas que são verdadeiras ferramentas que, se não bem utilizadas, podem provocar a ruína do prédio do poder. A barganha é uma destas ferramentas. A mecânica de cargos atribuídos aos apaniguados é constante e crescente, corroendo as bases do poder.  O poder tem fome e ela é insaciável e pode até destruir o ‘exercitador’ e apoiadores deste pretenso poder.

Nestes últimos dez anos, o poder político está escrevendo uma desastrosa página histórica em todo o planeta, onde a ação de ditadores e oportunistas do poder mancham de sangue as páginas da história humana.  

Prof. Dr. Antonio Caprio –Tanabi –abril-2026- sp Historiador político. Conselheiro e ex-presidente do IHGG/Rio Preto. 

domingo, 12 de abril de 2026

O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA





Atuei por 36 nos em vários cursos superiores, em várias faculdades e nunca consegui, explicar, sem falsa modéstia, com tudo o que li, estudei e estudo sobre a vida. Perguntado por uma imensidão de alunos o que é a vida, o máximo que consegui responder foi: não sei....... e arriscava uma resposta vazia: “é o princípio que anima a matéria”. .......Massaharo Taniguchi ensinava: “A vida não tem princípio nem fim, não morre nem desaparece; a vida não está contida numa escala do tempo”. Albert Einstein, em seu livro (Como vejo o mundo) arriscava dizendo ‘não me canso de contemplar o mistério da eternidade da vida ‘. Apenas uma tênue linha imaginária separa as moléculas mais complexas. Aí reside mais um grande mistério um insolúvel mistério. Como átomos se convertem em seres vivos? Como se instalada neste aglomerado de átomos a inteligência, a nutrição, a reprodução, a irritabilidade, a respiração. A membrana celular é uma coleção de funções; o núcleo, as mitocôndrias (que foram agregadas às células na interminável linha do tempo e da evolução como uma grande usina de força), a divisão e a multiplicação celular, e sem deixar de citar, a reprodução de novos seres na linha eterna da genética. A Biologia nega-se a tentar definir vida. E razão sejam dadas aos estudiosos da vida. Oparin em seu livro “A origem da vida”, num claro desabafo e frustração diante da complexidade do assunto, afirmou ‘: A ciência da natureza tinha o dever de explicar de que modo a matéria inerte adquiriu a vida e ele mesmo, recostado à sua cadeira, afirmou: ‘A matéria adquire vida exatamente porque não a possui em si mesma. Desfeito o mistério...???

O tema vida’ envolve o mundo científico sob várias formas. Os espiritualistas estão acostumados com expressões que mesclam ciência com o conhecimento humano em todo o planeta. Os materialistas apostam na tese de que a vida não é biológica e sim que apenas os fenômenos vitais são propriedades da vida. Os idealistas também apostam na tese de que a vida nada tem de biológica. Einstein mediu que 99,998% dos componentes do universo são energia e que os restantes 0,002% são matéria. E de novo a pergunta e como esta matéria, tão ínfima, abriga os mais complexo dos segredos humanos: o que é a vida????? No mundo científico, é vista, como insensatez, o estudioso que se aventura em definir vida sem cair em enormes pirâmides de dúvidas e de incertezas. A corrente dos idealistas já deduziu que a vida não é biológica sendo biológicos apenas os fenômenos vitais por ela desencadeados.

Mesmo um iniciante do estudo da vida sabe que as funções ditas paranormais são exercidas fora das limitações do tempo e do espaço, que não existem, sendo meras ficções da mente humana. James Hopwood Jeans, astrônomo e matemático britânico ensinava que aquilo que chamamos vida corresponde apenas aos meios visíveis da vida de uma projeção tridimensional da própria vida.

Huberto Rhoden, professor e conferencista brasileiro nos ensinou que o “Universo é um abismo de cuja Essência infinita(Deus) faz brotar, sem cessar, as existências infinitas, da mesma forma como nascem no seio das águas imensas, a vida, que, recaem neste mesmo ciclo eterno, e assim sempre foi e será” .Vida é a essência que transcende, sem princípios nem fim. Em síntese: hoje, como ontem e como sempre, o tema vida está rodeado e protegido como a jóia rara da coroa universal, a pedra filosofal de tudo que permeia o conhecimento humano e é mais fugidio que a fumaça fina da chuva ou mesmo a luz do Sol.

A vida é, pois, imanente e transcendente à matéria e, como devo dizer, da mesma forma que Deus o é em relação ao Universo e ao conhecimento humano.

Prof. Dr. Antonio Caprio – Biológo e estudioso da vida. Tanabi-SP. abril de 2026


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

INDEPENDÊNCIA - 203 ANOS





Muitos foram os documentos elaborados para que se conseguisse a separação entre o Reino Unido e o Reino de Portugal e Algarves. para que o Brasil pudesse alcançar a pretendida independência. Foram muitos os trâmites e as grandes distâncias eram impedimentos naturais que, de forma cuidadosa, acabaram por chegar aos momentos da real concretização dando sustentação aos atos separatórios, onde os documentos levavam meses para serem lavrados e assinados conforme legislação em vigor.

No presente caso, depois de várias tratativas, a data fixada para a separação entre ambos os países, foi definida para o dia 7 de setembro de 1822, tendo-se como base o ‘grito do Ipiranga” que D Pedro I fez acontecer quando empreendia visita à casa da Marquesa de Santos em São Paulo. Seguidamente, em 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822 e o país passou a ser conhecido como Império do Brasil. Em 1807, a Família Real e o governo português fugiram para o Brasil acabando por elevar o Brasil à condição de Reino. Tendo que retornar a Portugal, e o rei João VI nomeou seu filho mais velho, Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Quatro anos depois. Portugal reconheceu a independência do Brasil e em 29 de agosto de 1825, foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança firmado entre o Brasil e Portugal. O Brasil, com a separação, optou por preservar as características que existiam no período colonial, a forma monárquica de governo, a dinastia de Bragança no poder, a unidade territorial, a economia agrária de exportação e a escravidão de origem africana.

O Brasil nasceu, politicamente, após a Revolução Francesa. O Liberalismo Político era o sistema vigente como Monarquia constitucional representativa e não absolutista. O Império adotou uma constituição para poder administrar o poder e gerir o reinado. Graças à Constituição de 1824, todos os cidadãos se tornaram iguais perante a lei, ao menos no papel. Só tinha direito ao voto quem tivesse uma renda de 200 mil réis. Os demais eram considerados cidadãos de segunda categoria e os escravizados não eram cidadãos. Houve confrontos armados. A independência não foi um processo pacífico. Volta e meia e confrontos de pessoas pipocavam em vários pontos do novo território do Brasil com relativo número de mortos.

A colonização foi praticamente iniciada em 1534, quando o Brasil teve o processo das capitanias hereditárias concretizado, em 14 faixas, onde apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram, causando sérios problemas de povoamento e posse real das terras. O século XVIII e início do século XIX foram palcos de pesados movimentos de independência (mediante guerras). Com a fixação da Família Real em 1808 no Brasil, este se transformou em metrópole e o retorno do soberano para Portugal, acabou ficando aqui, como regente, o primogênito Pedro de Alcântara iniciando-se de forma lenta, mas gradual, o processo constitucionalista no Brasil, cujo objetivo maior era a independência. Em 1815 o Estado do Brasil foi elevado à condição de reino e com isto instalado um estado monárquico transatlântico e pluricontinental. Em 1821, Dom João VI foi obrigado a fazer um juramento à nova Constituição, deixando aqui o Príncipe Pedro de Alcântara como Regente do Reino do Brasil. Assim, a independência ficava cada dia mais próxima.

