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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

FRASE PARA PENSAR...

"O pior de ter passado pela morte não é ser esquecido.É esquecer."


Esta é a última frase do livro Imperatriz no fim do Mundo - Memórias Dúbias de Amélia de Leuchtemberg, de Ivanir Alves Calado, Ediouro,1953.
Profundidade e discernimento à toda prova. Bom ler isto.
Os deuses antigos( e atuais) 'lutam' para não serem esquecidos. Uma vez esquecido, a eternidade se esvanece e tudo acaba.
A vibração da memória tem o poder da eternização concreta.




sábado, 6 de agosto de 2011

A SAGA DO HOMEM FRENTE A SEUS SÍMBOLOS


   Por que a Humanidade, desde seus primeiros raios da razão, criou, independentemente, em todos os rincões do planeta, a mesma forma explicativa da origem de tudo, desde o Universo até o homem, variando, apenas, a forma e mantendo idêntico núcleo inicial?
      Caminhemos em busca da resposta seguindo a pista básica: o ser humano é extremamente simbológico. Desde os primeiros momentos no despertar da ‘razão’, o homem se fez acompanhar de seus símbolos, sem os quais não resiste às diversas formas de ação e reação com o meio ambiente que o assusta, aterroriza e ao mesmo tempo o atrai. Símbolo é todo objeto físico que tem uma representação abstrata. Tem valor evocativo, mágico ou místico. Atrás de todo símbolo estão ocultos ensinamentos, crenças e superstições humanas. O símbolo está direta e firmemente relacionado com uma crença ou ritual e, raramente, com a parte religiosa de cada ser humano, embora pareça isto um paradoxo. O homem é primeiramente místico, depois religioso e ainda depois, pode ser ateu, e jamais em linha inversa.
        O ser humano, e somente os humanos, dentre os demais animais, se vale de símbolos para contar, representar e interpretar sua própria história. Não se vale o homem dos símbolos apenas no campo filosófico-religioso, valendo-se deles em toda sua vida, seja social, profissional, familiar e mesmo individual. Os símbolos podem variar de significados conforme a cultura, a região e o tempo. O pentagrama, por exemplo, no início do tempo cristão, representava as cinco chagas de Cristo enquanto que na Wicca, o mesmo símbolo representa os quatro elementos básicos da natureza:  água, terra,fogo, ar e o quinto elemento é o espírito, enquanto que na maçonaria, o pentagrama (estrela de cinco pontas) representa o homem perfeito, no aspecto físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual.
          Símbolo vem do grego antigo symballein significando agregar. Carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma idéia complexa (Mark O’Connel.,Signos & Símbolos,introd.). Confúcio afirma: ‘ Os signos e símbolos governam o mundo, não as palavras e as leis”. Sumer (Sumerianos) é a civilização mais antiga registrada pelos historiadores e são responsáveis pelo primeiro sistema de escrita conhecido.Usavam pictogramas ou ícones valendo-se 2 mil símbolos gráficos,cada um representando uma idéia,uma coisa, não uma palavra, de uso bastante limitado. Depois perceberam que os signos poderiam ser utilizados para representar sons e nasceu a escrita cuneiforme, surgindo uma vasta forma de representação de idéias,coisas e sons. Desta vasta coleção gráfica surgiram os templos, depositários do conhecimento onde as formas,as paredes internas e externas, tetos e pisos eram verdadeiras  bibliotecas disponíveis.Nascem os ziguratos, embriões dos futuros templos, com formas indicativas de montanhas cósmicas como Babel, escada unificadora do céu e da Terra e claramente significando o orgulho humano tentando se igualar à magnificência de Deus. Surgem os símbolos do poder e proteção, as esfinges maciças(Lamassu) com asas, o leão ou o touro com cinco pernas,asas e cabeça humana com barba, representando a vigilância contra os inimigos,o poder humano sobrenatural e a eterna vigilância contra o mal;  a deusa Lua, o deus Sol, as constelações e o zodíaco.
            Seguem-se civilizações como a egípcia, com suas pirâmides significando a ascensão perfeitamente alinhada com o Sol e as estrelas, o cosmo, combinando perfeitamente o triângulo e o quadrado que se tornam companheiros simbológicos da humanidade desde o raiar da consciência humana, indicando o domínio do poder da vida sobre a morte. A ordem é representada por Hórus e Set representava o caos. Os ritos buscavam o equilíbrio das forças e disto surgiram deuses secundários e as seitas, depois transformadas em religiões. A vida continuada após a morte é representada pelo escaravelho e a cruz ansata (o Ankh), formada por uma alça oval invertida (representando o universo, o macrocosmo) acoplada sobre uma cruz tau (T), representando o homem, o microcosmo. Esta simbologia une o Céu e a Terra e o símbolo, que une Osíris(a cruz) e Isis( o oval) é a chave que destrava os portões da morte para a eternidade, fundamento da vida humana no planeta Terra.
            Os gregos e romanos influenciaram a Sociedade Ocidental no campo religioso, social e jurídico. Os deuses e deusas do panteão greco-romano ditavam as normas aos mortais do planeta Terra do Olimpo, cujas ordens emanavam do templo de Apolo em Delfos, nas encostas do Monte Parnassus. Prevaleciam os ciclos da natureza e em cada um, deuses e símbolos atuavam. Reinavam os Mistérios de Eléusis, rituais anuais e secretos, que foram observados por 2 mil anos. Até hoje símbolos ali nascidos se espalham por todo o planeta, como por exemplo, o caduceu, haste ou bastão entrelaçado por duas serpentes (o deus Hermes, grego e Mercúrio, romano), que simboliza a medicina homeopática ou também o comércio); a coroa de louros, ligada a Apolo, a coroa da vitória Greco-romana, largamente usadas em competições internacionais como olimpíadas e outros jogos); os cinco anéis, que formam o símbolo dos jogos olímpicos modernos e tantos outros.  
            A Europa pagã foi rica em mitos e símbolos. Os celtas eram amantes da natureza. O caldeirão celta, de onde renasciam os mortos, foi o precursor do Santo Graal das memoráveis lendas de Arthur. Os anglo-saxões adoravam seus cavalos como deuses representantes da prosperidade e dignidade. Os Vikings eram comandados pelo deus Odin, também detentor do poder do pensamento e da memória contando com a ajuda de Thor e seu poderoso machado, senhor dos raios e trovões, ao lado de Freya, a deusa do amor e da beleza.
            O Oriente Médio foi testemunha do início de civilização que foi o berço do Judaísmo, do Islamismo e do Cristianismo, três riquíssimas fontes de mitos, de símbolos e signos. Os persas fizeram nascer o centro do poder iraniano unindo toda a Mesopotâmia política e cultural ao Egito, outro manancial de simbologia, misticismo e divindades. Faravahar era o deus supremo dos persas – Ahura Mazda, uma imagem majestosa nascida de um disco com asas, representando a aspiração humana de unir-se ao deus. Os bons espíritos(ahuras) e os maus(daevas) criam antagonismos que levam o homem a pensar no passado, no presente e no futuro. O fogo é o elemento purificador no zoroastrismo e um touro branco representa a criação máxima e geradora de todas as outras formas de vida. Os famosos ‘tapetes persas’ representam a estabilidade familiar, social e humana e são símbolos milenares da região. O incenso é o elemento químico natural máximo, representando o sagrado, enquanto que o olibano está associado à masculinidade e o espírito dos céus, e a mirra ao feminino e à terra. As espirais de fumaça clara e aromática formadas pela queima do incenso eram consideradas asas condutoras das orações e representavam a comunhão com os deuses.
            As tendas usadas pelos beduínos simbolizam a dualidade do masculino e do feminino. É o local onde a divindade é convocada a se manifestar; é a ligação entre o Céu e a Terra.  O véu negro usado pelas mulheres indica a condição de mulher casada. O homem é livre, e há o predomínio da cor branco, já que o homem é  independente, em todos os sentidos.
            A África Tribal cultua um arsenal de talismãs, símbolos da energia divina encapsulada em um objeto. Nesta região existe um mundo vasto, diverso e rico em cultos, divindades, cantos, danças e cerimoniais divinos. Seus habitantes acreditam que o poder espiritual possa ser manipulado para o bem ou para o mal. Pajés e Ngangas (benzedeiras) são imprescindíveis na vida social e tribal. As máscaras retratam a diversidade das divindades e dos espíritos dos ancestrais. A cabaça representa o universo e o Sol e a Lua ‘circulam’ em linhas opostas e constantes em torno da superfície da cabaça. A terra, o solo, está no interior da cabaça onde coexiste com os homens. Os tecidos são confeccionados e adorados como talismãs e retratam as famílias. A arte adinkra, que são símbolos pintados à mão, identifica cada grupo étnico e a posição social de cada usuário da roupa, sendo o tecido um grau de ascensão social.