Movimentos visando a independência das terras reinos fervilhavam em todos os pontos do planeta e Pernambuco foi a primeira província brasileira a se separar, de fato e de direito, do Reino de Portugal. Em 29 de agosto de 1821, um movimento armado se levantou contra o governo do capitão general Luíz do Rego Barreto resultando na formação da Junta Goiana, saindo-se vitorioso com a rendição das tropas portuguesas com a rendição a 5 de outubro do mesmo ano. Nasce aí o Movimento Constitucionalista de 1821, sendo ele considerado o primeiro movimento com êxito na busca da independência do Brasil que só viria acontecer no dia 7 de setembro de 1822 exatamente há 203 anos de nosso tempo.

Prof. Dr. Antonio Caprio – Historiador - Tanabi – sp. Ex-presidente do IHGG Rio Preto e ex-vice-presidente do Comdephact-Rio Preto, e membro inscrito da Sociedade de Veteranos da Revolução de 32 – Rio Preto.

INDEPENDÊNCIA E DEMOCRACIA




Muitos foram os documentos elaborados para que se conseguisse a separação entre o Reino Unido e o Reino de Portugal e Algarves. para que o Brasil pudesse alcançar a pretendida independência. Foram muitos os trâmites e as grandes distâncias eram impedimentos naturais que, de forma cuidadosa, acabaram por chegar aos momentos da real concretização dando sustentação aos atos preparatórios, onde os documentos levavam meses para serem lavrados e assinados conforme legislação em vigor.

No presente caso, depois de várias tratativas, a data fixada para a separação entre ambos os países, foi definida para o dia 7 de setembro de 1822, tendo-se como base o ‘grito do Ipiranga” que D Pedro I fez acontecer quando empreendia visita à casa da Marquesa de Santos em São Paulo. Seguidamente, em 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822 e o país passou a ser conhecido como Império do Brasil. Em 1807, a Família Real e o governo português fugiram para o Brasil, acabando por elevar o Brasil à condição de Reino. Tendo que retornar a Portugal, e o rei João VI nomeou seu filho mais velho, Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Quatro anos depois. Portugal reconheceu a independência do Brasil e em 29 de agosto de 1825, foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança firmado entre o Brasil e Portugal. O Brasil, com a separação, optou por preservar as características que existiam no período colonial, a forma monárquica de governo, a dinastia de Bragança no poder, a unidade territorial, a economia agrária de exportação e a escravidão de origem africana.

O Brasil nasceu, politicamente, após a Revolução Francesa. O Liberalismo Político era o sistema vigente como Monarquia constitucional representativa e não absolutista. O Império adotou uma constituição para poder administrar o poder e gerir o reinado. Graças à Constituição de 1824, todos os cidadãos se tornaram iguais perante a lei, ao menos no papel. Só tinha direito ao voto quem tivesse uma renda de 200 mil réis. Os demais eram considerados cidadãos de segunda categoria e os escravizados não eram cidadãos. Houve confrontos armados. A independência não foi um processo pacífico. Volta e meia e confrontos de pessoas pipocavam em vários pontos do novo território do Brasil com relativo número de mortos.

A colonização foi praticamente iniciada em 1534, quando o Brasil teve o processo das capitanias hereditárias concretizado, em 14 faixas, onde apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram, causando sérios problemas de povoamento e posse real das terras. O século XVIII e início do século XIX foram palcos de pesados movimentos de independência (mediante guerras). Com a fixação da Família Real em 1808 no Brasil, este se transformou em metrópole e o retorno do soberano para Portugal, acabou ficando aqui, como regente, o primogênito Pedro de Alcântara iniciando-se de forma lenta, mas gradual, o processo constitucionalista no Brasil, cujo objetivo maior era a independência. Em 1815 o Estado do Brasil foi elevado à condição de reino e com isto instalado um estado monárquico transatlântico e pluricontinental. Em 1821, Dom João VI foi obrigado a fazer um juramento à nova Constituição, deixando aqui o Príncipe Pedro de Alcântara como Regente do Reino do Brasil. Assim, a independência ficava cada dia mais próxima.

Movimentos visando a independência das terras reinos fervilhavam em todos os pontos do planeta e Pernambuco foi a primeira província brasileira a se separar, de fato e de direito, do Reino de Portugal. Em 29 de agosto de 1821, um movimento armado se levantou contra o governo do capitão general Luíz do Rego Barreto resultando na formação da Junta Goiana, saindo-se vitorioso com a rendição das tropas portuguesas com a rendição a 5 de outubro do mesmo ano. Nasce ai o Movimento Constitucionalista de 1821, sendo ele considerado o primeiro movimento com êxito na busca da independência do Brasil.

Era preciso que Lisboa, através de seus membros das cortes portuguesas concordassem de fato com a independência da antiga colônia e o eixo de todo esse movimento era Dom Pedro I defendendo a causa brasileira. Ele contou com a ajuda especial da esposa, a princesa Leopoldina de Habsburgo incentivando e favorecendo a permanência do marido no Brasil, com o que não concordava o grupo de Bonifica-nos. A causa cresceu e no dia 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I, depois de muito refletir, grita do alto da sacada de seu palácio: “Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da Nação, diga ao povo que vou ficar. Ai nasceu de fato a Independência e a despertou o movimento da futura República no Brasil. Este momento foi denominado “O dia do Fico”.

No dia 18 de janeiro de 1822, José Bonifácio foi nomeado como ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros do governo,que começava a se formar. Dom Pedro I recebeu, o título de defensor Perpétuo do Brasil e de imediato foi convocada e instalada a primeira Assembleia Constituinte para evitar algum tipo de golpe. Pedro assinou o decreto no dia 3 de junho de 122 e convocou eleições dos deputados e com isto, os desejos de Independência, se tornava mais forte, e avançava no tempo em busca dos ideais da República. Independência e República, irmãs siamesas do processo político do Brasil. Chegando a São Paulo no dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I disseminou a notícia da independência do Brasil do domínio português e de imediato foi instituído o brasão de armas do reino independente do Brasil. Um processo de independência e mesmo de república envolveu dezenas de pessoas, vários países, reinos, embaixadas e muita burocracia para se efetivar. O Brasil se tornou num reino independente há 203 anos e república 136 anos e um exército de pessoas foram os promotores destes processos, destes eventos e hoje nosso país é uma nação respeitada em todo o planeta e que soube conduzir seus processos de independência e da República, mesmo com várias crises que soube superar e controlar.

Prof. Dr. Antonio Caprio – Historiador - Tanabi – sp. Ex-presidente do IHGG Rio Preto e ex-vice-presidente do Comdephact-Rio Preto, e membro inscrito da Sociedade de Veteranos da Revolução de 32 – Rio Preto.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

DOENÇAS NO MUNDO - A DESCOBERTA DA VACINA




Em pleno século XXI falar-se sobre vacina ou vacinação se torna numa tarefa que exige, apenas, pequeno conhecimento sobre a forma como que algumas doenças se manifestam nos meios sociais do mundo todo, suas consequências e sofrimento por parte de crianças e idosos, principalmente, em estabelecimentos especiais que muitas vezes perdem seus pacientes por falta de meios de enfrentar exércitos de vírus, bactérias e muitos outros meios de proliferação, chamados de de microrganismos que matam, seus hospedeiros, não só o homem, como animais de várias espécies e tamanhos.
Como tudo tem um começo e uma dedicação que nasce da curiosidade de cientistas de várias especializações. Com o jovem Edward Jenner, filho de agricultores nascido em, Berkeley em 17 de maio de 1749, Inglaterra, sendo o oitavo Filho do reverendo Stephem Jenner e de sua esposa Sara Jenner e casou-se com Catherine Kiingscote. Faleceu em 26 de janeiro de 1823, aos 73 anos. Sua educação foi rígida e tornou-se um esplêndido médico com especialidade no estudo contra a malária que causava enormes problemas de saúde na comunidade, e redondezas, e especialmente as crianças em idade escolar sem que adultos ficassem livres da doença e muitos eram os registros de mortes na comunidade. Foi ele um pioneiro no que diz respeito a vacinas, já apresentando notável trabalho em 1796, contra a varíola.

O termo varíola vem de “variaolae vaccinae ( varíola das vacas ), partindo da observação de que os ordenhadores de vacas, apresentavam um número mínimo de doentes, e quando acontecia a crise era fraca, e, Edward deduziu que nas pústula dos úberes das vacas continha alguma coisa especial que protegia e ainda protege, estes ordenhadores, lembrando que não existia o microscópio na época, e aplicava a pústula produzida dos úberes nas mãos dos ordenhadores sadios e a varíola não se manifestava, e quando o fazia era de ação super fraca, concluindo ele e demais médicos que a imunização está acontecendo naturalmente. Daí surge o termo vaccinae(vaca)=Vacina. Nascia um dos maiores instrumentos contra doenças de vários tipos a partir da ideia que se aprimorou com outros processos naturais de defesa humana contra doenças de muitos tipos, sendo um deles a imunização indireta, com aproveitamento de pessoas ou animais já vacinados e que apresentavam uma forma de imunidade indireta e funcional. Em razão disto, Jenner é conhecido como o “pai da imunização”, recebendo homenagens de todos os pontos da medicina da época. Fascinado com a ideia da vacinação, desenvolveu estudos complementares na área de angina, oftalmologia e doenças cardiovasculares. Hoje, graças aos estímulos iniciais na área da vacinação, são beneficiados, em primeiro plano, os seres humanos, seguidos por animais de várias espécies.

Foi sucesso o sistema de inoculação com base em pessoas já imunizadas pelo sistema de vacinação, atingindo novos caminhos nos tratamentos das doenças que assolavam a humanidade e muitas espécies de animais, com mortes em grande escala. A varíola foi erradicada graças ao trabalho de Jenner e outros colaboradores que se agregaram no aperfeiçoamento da vacinação, hoje grande suporte da medicina em vários aspectos. A vacinação é, sem dúvida, um dos maiores avanços da medicina, estendendo-se a doenças como a caxumba, rubéola, o sarampo, a tuberculose e um enorme colorário de outras doenças humanas e animais que salvaram e ainda salve grande número de vidas. e mais modernamente com relação a Aids e síndromes das mais diversas, abrindo-se em enorme rede de cura para doenças várias que no passado e infelizmente, por falta de colaboração presencial nos setores de vacinação oferecidos(| gratuitamente), pelo Estado.

Prof. Dr Antonio Caprio – Tanabi, Ex-presidente do IHGG e ex-vice-presidente do Comdephact Rio Preto. Membro registrado no grupo de Revolucionários de 1932-Rio Preto.

DOENÇAS NO MUNDO

 


Todo ser vivo é acometido por doenças de várias espécies, muitas das quais causadoras de números significativos de mortes, tanto nos meios urbanos como rurais e outros, visto que os conjuntos são constituídos de células vegetais e animais, passíveis de contágios e reproduções das mais variadas formas e consequências. A Ciência, desde tempos imemoriais, tem feito parte dos meios humanos em busca do controle dos males que afligem e afligiram o planeta gerando crises e registros de mortes em escalas que assustaram e assustam todo o planeta.

Um dos males mais presentes no meio urbano foi a febre amarela presente de forma assustadora desde meados do século 19 e registrado até o século 20. Há registros de que a febre amarela chegou no império brasileiro, um navio negreiro procedente de Nova Orleans, passando por Havana e São Salvador e atracando no Rio de Janeiro em 3 de dezembro de 1849 e já em 1850 foram atingidos 90.658 dos 266 mil habitantes do Rio de Janeiro, causando 4.160 mortes ou até 15.000 vítimas, conforme registros oficiais. Tentando um controle, o Sistema de Saneamento chegou a reunir pilhas de mortos nas esquinas da cidade, ateando fogo neles na busca de um controle das mortes que aumentava, dia a dia. Vetores do Aedes aegypti , vindo dos tambores usados no transporte de água potável dos primeiros navios a alcançar o Brasil e outros pontos americanos foram definidos como causas.

Com o agravamento da doença e por ação de duas crises violentas, uma em 1873 e outra em 1876, com cerca de 270 mil óbitos, foi criado um plano urbanístico para o Rio de Janeiro com nomeação de Francisco Pereira Passos, nomeado como engenheiro-chefe do Ministério do Império Brasileiro e o bacteriologista da saúde pública sob a liderança de Oswaldo Cruz. Em 1897-8 e 1900 ficou provada a ação do mosquito como hospedeiro intermediário da malária por ação conjunta dos pesquisadores Ronald Ross e Giovanni Battista Grassi, validando a Teoria de Finlay defendida no Congresso Médico de 1903. Enfim, o mundo científico se ajustava em direção ao mosquito Aedes aegypti, reconhecido como a causa da malária que assolava grandes regiões do planeta com milhares de mortes pelo mundo. O vírus alcançou com a Revolução de 30 um quadro alarmante destacando-se a febre amarela urbana e a silvestre, pesquisa com direcionamento da Fundação Rockefeller em 1932.Em 1937, as vacinas assumiram importante papel no controle da doença, em uso até hoje, produzida a partir do vírus 17D.

Em 1967, em razão de fortes projetos de controle da doença, e do intenso trabalho do Dr. Oswaldo Cruz e equipe, o Aedes aegypti, foi declarado controlado no Brasil e alguns outros países Sul-americanos, mas, voltaram a se registrar focos da malária em 1967, em especial no Pará e no Maranhão, e também em 1976 na Bahia e em 1977 no Rio de Janeiro, e em Santos no ano de 1980. Por descuido governamental, algum tempo depois, a malária estava de volta e agora com uma nova rotulagem de ‘ dengue’ com outros qualificativos e consequências, tem causado seríssimos problemas de óbitos e incapacidade física, em especial crianças, com grande força em todo o país.