            A simbologia ao sul e a sudoeste da Ásia é rica e dramática. Grandes civilizações já estavam na Índia por volta de 2.500 a.C e na China por volta do ano 200 a.C. O chamado terceiro reino é o Japão, tão rico quanto os dois anteriores em tradições, simbolismos e crenças, remontando ao século VII a.C, legando até a atualidade a dinastia Jimmu. A deidade principal do panteão xintoísta é o Sol e a bandeira japonesa ostenta um sol vermelho sobre um fundo branco puro. Japoneses tem símbolos eternizados como o dragão, símbolo do poder imperial e da tarefa atribuída ao imperador de mediar entre o Céu e a Terra em favor dos homens da ‘ terra do sol nascente’. Outros símbolos são as montanhas (sagradas moradas dos deuses), o faisão (ave celeste), grãos de arroz (alimento), o machado (trabalho), a chama (eternidade), a espiga d’água (a vida), o vaso sacrificial ( a vida eterna) e os padrões representantes da justiça.. São símbolos básicos a Grande Muralha, símbolo do poder, da divisão, de atitudes rigorosas e opressão Na Índia o Taj Mahal é o símbolo duradouro e profundo do amor. Na China o chá é o símbolo do respeito, da fraternidade, da benevolência sendo oferecido a todos os visitantes, não se podendo recusar a oferta sob pena de ofensa. Sete décimos da xícara são preenchidos com café e os outros três décimos representam a amizade e a afeição.
            É importante observar que a simbologia, a crença, os mitos, as lendas são uma constante em todos os pontos do planeta, independentes uns dos outros, mas com uma perfeita relação de significados e fundamentos. Parece que houve uma espécie de onda coletiva que alcançou a todos os povos da Terra, simultaneamente.
            A América Central e a América do Sul guardam esta relação de forma bastante significativa, talvez pela ligação física entre ambos, e isto até de forma mais marcante do que atualmente. Os Maias tinham o deus Itzamná como o mais elevado no panteão, senhor do leste e oeste, do dia e da noite, disseminador do conhecimento, da cultura, da escrita e criador de Mayapan, a grande capital maia. O jaguar era um deus  cultuado e respeitado, representando a realeza. O calendário, criação maia, tem expoente máximo  na Grande Pedra do Sol, que  simbolizava o tempo, fixado em uma rocha com 4 metros de diâmetro e é uma perfeita calculadora de datas, fatos, fenômenos, inclusive em nível extraterrestre, ou seja, em nível cósmico. Afirmam historiadores que os maias praticavam sacrifícios humanos, em especial de inimigos capturados, celebrando a ligação entre os deuses e os homens. Praticavam jogos, um deles assemelhado ao futebol, onde a bola (de um tipo de látex), representava  a Lua ou o Sol e a quadra o mundo. Os huacas eram locais sagrados e eram representados por cavernas, nascentes de rios e os seixos eram amuletos de alta simbologia e proteção. Cada dia reservado à agricultura tinha um deus e, os mais, costumavam desenhar nas grandes encostas montanhosas animais como um beija-flor, uma baleia, um macaco ou uma aranha, que, vistos  de forma aérea, são figuras perfeitamente geométricas, parecendo indicar alguma coisa a um suposto viajante espacial.
            A América do Norte, que em parte do tempo geológico esteve ligada a outras extensões de terra existentes no hemisfério norte e praticamente separada da América Central e do Sul, mostra uma simbologia diferenciada, mas semelhante. O Estreito de Bering era o caminho natural dos habitantes asiáticos que viveram na área há cerca de 15 mil anos. Os nativos americanos mantinham estreita ligação com a natureza, com a terra, Gaia. O Grande Espírito criou tudo e a todos em círculos e tudo se assemelha ao que a grande maioria das religiões indicam como o princípio criacional  da Terra e dos seres vivos, inclusive do Universo. O bisão, o urso, o búfalo, o lobo, a águia destacavam-se como representantes da vida, da força, do equilíbrio e da paz. Montavam seus totens (guardião principal do indivíduo ou da comunidade como um todo) e conta a história dos ancestrais daquele grupo étnico, numa interessante superposição de rostos, elementos naturais, figuras de animais e vegetais. O milho, no sul do México, era uma herança divina da deusa Iroquois, filha da Mãe Terra. Os xamãs usavam o tabaco como meio de ligação com espaços superiores da espiritualidade. Atos diferentes, fundamentos semelhantes, objetivos praticamente iguais, onde tudo é dito, expressado e santificado pelo uso de símbolos signos e crenças.
            As regiões árticas não ficaram de fora nestes mistérios. O Ártico inclui a Sibéria, partes do norte da Rússia, o Alasca, nos Estados Unidos, o norte do Canadá, a Groelândia, a Lapônia, a Finlândia, o norte da Noruega e a Suécia. A região ártica é conhecida como ‘terra do sol da meia-noite’. As forças da natureza são chamadas de innua e fazem parte delas a água, o ar, as pedras e os animais. Estas forças podem ser personificadas pelos guardiões dos homens, os torngak. O iglu é um símbolo de lar e vida familiar. É a residência de gelo utilizada pelos inuítes, os ‘ esquimós’, constituído por blocos de gelo de forma espiral ascendente com um orifício superior. Em 1958 o governo canadense registrou a imagem do iglu como marca indicativa do trabalho dos artistas e dos escultores inuites. Os antigos lapônicos, hoje saami, são caçadores hábeis e acreditam que o mundo foi criado em três escalas: o mundo inferior, o mundo intermediário e o mundo superior, lembrando uma tenda que chamam de ‘tenda cósmica’, onde o ápice é preso à Estrela Polar. O princípio básico da criação do homem e do universo permanece constante em todos os povos. A rena é um símbolo saami com várias facetas da vida e da morte, sendo ela a condutora da alma de uma pessoa para o mundo superior.
            Jung afirmava que um signo esta sempre ligado ao pensamento consciente e que um símbolo representava mais do que o seu significado óbvio e imediato, buscando algo ainda não conhecido e que  ocorriam, signos e símbolos, não apenas nos sonhos mas em todos os tipos de manifestações psíquicas. A Teoria do Inconsciente de Jung expressa que o homem se vale de símbolos para expressar os temas universais humanos, e ,por conseqüência, a universalização do mesmo pensamento básico da ação criativa em todos os pontos do planeta e em todos os tempos, desde o estalar de dedos da ‘razão humana’.
            O homem antigo e o homem atual são submetidos, historicamente, sempre, às mesmas pressões do meio e do grupo social onde viveram e vivem. Não poderiam agir de forma diferente quanto às suas crenças e nem teriam signos ou símbolos de diferentes significados, apesar de terem estes símbolos formas diversas de serem grafados e isto em razão de que, tanto o homem antigo como o homem atual, caminharem sob a ação dos mesmos elementos em todos os tempos: o ar, o fogo, a água e a terra. Desta ação, a reação não poderia ser diferente, daí as crenças se basearem, sempre, nos mesmos fundamentos e as religiões nos mesmos pilares, em semelhantes dogmas, tratados de formas diferenciadas no transcorrer dos séculos..
            Por esta razão, todas as religiões têm o mesmo princípio básico: um Deus criador de todas as coisas e muitos deuses ou divindades para administrarem todas estas diferenças.

            Tanabi, agosto de 2011.





terça-feira, 26 de julho de 2011

O BRASIL E SEUS DESCAMINHOS PELA HISTÓRIA. TRIBUTO A D.PEDRO II



O Brasil teve como seu segundo (e último) imperador Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, nascido no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1825 e falecido em Paris, França, no Hotel Bedford, de baixa categoria, no dia 03 de dezembro de 1891, exatamente com 66 anos, 11 meses e 31 dias de vida. Era filho do Imperador Pedro I e  da arquiduquesa Dona Leopoldina d’Áustria.
No dia 23 de julho de 1840, Dom Pedro II, com quase 15 anos de idade, leu o juramento e assumiu o comando do Brasil. Para se tornar monarca foi declarado maior de idade e com isto por fim a vários movimentos políticos internos no país. Foi necessária a convocação e o reconhecimento pela Assembléia Geral do Império, abrangendo a Câmara dos Deputados e o Senado. Pedro II falava o francês, o inglês, o alemão, o italiano, o latim, o grego e o hebráico. O trono brasileiro era considerado pertencente ao povo brasileiro, um direito da nação, não propriedade privada  de alguém. Pedro II teve educação  de alto nível confiada a José Bonifácio de Andrada e Silva e Manoel Ignácio Pinto Coelho, desde a abdicação do pai Pedro I e da morte da mãe aos 2 anos de idade. Em 1840 libertou todos os seus escravos, tomando 60 contos de réis emprestados para comprar a liberdade de um lote de escravos.
O Brasil era parlamentarista em todos os níveis de governo. Pedro II consolidou a ordem cível em todo o Império; defendeu as fronteiras e a real independência do Brasil em vários níveis;  desenvolveu todas as garantias constitucionais, de liberdade, de respeito a todas opiniões e justiça entre os partidos políticos; com reformas políticas em 1855 e em 1881. Criou grandes redutos nacionais na vida artística, cultural, científica e no campo da pesquisa; fez acelerar processos com vistas à abolição da escravatura e desenvolvimento econômico brasileiro, incrementou a política de imigração, lutando pela defesa e integridade do território brasileiro, Agilizou e incrementou a lei de proibição do tráfico de escravos (1850), Lei do Ventre Livre (1867, Lei dos Sexagenários (1855) e finalmente a Lei áurea (1888).