Prof. Dr. Antonio Caprio – Tanabi – Ex-presidente do IHGG/Rio Preto; ex-vice-presidente do Comdephact/Rio Preto – Biólogo

domingo, 27 de julho de 2025

A PESTE NEGRA





Corria o século XIV e o mundo conheceu na Ásia uma onda de mortes humanas que se estima em vinte e cinco milhões de perdas humanas na Europa e no Oriente Médio certamente alcançou cerca de milhões de pessoas. Esta doença foi chamada de “Peste Negra”, que se acredita tenha sito iniciada nos anos 1330 na Província Chinesa de Yunan e tenha como vetor pulgas portadoras de germes hospedeiros de ratos e rapidamente escançou o Ocidente com transportadores mongóis na rota da seda. Já no ano de 1347. Os mortos eram empilhados sobre os muros da cidade facilitando de forma extraordinária a transmissão da doença. Logo a França, a Espanha, Portugal e Inglaterra estavam tomadas. Em 1531 a Alemanha, a Escandinávia e todo o noroeste da Rússia enterravam seus milhares de mortos. O Egito, o Líbano, a Síria, a Palestina e o Iraque, a Turquia enterrava centenas de seus mortos. A Peste assolava grande parte do planeta, em ainda no século XVI, a aristocracia sofria grandes baixas com a doença, e a Europa Oriental, inclusive a Rússia registrava grandes números de mortes e doentes e mortos que eram empilhados nas beiras das estradas. O mundo estava assustado com a Peste que a cada dia se propagava mais com o aumento do mercado marítimo pelo mundo e a chegada de novos navios nos portos era motivo de abandono do trabalho e da área ocupada.

A peste negra, foi no passado uma das doenças mais temidas da história da medicina. Na descrição médica, foi conhecida como peste bubônica, é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida principalmente por pulgas de roedores, encontrada em grande quantidade nos navios mercantes do passado. Ela se manifesta de diferentes formas, sendo a mais comum a bubônica, caracterizada pelo inchaço dos gânglios linfáticos que se rompem em razão da altíssima febre. A peste negra causou uma das maiores pandemias da história, dizimando milhões de pessoas na Europa medieval, tão temida quanto a sífilis ou mais modernamente a aids ou a varíola erradicada no Brasil em 1973.

Por ignorância natural da época, com a morte do imperador Kublai Khan, em 1294 um surto de desastres naturais assolou a China e o populacho atribuiu tais fatos à vingança dos deuses gerando revoltas camponesas em todo o país, aumentando, ainda mais, a quantidade de mortes, notadamente de crianças e idosos. Viajar foi proibido em toda a China gerando um período de isolacionismo que refletiu de forma assustadora na China, prejudicando a indústria e o comércio que foi destaque na dinastia Ming só melhoradas após o ano de 1644.



Prof. Dr. Antonio Caprio – Tanabi – Ex-presidente do IHGG e ex-vice-presidente do Comdephact/ Rio Preto – Biólogo.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

CONSTITUIÇÃO





Tudo nasce do pensamento humano. Uma simples portaria, um estatuto, um regimento, um contrato, nunca é uma ideia isolada, perdida no espaço e nem num tempo, numa dança de letras mortas para nada e nenhum destes instrumentos e muitos outros que tentam estabelecer condutas humanas onde o tempo é o árbitro mudo, mas eloquente, desde os tempos memoriais da história humana. Como sempre foi difícil reger um grupo de forma homogênea, de cabeças pensantes, Karl Loewenstein, propôs um meio onde muitos pensavam da mesma forma, o que aconteceu por volta de 1215, em plena Idade Média, o advento de um texto que foi chamada de Magna Carta Libertatum e que foi apelidada de “ Lei da Terra” com real aplicação na Idade Moderna, onde o homem ocupava quase todos os cantos do planeta, ocorrendo no final do século XVIII o nascimento do Constitucionalismo moderno que foi chamado de Constituição e só em 1755 , gerou a separação dos poderes, na forma ‘tripartite’ mais tarde firmada pelo gênio de Montesquieu com a adesão da Constituição da Córserga, dos Estados da América e da França. O ano de 1787 estabeleceu a repartição efetiva dos poderes. Os Estados Unidos efetivaram a prática do Legislativo e do Judiciário independentes e harmônicos entre si. Nasce disto a supremacia da Constituição sobre as demais leis. O pedestal de tal processo é o alicerce o cumprimento dos deveres de cada um.

Deste processo nasce a figura do cidadão adquirindo o direito à vida, à liberdade, à privacidade, à igualdade perante as leis e isto gerou os direitos civis que não asseguram a democracia sem os direitos sociais representados pelo direito à riqueza, à educação, a um trabalho justo, à uma velhice mais confortável e mais saúde para si e familiares. A cidadania é a forma expressa da democracia e não há democracia sem uma constituição calcada em direitos e deveres. Uma Constituição, tal como todas as leis, é dinâmica e a batuta que a rege é o tempo e a própria sociedade. O Brasil já instituiu sete constituições (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e a atual 1988. De forma a acompanhar o ritmo da sociedade e suas exigências, existem as emendas, que aprimoram a constituição, conforme o caminhar das sociedade e sua evolução. Da constituição derivaram e derivam as leis complementares, trabalhistas, eleitorais, tributárias, agrícolas, fundiárias e todo e qualquer momento jurídico que o tempo exige e a sociedade impõe aos sistemas governamentais, visto que o direito é dinâmico e atrelado à própria exigência do Estado como ente jurídico fundamental à existência de uma sociedade mais justa conforme o tempo o exige. A Constituição é o nascedouro da própria sociedade, embora desvios existam e que força lideranças de uma sociedade a adotar desvios perigosos e muitas vezes fatais.

Prof. Dr. Antonio Caprio- Tanabi ex-presidente do IHGG, atual conselheiro e ex vice do Comdephact S.J.R.Preto.

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PUBLICADO HOJE (24.-7.2025, PAGINA 2 ) NA COLUNA ‘ARTIGO ‘’DO JORNAL DIÁRIO DA REGIÃO.

segunda-feira, 24 de março de 2025

A PÁSCOA

 


O calendário cristão tem na Páscoa uma de suas mais tradicionais festas e seus alicerces se sustentam na tradição judaica e em elementos pagãos com raízes nos povos germânicos. A data é móvel e retrata a crucificação e a ressurreição de Cristo. Páscoa significa passagem e vem do hebraico ‘ Pessach’.

A Páscoa judaica lembra a libertação do povo judeu da escravidão egípcia. Na aurora dos tempos ela era comemorada no início da primavera. Dizem os escritos antigos que a libertação do povo hebreu foi uma ordem direta de Javé a Moisés e a transmitiu ao povo hebreu e se transformou numa ordem imperiosa de Jeová.

A Páscoa Cristã é diferente das demais páscoas. O Cristianismo é uma seita derivada do Judaísmo e neste aspecto, a Páscoa relembra os três dias da morte até a ressurreição de Cristo, que é o pilar principal da fé cristã. Os conceitos sobre a Páscoa se misturam e acabam por resultar em definições que se mesclam com várias religiões e seitas da antiguidade. Cristo é reconhecido como o “Cordeiro de Deus” que se ofereceu em sacrifício para salvar a Humanidade do pecado. Morto, foi crucificado e, por intercessão de José de Arimatéia, foi sepultado em túmulo de sua propriedade de onde, rezam as tradições, ressuscitou e foi visto por Maria Madalena, uma de suas seguidoras e depois se manifestou aos apóstolos em algumas ocasiões até ascender de forma definitiva como havia pregado.