Sob seu governo, que foi de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1899, exatamente por 49 anos, 03 meses e 22 dias, O Brasil experimentou o mais longo período de democracia de sua história, pluralismo de opiniões, liberdade de crença, de pensamento, de expressão e de imprensa. Neste período o Brasil montou importante força naval, chegando a ser a segunda maior do mundo. Registrou-se um crescimento vertiginoso no desenvolvimento ferroviário e Pedro II colocou o país entre os mais modernos do campo das descobertas científicas, incrementando a luz elétrica em 1879 e estaleiros para construção naval, que só era igualado a Nova York. Instalou o sistema telegráfico, o telefone, os correios e muitas outras. Pedro II criou a Escola de Engenharia em Minas Gerais e o colégio no Rio de Janeiro, hoje Colégio Pedro II.
Dom Pedro II tinha uma excepcional devoção pela noção do dever, da honra, da dignidade e da honestidade que demonstrava publicamente e exigia dos que o cercavam. Escreveu em um de seus diários: “A falta de zelo, a falta de cumprimento do dever, é o nosso primeiro defeito moral”. Viajou por vários países e sempre custeou todas as suas despesas e viagens. Era um zeloso defensor da natureza. O Brasil era respeitado no exterior em seu tempo graças à sua ação e trabalho. Vários escritores do mundo literário da época elogiavam Pedro II, dentre eles o poeta francês Victor Hugo. Sua fama de notável saber corria o mundo civilizado da época. O Brasil era conhecido e não por causa de seu futebol. Era chamado pelo povo  de Pedro II, O Magnânimo.
  Os brasileiros estavam na busca de sua tão sonhada República. Os pretextos eram muitos, internos e externos. Foram 3 os pilares da queda da monarquia brasileira: 1) O Positivismo de Auguste Comte servia de base ao movimento e incentivava a os jovens estudantes brasileiros aqui e no exterior; 2) a adesão ao movimento da oligarquia cafeeira  também contrária à abolição e 3) a Doutrina Monroe, que via na Monarquia um obstáculo à implantação da política americana na América do Sul. Era tanta a força desta política que a bandeira, adotada em seguida à queda do Monarca Pedro II,depois substituída, era uma patética contrafação (perfeito plágio) da norte-americana.
Os republicanos liderados por Deodoro da Fonseca e Benjamim Constant Botelho de Magalhães e outros, sob forte pressão, decidem dar fim ao sistema Monárquico de Pedro II e é expedido, no dia 15 de novembro de 1889, o Decreto n. 1,proclamando provisoriamente a República Federativa.  O Decreto tem 11 artigos e foi assinado por Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do governo provisório, S.Lobo,Ruy Barbosa, Q.Bocayuva, Benjamin Constant e Eduardo Wandernkolk. O Artigo 7º determinava:“Sendo a República Federativa Brasileira a forma de governo proclamada, o governo provisório não reconhece nem reconhecerá nenhum governo local contrário á forma republicana, aguardando, como lhe cumpre, o pronunciamento definitivo do voto da nação, livremente expressado pelo suffrário popular”.  
O citado ‘ plebiscito’ jamais foi realizado.
Eram 15:00 horas quando o Imperador foi notificado de sua deposição pelo major Sólon. Não respondeu nenhuma palavra e recolheu-se a seus aposentos, dizem, para chorar amargurado. Pedro II foi deposto e jamais renunciou ou abdicou ao trono brasileiro. O novo governo abdicou de praticamente 50 anos de experiência parlamentarista implantado em 1847, com alternância do Partido Conservador e o Partido Liberal, sendo independente e não cópia do parlamentarismo britânico, de onde nasceu a idéia brasileira.
No dia 23 de dezembro de 1889, pelo Decreto N. 85 A, foi criada comissão militar para julgamento dos crimes de conspiração contra a República e seu governo. Quem discordasse seria enquadrado a severos castigos e condenados por sedição (perturbação da ordem pública). Este decreto ficou conhecido como ‘Decreto Rolha”. Como se vê, o brasileiro nunca perdeu a ‘esportiva’, mesmo sob chicote.  Vale lembrar: Res(pública) . República( coisa do povo,para o povo,pelo povo).
Pelo Decreto N.914-A, de outubro de 1890, foi outorgada a ‘Constituição dos Estados Unidos do Brazil’, e seu § 4º definia: “ Não se poderão admittir como objecto de deliberação, no congresso, projectos tendentes a abolir a forma republicana-federativa, ou a  igualdade da representação dos Estados no Senado”.
O pessoal tinha medo de Pedro II. O povo parece que já estava com saudades da Monarquia.
Tratado de forma abusiva e até desumana, às 3:00 horas da madrugada, carruagem levou o Imperador, a Imperatriz, a Princesa Isabel, o conde d’Eu e Dom Pedro Augusto até o cais, com apenas algumas roupas e nenhum outro pertence pessoal. Os responsáveis pelo golpe tinham medo da reação do povo que ainda não sabia da deposição do imperador e da mudança do sistema e da forma de governo.
Ruy Barbosa foi o mentor dos atos jurídicos da nova República. Com a ação dos republicanos e seus desvarios pelo poder. Escreveu, anos depois: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da hora, a ter vergonha de ser honesto.  Essa foi a obra da república nos últimos anos.  No  outro  regime( a Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre – as carreiras políticas lhe estavam fechadas”. Ruy Barbosa dizia a verdade, visto que, qualquer membro do governo monárquico, em seus vários níveis, tinha vida ilibada e só era nomeado pelo Imperador Pedro II após ‘pente fino’ sobre sua vida, em especial de sua honradez e honestidade. Ruy, ao final da vida, disse: “Havia na monarquia uma sentinela vigilante, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais. Esta sentinela era o Imperador D. Pedro II”.
Rui Barbosa se mostra atualizado. O que escreveria vivendo hoje, depois destes  122 anos de República?
Triste, sem recursos, visto que negou por duas vezes ajuda dos cofres brasileiros para sua subsistência, Pedro II morreu exatamente à meia-noite do dia 5 de dezembro de 1991 acometido de pneumonia em razão de sua fragilidade física e o rigor do inverno naquele país. Os jornais do mundo todo publicaram a lamentável perda, recebendo, da França, honras de estado. Suas últimas palavras: “Nunca esqueci do Brasil. Morro pensando nele. Que Deus o proteja”. Seu travesseiro continha terra que levou do Brasil quando de sua expulsão. No dia 9 de dezembro de 1891, sob forte chuva e mais de 200 mil pessoas nas ruas viram o cortejo fúnebre se dirigir em  trem especial que levou o esquife até Lisboa, onde foi sepultado no panteão da dinastia de Bragança, na Igreja de São Vicente. O único país  que não mandou representante diplomático foi a República Brasileira.           
No ano de 1920, quando presidia o país Arthur Bernardes, seus restos mortais foram transladados para o Brasil aqui chegando no encouraçado São Paulo e recebido com verdadeira devoção pelo povo brasileiro. No dia 05 de dezembro de 1939, quando presidia o país o Sr. Getulio Vargas, finalmente, depois de 50 anos, Pedro II volta para seu lugar definitivo entre os irmãos brasileiros juntamente com os restos mortais da Imperatriz, da Princesa Isabel e do Conde d’Eu sendo transladados para a Catedral de Petrópolis, no Rio de Janeiro. e sepultados na Capela Imperial, em prédio onde residiu com sua família , hoje Museu Imperial..
A República veio e com ela mandatos prefixados, volúpia pelo poder, uso da máquina estatal para enriquecimento ilícito e prejudicial a todos os brasileiros, ódio, perseguições, ditaduras, ditadores e a difícil caminhada em rumo à paz tão desejada por Pedro II e por muitos brasileiros de ontem e  com certeza de alguns de hoje.
Experiências não se jogam na lata do lixo e o Brasil poderia estar muito melhor do que está, política e economicamente falando, embora mudasse a forma de governo, de monarquia para república, jamais poderia ter aberto mão da experiência adquirida com quase 50 anos de parlamentarismo. Este o melhor sistema e menos corrupto e menos corruptível do que o presidencialismo. Países que são sérios, operosos  e progressistas são parlamentaristas.
Rojas Paul, presidente da Venezuela, em 15 de novembro de 1889, ao tomar conhecimento do golpe militar no Brasil, exclamou: ‘terminou a única república da América do Sul’.
E como Ruy, cheio de razão ontem e hoje. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MENTE HUMANA

       
    O estudo das diversas ações pedagógicas de nosso tempo indica que o ser humano está em franca, continuada, incontrolável e sadia rota. Freire, em seu trabalho ‘Pedagogia da Autonomia’ nos ensina que só pode ensinar certo quem pensa certo, mesmo que às vezes pense errado. Continua dizendo: ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação. Assmann orienta que ‘educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar, mediante sua própria experiência do conhecimento’.
            Edgard Morin, em sua obra ‘ Os sete saberes necessários à educação do futuro, Ed. Cortez-SP, 2006, é um convite à reflexão com os pés no chão de forma a que o educador, o educando e a sociedade se complementem na esteira do tempo que nunca interrompe seu fluxo e a cada dia exige mais e mais de todos os envolvidos neste milenar processo de educação e do conhecimento.