No calendário cristão criou-se a quaresma, um período de quarenta dias, lembrando o exílio voluntário de Cristo no deserto, marcado por jejuns. A parte final deste período é chamada de “Semana Santa”, marcada pelo ‘Domingo de Ramos’, marco da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. A Sexta feira Santa marca a paixão do Cristo e sua crucificação seguida do domingo de Páscoa, celebrativo da ressurreição.

Estes ‘momentos’ ficaram misturados na linha do tempo até que a Igreja, durante o Concílio de Nicéia, em 325 d.C, fixou o primeira Lua cheia após o equinócio, início da primavera no hemisfério norte, para se iniciar as comemorações da Páscoa. O Cristianismo é uma mistura, um amálgama de tradições pagãs, com vários pontos nascidos dos povos germânicos pagãos. Historiadores se relacionam à deusa germânica Eostern, também de nome Ostara, como um forte elemento dentro de todas as demais tradições. Os Celtas cultuavam esta deusa, que alguns se relacionam à Maria, mãe de Jesus. As festas em homenagem a deusa Eostern eram realizadas de forma simultânea com as comemorações das festas cristãs. O coelho e os ovos, símbolos da fertilidade, são elementos pagão e foram inseridos nas tradições por imigrantes alemães no século XVIII.

Uma das obras de arte mais conhecidas da presença e vida de Jesus no meio humano é a Santa Ceia, de Leonardo Da Vinci.

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Profº Dr. Antonio Caprio – Tanabi – Ex-presidente do IHGG/Rio Preto e atual conselheiro. Está inscrito como membro da ACILBRAS - Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil - sucursal de Votuporanga, cadeira 910, Membro da Associação da Revolução de 1932- S.J.R.Preto. Foi membro-representante junto da ARLEC/Rio Preto até 2022.


quarta-feira, 19 de março de 2025

E LÁ SE VÃO 173 ANOS DE FUNDAÇÃO DE RIO PRETO:

 


A Genealogia de uma cidade tem sempre um histórico e neste histórico são vários os nomes que se enfileiram no que se costuma chamar de História e muitas destas são lendas, apenas lendas.

Em 19 de março de 1852, mesclou-se uma história e uma lenda, e esta última, a famosa lenda do pássaro azul, onde Luiz Antonio da Silveira é o protagonista principal. Perdido na mata do noroeste do Estado de São Paulo, região do que hoje é Rio Preto, em busca de uma suposta ' sesmaria' tentava achar o caminho de volta para sua região de origem. Um pássaro de cor azulada, talvez um sanhaço, depois de promessa feita a São José, que, se achado o caminho de volta às suas terras de origem, construiria ali uma capela em louvor ao santo, e, movido pela fé, observou que o pássaro parecia insistir em suas idas e vindas parecendo indicar o caminho de volta. Seguiu o pássaro e encontrou o caminho. Dito e feito e lá construiu uma capela como havia prometido.

Tempos depois outro mineiro, agora o Capitão João Bernardino de Seixas Ribeiro, encontrando no local terras devolutas do Estado e de boa qualidade, Fincou ali suas raízes e ensaiou doar parte das terras aos habitantes esparsos do local e nasceu o povoado sob as bençãos de São José das Botas, imagem ali deixada por índios que habitaram a região em tempos passados. A missa e a capela foram datadas de 19 de março de 1852. Estava fundado o arraial de São José das Botas O tempo escoou pela plataforma dos anos e em 1854 a capela foi consagrada pelo padre José Maria de Oliveira, de Araraquara. Em 1855 foi criado o Distrito Policial e a Subdelegacia de Polícia, nomeado o juiz de paz Fidelis Soares da Costa e o subdelegado foi o fundador João Bernardino de Seixas Ribeiro.

No ano de 1879, a Câmara de Jaboticabal nomeou o senhor Joaquim Antonio da Silva como fiscal, equivalente a subprefeito da Freguesia de Rio Preto.

Em 1894, por força da Lei Estadual nº 294,de 19 de julho, foi oficializado o município de Rio Preto pelo governador Bernardino de Campos e realizada a primeira eleição para compor a Câmara Municipal, Assume como Chefe do Legislativo o senhor Luiz Francisco da Silva e como primeiro intendente, denominação mudada depois para prefeito.

Em 1910, assumiu como prefeito municipal o coronel Adolpho Guimarães Correa. Em 1912, apita na Estação Ferroviária de Rio Preto, o primeiro trem de passageiros. Aportam na cidade os primeiros japoneses, sírios e libaneses e é construído o primeiro hotel " Terminus' e tem início primeira catedral de São José do Rio Preto, na época com oito mil habitantes.

Assim se deu a evolução inicial do Arraial de Rio Preto, num processo genealógico que não mais se interrompeu até a presente data . Em 2025, São José do Rio Preto completa, em 19 de março, 173 anos de constante evolução transformando-se numa grande metrópole regional que a todos acolhe.

SALVE, SALVE, TRÊS VEZES SALVE A TODOS OS QUE AJUDARAM A DESENVOLVER SEU PUJANTE PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO NA LINHA DO TEMPO.

PROF. DR. ANTONIO CAPRIO - TANABI - SP.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A RELIGIOSIDADE HUMANA

 



Por que o ser humano é um ser religioso? De onde teria surgido o sentimento ou necessidade de um Deus ou de deuses. A religiosidade exige uma reflexão que abrange vários valores éticos religiosos bem como uma tendência para o sagrado, para o desconhecido. A religião se constitui num conjunto de crenças pré-estabelecidas, rituais, uma comunidade de fiéis que visa dar à vida humana um sentido, buscando a coesão social e acima de tudo oferecer conforto. Os ritos e crenças levam a uma relação com o transcendente.

A religião e a cultura estão atreladas de forma inseparável visto que a cultura oferece subsídios para que a religião se torne numa vasta seara de conhecimentos básicos para a existência dos demais seres humanos em seu entorno.  Dada à natureza humana, é possível a coexistência pacífica entre diferentes religiões em uma comunidade sem que haja conflitos ou choques de qualquer natureza. A religiosidade pode ser exercitada de forma institucional, onde cerimônias podem se misturar sem que isto cause estremecimentos de qualquer natureza. Como exemplo clássico temos as cerimônias da “ semana santa”.

Um ser religioso que aja com normalidade em seu grupo social, abre espaços para refletir sobre as várias atividades religiosas que o rodeiam sob diversas formas, como na leitura comum de livros, em assistir filmes e documentários liberados pelos canais de Tv ou ainda de programas religiosos. Quando se relaciona a religiões de tipos diferentes nos referimos às monoteístas, que permitem a crença de apenas um deus; às politeístas, que admitem a existência de mais de um deus ou as panteístas que afirmam que a força da natureza é a manutenção de uma divindade.