            Destaca o educador que ‘ as idéias existem pelo homem e para o homem; o homem existe pelas idéias e para elas’. Podemos matar pessoas, queimar livros, mas as idéias subsistem incorruptíveis e eternas e elas servem ao homem e não às pessoas. As religiões foram criadas pelos homens para driblar suas incertezas para com Deus ou mesmo para com seus deuses. Pela religiosidade, pelas doutrinas impostas pelos líderes religiosos, as ideologias se submetem ao erro protegidas pelo próprio sistema de idéias que são transformadas em ‘verdades’.  De forma natural e até lógica, as doutrinas se fecham sobre si mesmas e se protegem contra as críticas que anunciam, expõem ou denunciem suas falhas e pontos atacáveis pelo raciocínio de algum seguidor.
            A religiosidade é natural no ser enquanto pensante, lógico, matemático, consciente, inquiridor e renovador. A cada dia a mente humana busca ser corretiva, criando uma forte carapaça protetora contra o erro e a ilusão. Diz Morin: ‘a mente é dotada de potencial de mentira para si próprio( self-deception). A memória é fonte de erros. A mente seleciona, inconscientemente, as lembranças que convém e realça ou apaga as que incomodam. A alucinação e a percepção do mundo real andam de mãos dadas e num antigo e parece eterno namoro já tendo levado o homem a situações bastante embaraçosas. Mentiras foram criadas para impedir o rompimento de ambas as forças e desta manutenção alucinatória foram criadas seitas, religiões, credos e escritos livros que passaram a ser chamados de sagrados.
Praticamente cem por cento do funcionamento orgânico depende dos hormônios gerados pela própria máquina biológica, com fortíssimos reflexos sobre ínfimo percentual que liga o homem interno ao mundo exterior. O homem externo precisa da alucinação sem a qual não processa a ligação com o seu eu interno. Desta conexão nasce o eu eterno, o eu dominador, o eu universal.
A cultura é um extraordinário conjunto de conhecimentos, de regras, de normas, de leis, de crenças, de idéias, de valores, de mitos que desembocam no oceano maior que é a religiosidade. O eu físico se conecta com o eu imortal, com os deuses criados, imaginados, com seus mitos, suas necessidades, sonhos, devaneios e surge a alegada realidade.
A poderosa máquina física, comandada e orientada pelo cérebro humano, uma obra prima da natureza e fortíssima geradora de energia, irradia um poder incomensurável, transformador do pensamento em coisa concreta e coisa concreta em um conjunto extraordinário de extrapolações que ele, a criatura e os seus deuses, classificam como teosofia, filosofia e ciência, e destes três pilares, nascem os fundamentos da humanidade terrestre.
E este ser, um amontoado de cem trilhões de diminutas células e dotada do estranho processo chamado vida, o homem  se alça para o éter universal, ambicionando dominar os mais profundos pontos deste incomensurável Universo.
E ele o fará, sem dúvida. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

O HOMEM E SEUS SEGREDOS FANTÁSTICOS

        
        O Brasil nasceu sob a força da bruxaria européia, forte e infiltrante em todos os segmentos e meios sociais. A luta entre o céu, o inferno, o bem e o mal são velhos conhecidos do homem enquanto ser pensante, temeroso do futuro, fugidio do passado e crente até certo ponto no presente. Digo até certo ponto porque em geral, todos os homens e mulheres acreditam, crêem, praticam ou fingem crer e praticar todos os tipos de ritos e religiões, conforme a idade, a necessidade e o medo da velhice e da morte.
            Para se pregar o bem tem de se esconjurar o mal. Um pastor, de qualquer credo, não consegue falar do bem sem se referir ou comparar o que diz com o mal. É o positivo e o negativo, é o forte e o fraco, é o vencido e o vencedor. Ao pregar o bem, não se pode agir sem se reconhecer a existência do demônio, de suas formas e meios de ação. Interessante como o homem enquadrou a mulher na personificação do mal, da perdição, do perigo, da falsidade, talhando-a na história como o suprasumo da maldade e da traição. Vide Gêneses. A mulher foi introdutora do pecado no mundo perfeito (?) do Criador. Foi parceira consciente do diabo. Se o diabo tivesse sido realmente vencido pelo bem, como presumem muitos, não haveria necessidade da existência da igreja.