Dentre o panteão de milhares de religiões hoje em ação no planeta, além de seitas e agrupamentos de várias ordens, o Hinduísmo é considerado a religião mais antiga do mundo cujo nome original foi Sanatana Dharma, querendo significar ‘darma eterno’. É vertente do Hinduísmo (religião védica), considerada a primeira religião originalmente formalizada com seus ritos e cantos. A maior religião do planeta é o Cristianismo, com cerca de 2,4 milhões de seguidores, representando um terço da população global. É classificada como monoteísta abraâmica, se fundamentando na vida de Jesus de Nazareth. Faz parte de um relacionamento religioso os indivíduos ou Fiéis, que são as pessoas comuns e os religiosos, a comunidade religiosa, as instituições religiosas anexas, as divindades e os santos. Segue-se ao Cristianismo, o Taoísmo, o Siquiismo, os neo paganistas e outras.  

Caminhando por fora, há os ateístas e os agnósticos, que são aqueles que confessadamente não acreditam em deuses, sustentando que não há provas para afirmar a existência nem a inexistência de Deus ou deuses.  Os agnósticos não rezam, não acreditam em milagres e são indiferentes a deuses e divindades.

Como se pode concluir, a questão da religiosidade é um cofre sem chave. A cultura é o ferrolho com segredo para abrir. Um depende do outro e a incógnita maior fica por conta da Filosofia = Deus o maior segredo do Universo.  

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

S.O.S. CERRADO...

A escola fundamental ensina, em suas séries iniciais, um relativo conhecimento sobre BIOMAS, em especial os biomas brasileiros, embora se use demais o sistema ‘ “decoreba ”.

Lembremos, porém, o que é um bioma segundo as classificações científicas voltadas para o meio ambiente. Biomas são grandes áreas geográficas e biológicas que compartilham características físicas (clima, relevo, fauna, flora e vegetação). Podem ser classificados quanto ao meio, em terrestres e aquáticos e são muito importantes para a conservação da biodiversidade e do equilíbrio do meio ambiente. (google)
Em termos de planeta, temos as Tundras, Taigas, Floresta temperada, Floresta Tropical, Savana e Deserto. No Brasil, em especial em razão da extensa área territorial, temos os biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
As áreas dos biomas terrestres são: Amazônia 4.196.943 km2; Cerrado 2.036.448 km2; Mata Atlântica 1.110.182 km2; Caatinga 844.453 km2; Pantanal 150.355 km2 ; Pampa 750 mil km2, compartilhado com Argentina e Uruguai. No Brasil o Pampa mede 178.243 km2. Preocupa-me, e muito, a situação do Bioma Cerrado( ou cerradinho e cerradão) que é( ainda) a cisterna fornecedora de água para o Brasil central. O cerrado está sendo erradicado pelas queimadas pretensiosas para tornar o ambiente em pasto ou área para plantio da cana. É o segundo Bioma mais ameaçado Seus vegetais como o Ipê, o Angico, o Barbatimão, aroeira(praticamente extinta) a copaíba, o pequi e a conhecida jabuticaba, com suas raízes pivotantes, enriquecem o solo do Cerrado e garante a umidade natural do solo.
Nasci nesta imensa região, parte do noroeste de São Paulo. Estudei a fundo a importância deste bioma que, dia-a-dia está se tornando em um imenso pasto para gado ou o plantio de cana. O clima é definido como tropical sazonal, apresentando, sistematicamente, duas estações, com verões chuvosos(outubro até abril) e invernos secos( maio a setembro). Criança, colhia na periferia da cidade, onde o bioma cerrado dominava, sacolas de gabiroba, marmelo e goiabas, naturais, tendo de tomar cuidado com os tamanduás e jaguatiricas, macacos, papagaios, seriema, tucano, tatu, cobras, em especial a jararaca, o lobo guará, além de muitos pássaros, numa imensa área de grande potencial aquífero e enorme diversidade de vegetais, alcançando cerca de 11.627 espécies nativas, das quais 4.400 são endêmicas, ou seja, só existem num determinado local. Enfim, o Bioma Cerrado é, ainda, composto de 14.425 espécies de invertebrados, muitos à espera de classificação.
S.O.S. em favor do Cerrado. Não é só o Bioma Amazônico que pede socorro. O aquífero Guarani pode secar ou sofrer fortes interferências com a perda da água superficial e do vapor atmosférico se exaure sobrecarregado de gás carbônico.
Antes Cerradão, definhando para cerrado e caminhando agora para cerradinho e o que será amanhã?
Prof. Dr. Antonio Caprio- Biólogo - out/2024.-TANABI

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A REPÚBLICA FOI UM BOM NEGÓCIO?





O Império Brasileiro se exauriu em 15 de novembro de 1889. A corrupção estava corroendo o sistema monárquico brasileiro, apesar de ser o Imperador D.Pedro II a grande reserva moral do Império. Sua saúde era inspiradora de cuidados especiais. Era geral o descontentamento dos grandes fazendeiros, em especial pela libertação dos escravos e estes eram os pilares de sustentação do II Império, tal e qual os Hebreus no antigo Egito. Os antigos escravos, pós Lei Áurea, perambulavam pelas cidades e estradas causando enormes crises sociais e gerando expressiva pobreza. O exército já não obedecia totalmente às ordens do Imperador, enfraquecido com as ideias republicanas disseminadas pelos jovens que estudavam na Europa e pela proibição imperial proibindo manifestações por parte de membros do exército em favor da República. A imprensa motivava a classe média, os liberais, e a população mais esclarecida em favor da mudança do sistema de governo. A Igreja se mostrava hostil ao Império e sermões em favor da República eram repetidos nos púlpitos de várias cidades brasileiras, principalmente nos grandes centros urbanos.
Os setores mais progressistas desejavam mudanças radicais. Era grande o movimento contra o analfabetismo e em favor do voto censitário e da educação para todos. A população ansiava por Justiça Social. A miséria grassava de forma assustadora. A Guerra do Paraguai acelerou a crise econômica, em razão de vultosos empréstimos feitos junto a bancos ingleses aprofundando de forma drástica e perigosamente a dívida externa, já alta. O Positivismo, de Augusto Comte, surgido na França no século XIX, ganhava, dia-a-dia, mais adeptos e nomes de peso entre os militares, estudantes, intelectuais, comerciantes, artistas, profissionais liberais e até membros do alto clero brasileiro e da política.
Rebelião entre vários setores do exército forçou o Imperador a demitir o Conselho de Ministros e seu presidente. Foi o estopim e o militar mais graduado do Rio de Janeiro, e mesmo contra sua vontade, Marechal Deodoro da Fonseca, assinou manifesto pelo fim do Império instituindo a República no Brasil. Era o dia 15 de novembro de 1889, quando o Império completava 67 anos no poder. Em dias de enorme tumulto social e político, no dia 18 de novembro a família imperial partiu para o exílio rumo à Europa. Por decreto elaborado pelo jurista Rui Barbosa, a partir de então, o Brasil seria governado por um presidente eleito pelo povo, e não mais um soberano vitalício.
Nasceu, entre muitas improvisações, a República, que durou, num primeiro momento, de 1889 a 1894, com Deodoro exercendo o papel de Presidente num governo provisório e frágil. Por razões de saúde e muita intriga política, em 1891 foi forçado a renunciar ao cargo, assumindo o vice, Marechal Floriano Peixoto, que não aceitava ser vice, intensificando a já forte repressão contra os apoiadores da monarquia. Foi implacável contra os imperialistas, que eram muitos. Seguiu-se um período com mortes e perseguições que deram nome a seu governo de República da Espada. Também em 1891, é outorgada a primeira Constituição Brasileira, instituindo o voto universal para os cidadãos, ficando as mulheres, os analfabetos e os militares de baixa patente, fora do rol. A nascente República atendia plenamente aos interesses da elite agrária do país, forma de garantir o poder e a república. A nova bandeira brasileira foi oficializada no dia 19 de novembro de 1889 e hasteada ao meio dia pela primeira vez no país. O Brasão Imperial foi substituído pelo losango em cor ouro, o céu de 15 de novembro de 1889, onde cada estrela representava e representa um estado e a faixa “Ordem e Progresso”, firmada com base no Positivismo Brasileiro, de Augusto Comte, liderado então por Benjamim Constant. Desde o advento da República o país nunca mais teve paz política. A ‘Senhora República’ completa neste ano de 2024, exatamente cento e trinta e cinco anos(135) e, não vai nada bem das pernas e nem o sistema político acha o caminho ideal, onde o fisiologismo dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário tornam o sistema cada dia mais vulnerável. Propalam diminuir despesas, menos as deles, que aumentam dia-a-dia.
Será que valeu a pena implantar a República no Brasil?
Prof.Dr.Antonio Caprio –Tanabi.- nov/2024- Ex-presidente do IHGG-Rio Preto e atual Diretor-Conselheiro.


segunda-feira, 28 de outubro de 2024

PÉROLAS E O JOGO DA VIDA



* Abraham Lincoln afirmava que sempre que houver um conflito entre direitos humanos e os direitos de propriedade, devem prevalecer os direitos humanos.
Errou feio.
* Diógenes, em seu refúgio, bradava: Nenhum homem é suficientemente bom para governar outros sem o consentimento destes últimos.
Votar será isto?
* O sociólogo prega que em muitas circunstâncias a imagem que você projeta é muito mais valiosa do que suas habilidades ou seus registros de realizações passadas.
Gol de placa.
* Santo Agostinho pensava que a riqueza não é necessariamente uma maldição nem a pobreza uma benção.
Lá vem o camelo e a agulha.
* Platão bradava ao vento que a educação consiste em dar ao corpo e à alma toda a beleza que o ser humano educador é capaz de dar.
Gol de bicicleta.
* Herbert Spencer acreditava que a educação é a formação do caráter.
Esqueceu de outras qualidades.
* Teilhard de Chardin defendia a ideia de que o homem, através do poder de refletir, é o único animal capaz de olhar para si mesmo e ter consciência dos seus próprios conhecimento, das suas limitações e das suas potencialidades.
Gol de impedimento.
* Sócrates, o mais sensato, se deu bem no jogo ao dizer: sei que nada sei.....
Pulou fora
* Santo Agostinho bradava que sem disciplina e controle não há progresso para o homem.
Apito final.
* Santo Tomás de Aquino, dizia que a busca pela perfeição caracteriza o comportamento das pessoas normais.
Na arquibancada.
* Voltaire Com toda razão, afirmou que não concordava com nenhuma de tuas palavras, mas defenderia até a morte o teu direito de dizê-las.
Bandeirinha politicamente correto.
* Rosseau gritava, observando o mar, que o homem nasce bom, mas a civilização o corrompe.
Então não era bom.
* Jesus pregava à multidão: bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça.
E deu peixe e pão para eles.
* Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Será?
Fim do jogo.
Prof. Dr. Antonio Caprio - out/2024. Tanabi.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

POR QUE VOTAR?





Numa análise rápida e simples, percebe-se que o voto popular é uma ferramenta que interfere de forma direta na vida do cidadão, do município, do estado e do país. É impressionante como este instrumento é poderoso, interferindo no presente e no futuro do cidadão, escrevendo o seu passado.
O homem nem sempre pôde escolher livremente seus líderes sendo esta escolha uma das reivindicações mais antigas e importantes na vida humana. A mulher nem sempre votou, por várias razões, e só em 1893, na Nova Zelândia, a mulher adquiriu o direito de votar. No Brasil, a mulher ganhou este direito em 1932. O último país a conceder o direito de voto à mulher foi a Suíça, na década de 70.
Os habitantes do Brasil antigo só votaram pela primeira vez nas vilas de São Vicente e São Paulo, em 1532, e ainda com muitas restrições e de várias ordens.
Escolheram, pelo voto indireto, seis representantes junto da Coroa Portuguesa. Em 1821, seguindo o Livro das Ordenações, criado em 1603, escolheram 72 representantes em toda a Colônia. Em 1822 só votavam os ricos e brancos. Em 1889, com a Lei Saraiva, o voto foi proibido aos menores de 21, aos analfabetos, aos mendigos, aos soldados rasos, aos indígenas e aos integrantes do Clero. Não tínhamos partidos políticos nem voto secreto e muito menos a Justiça Eleitoral.
Nossa primeira legislação eleitoral nasceu com a Constituição outorgada por Pedro I, em 1824. O voto era censitário, permitia-se o voto por procuração, o que gerou muitas fraudes. Em 1889, passou-se a exigir a fotografia do eleitor no título. Pouco adiantou.
Em 1891 o brasileiro elegeu pelo voto direto seu primeiro Presidente da República, o senhor Prudente de Moraes. Durante o período de 1889 a 1930 o voto de cabresto, ou seja, dirigido pelo chefe político local, imperava no território brasileiro principalmente no interior dos estados.. Em 1932 tivemos nova legislação eleitoral, e as mulheres passaram a ter direito ao voto, direito esse que realmente passaram a exercer a partir de 1945, com a queda do Estado Novo, iniciando-se a redemocratização do Brasil.
Desde 1930 o voto passou a ser secreto, digamos mais ou menos secreto. De 1937 a 1945, ficamos sem exercer o direito ao voto sob o jugo de Vargas. Com os militares no poder a partir de 1964 as eleições foram restritas só voltando em 1985, com a eleição de Tancredo Neves e a posse do vice, José Sarney. Em 1989 o direito
pleno ao voto foi restabelecido no Brasil. O voto eletrônico passou a funcionar a partir de 1996 em todo o país. Em 2012 inicia-se o sistema biométrico. Rege as atuais eleições a Lei Federal 9.504/97. Temos 35 partidos em ação e mais 73 em formação.
Como se vê, esta ferramenta foi duramente conquistada e hoje é usada com um desdém que causa espanto. É impressionante como o voto é usado nos processos eleitorais para usurpação de cargos no legislativo e no executivo, fora outros poderes e instituições.
É lamentável como ferramenta tão importante é tratada, transformando-se em forma de assunção ilegítima ao poder. É inadmissível que um presidente da república, em especial, alcance o cargo maior do país trocando votos com instrumentos medíocres que se mostram muito piores e muito mais prejudiciais que o voto de cabresto e os velhos currais eleitorais de ontem. Por todas as maneiras são induzidos os eleitores a ‘trocar’ o voto por bolsas caritativas, cimento, tijolos, dinheiro e uma lista enorme de benefícios imediatos. Com isso institui-se a pobreza tornando-a obrigatória e continuada. Votos encabrestados como antigamente, incluindo, sem disfarces, os velhos coronéis e os currais eleitorais.
A quem caberia ou cabe a conscientização do povo sobre o perfeito uso de tão importante ferramenta? O que fazer para que todos os eleitores possam entender o quão poderoso é este ato, este poder que conquistamos com tantos sacrifícios?
Creio que com o bom uso desta fantástica ferramenta nosso país poderá, realmente, exercitar a verdadeira e plena democracia e banir a corrupção, fazendo nascer, realmente, o governo do povo, para o povo e pelo povo, sem restrições.
As eleições, em nível municipal, a raiz da Democracia se aproximam. Resgate seu patriotismo e vote.
Prof. Dr. Antonio Caprio - Tanabi - ( ex-vereador, Ex-presidente da Câmara ) Analista político.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

O BRASIL E A SECA




A seca no Brasil não é simplesmente a falta de chuvas, apesar de estarmos vivenciando a maior seca em setenta anos. O fenômeno vivido no país se alicerça em vários pilares da Natureza que são: 1) oscilações naturais como o El Nino, segundo a "Southerm Oscilation", responsável pela variação climática que causa períodos longos períodos de seca, e 2) a "Oscilação Multidecadal do Atlântico", influenciadora dos níveis de precipitação levando a mudanças climáticas oriundas do aquecimento global, fator de grande força na estiagem vivida no Brasil e parte do mundo, os quais exercem importantes papéis na mudança climática causadas pela espécie humana. Níveis de rios se alteram, a quantidade de oxigênio no ar se altera, o setor agropecuário tem alto comprometimento de suas áreas de produção e as queimadas, naturais ou causadas pelo homem, com estragos que a Natureza demora muito para se refazer ou não o fará, desastrosamente.
O alerta vermelho se anuncia em razão do aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Atlântico, muito acima da média natural, com sérios problemas com relação ao retardamento da chegada das chuvas, elevando ainda mais o nível das secas. O homem não controla a Natureza, mas massacra seus caminhos. Medidas urgentes devem ser adotadas por todos os níveis de governo em ação conjunta, integrada e de elevado nível, inclusive do setor privado e a própria sociedade civil que se torna numa estratégia crucial para minimizar o sério problema da seca, que gera reflexos de várias naturezas em todos os setores da atividade humana. O alerta é emitido porque em anos anteriores a seca não era de natureza territorial como está sendo em 2024.
Na região Sudeste e Centro-Oeste tudo começou com pouca chuva tornando o solo de pouca umidade com chuvas de pouca intensidade. Chegando o período de estiagem, o solo já seco, teve sua constituição com pouca ou quase nenhuma umidade, com a superfície e pequenas formações de mata, em especial o cerrado e o cerradinho, de fácil combustão gerando queimadas, e destas, incêndios de grande monta, alcançando, inclusive, matas de pequeno e grande porte. O fato alcançou a região Amazônica e norte do país. Neste ano de 2024, o Brasil todo acabou se tornando numa fogueira de enorme dimensão e com profundos estragos na Natureza.
É caótica a situação na faixa norte do Paraná, do Estado de São Paulo, Minas
Gerais e todos os estados do Centro-Oeste e Distrito Federal, bem como no interior do Nordeste, Tocantins, sul do |Paranás, Acre e Rondônia, onde há mais de 120 dias não chove. Isto repercute no preço das mercadorias e gêneros alimentícios em todos os centros produtores. É inevitável a falta de produtos normais e de qualidade, alcançados pela falta de água em seus períodos de germinação e crescimento. Só há expectativas de melhora a partir de novembro, dizem os especialistas. Só a partir de janeiro e fevereiro de 2025 é que as chuvas alcancem níveis melhores ou normais. O Sul do Brasil deverá registrar elevado nível de seca e no norte e centro-oeste, o oposto. O quadro de normalidade no Brasil, em razão de sua imensa área territorial, deverá ser o mais estranho possível e, é possível, que os pesquisadores do clima e das estações do ano tenham de repensar seriamente diante das mudanças que teremos a partir de 2025.
Prof. Dr. Antonio Caprio – Pesquisador – Tanabi- sp.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

SETE DE SETEMBRO NA HISTÓRIA






O principal responsável pelo doloroso processo de independência do Brasil da corte Portuguesa foi Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon – nosso Dom Pedro, nascido em Queluz, Portugal e morto em 24 de setembro de 1834, também em Queluz, Portugal. As peças impulsionadoras do processo de independência tiveram os importantes papéis da imperatriz Dona Maria Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, esposa de Pedro (1817 a 1826) e José Bonifácio de Andrada e Silva, nascido em 13 de junho em 1763 e falecido em 06 de abril de 1838, em Niterói, Rio de Janeiro, um dos principais arquitetos da independência.
O processo de independência, que completa neste ano 202 anos, foi doloroso e causou enormes reações, tanto no Brasil como em Portugal e demais países da Europa, inclusive na Áustria. A elite econômica no sudeste do Brasil não aceitava o andamento do processo de independência desejado por Bonifácio, Leopoldina e grande parte da corte brasileira. Na Bahia, Maranhão, Pará e na Cisplatina, atual Uruguai, movimentos contrários se repetiram até 1824, mas, foram todos sufocados pelas forças de Dom Pedro I Em 1822 a idéia separatista já tomava conta de grande parte do território nacional e do corpo político do país, com frágil resistência de alguns portugueses.
Dom Pedro, como Regente do Brasil, já não suportava a pressão portuguesa e as ameaças de anulação de todos os atos do Regente Pedro, iminente e constantemente repetidas, fez de Dom Pedro um propositor da separação, lembrando-se da fala de seu pai, Dom João VI, que afirmou ao voltar para Portugal: “Pedro, antes que algum aventureiro o faça, toma para si a coroa e a coloque em sua cabeça”. O incentivo da princesa Leopoldina, de José Bonifácio e da Maçonaria e dos brasileiros natos ecoava na cabeça do jovem regente em tempo integral.
Em viagem a São Paulo, nas margens do riacho Ipiranga, em viagem para o solar da Marquesa de Santos, sua amante predileta, o Regente recebeu carta de Leopoldina e Bonifácio alertando que Portugal determinou a volta do príncipe para Portugal tornando sem efeito toda sua autoridade no Brasil. Dom Pedro, afirmam alguns historiadores e com fato não comprovado, em frenético estado de fúria, gritou que, a partir daquele momento o Brasil já não era dependente de Portugal, escolhendo o caminho da independência. Era o dia 7 de setembro de 1822. A este ato, seguiram-se várias tentativas de Portugal em novamente tornar o Brasil mera colônia portuguesa e não mais o Reino Unido como declarou Dom João VI.
Forças diplomáticas conseguiram que Portugal, em 1824, reconhecesse a independência do Brasil, mas cobrou 2 milhões de libras como indenização, e as forças jurídicas brasileiras tornaram o Brasil numa Monarquia e Dom Pedro foi aclamado e coroado como Imperador do Brasil e a partir de 1822, passando a ostentar o título de Dom Pedro I – Imperador e defensor perpétuo do Brasil. Disto, o Brasil surgiu no concerto geral das nações como país independente e foi iniciada a construção da nacionalidade brasileira.
E ainda hoje se pergunta: O Brasil é independente?
Prof. Dr. Antonio Caprio- Tanabi - set/ 2024 - escritor e historiador.