            A Europa e parte do mundo em crise, pestes, cismas, a derrocada do  tradicional eram coisas causadas por Satã e seu exercito de anjos caídos, onde um grande número de feiticeiros, adivinhos, videntes, previsores do futuro apocalíptico, o fim certo do mundo, a danação eterna e outros ‘castigos’ fizeram nascer, em especial a partir do século XIV, a necessidade de livrar o mundo e os homens do pecado e nada mais concreto do que fazer das mulheres este meio de ‘lavar’ os pecados do mundo contra a bruxaria, até então vista como uma qualidade e não como uma forma amaldiçoada de existência, só sanada pelo poder do fogo.
            A Igreja romana e depois as ramificações evangélicas, apesar dos esforços em contrário, só fizeram robustecer o pensamento da existência concreta do diabo, fazendo nascer um rígido código ético e moral na busca da justificação da presença concreta e inescapável da figura do demônio na vida humana e em todo o planeta. Os tempos ditos modernos foram moldadores do diabo e o que se viu, no rolar da história, foi o aumento delirante de cultos ao demônio ou a Satã, sendo que na época das reformas calvinianas e luteranas, a bruxaria sofreu espetacular combate, com a ajuda da inquisição, queimando milhares de mulheres e raros homens na fogueira da limpeza e da purificação, conforme acreditavam.
            Satanás reinava com autoridade entre os pagãos. Com base nesta premissa, os padres vindos para o Brasil buscavam converter os índios, pagãos a seu ver, à fé cristã. Os pajés eram feiticeiros, agentes do mal. Anchieta chamava curupira de demônio. Denúncias chegavam à central da Inquisição no século XVII indicando ser a Bahia uma central de negros e negras feiticeiros. Minas estava infectada de demônios, afirmavam membros da igreja. No período colonial brasileiro pessoas eram denominadas de calunduzeiros, feiticeiros e curandeiras pela igreja e perseguidos inclusive até à morte, comemorada com alegria como se uma vitória do bem sobre o mal.
            Apesar de tudo, muitos feiticeiros se fixavam em propriedades das ordens religiosas dissidentes de tais pensamentos e ações, apesar de padres  usarem tais pessoas como meio de descobrir escravos fugidos ou porque curavam infestações diversas do gado como ‘bicheiras’ e outras doenças. Gado era forma de fortuna e imensos rebanhos faziam parte do patrimônio da igreja e de padres. Era, e ainda é interessante, como os interesses modificam ações religiosas no transcurso do tempo. Os ‘dons’ são usados e santificados quando beneficiam poderosos e renegados ou excomungados, quando inúteis para o poder.
            O homem é exímio bajulador de ambas as forças que denomina bem e mal. Cria religiões calcadas em ambos os pilares do medo humano. Só pelo medo do futuro é que o bem e o mal existem. A bruxaria está em alta no planeta todo, nunca deixando de ser um ponto de interessante ação humana. Modernamente continuam a existir bruxos e bruxas com destaques, inclusive, na mídia em geral. Não usam vassouras verdadeiras, mas sim vassouras virtuais como computadores e sofisticados programas matemáticos  de adivinhações. A Vicca, ou religião dos bruxos, baseada no culto de uma deusa e de um deus que descendiam de rituais de diversas tribos desde os primórdios dos tempos,  está em alta. Gerald Brosseau Gardner, é um dos modernos bruxos com auge nos anos 50. O livro das sombras, é uma espécie de manual prático viccano.
            Os símbolos da bruxaria grassam por todo o planeta. São vassouras( inicialmente usadas pelos celtas em cerimônias agrícolas para atrair boas colheitas), chapéus cônicos (atraidores e geradores de energia), caldeirões, onde são preparadas poções mágicas para todos os fins, lembrando que as farmácias de manipulação se assemelham em tudo a este símbolo. A feitiçaria nada mais é do que a arte de mover energias para alcançar determinado objetivo e está presente em praticamente todos os ritos do mundo religioso. Uma vela ao ser usada por um cristão faz do rogador da graça um feiticeiro( e não um bruxo) em busca de um resultado requisitado de seu santo. A alquimia da transubstanciação cristã é uma forma de poção mágica de transformação.
            No Brasil escritores como Machado de Assis usaram o caldeirão. Este para queimar manuscritos em frente de sua casa, dando-lhe o apelido de “O bruxo do Cosme velho’, popularizado depois por Carlos Drummond de Andrade. Monteiro Lobato cria ‘Cuca’ que trabalha com borbulhante caldeirão mágico. Mario Quintana destacava os poderes excepcionais das bruxas em seus trabalhos. É mais comum a presença de mulheres nas práticas da bruxaria, e isto no transcorrer de muitos séculos, e isto com certeza graças à vulnerabilidade explícita da mulher e na declaração milenar de sua condição de segunda pessoa da criação. O próprio homem se valeu da mulher para encobrir suas dificuldades e ansiedades frente às coisas do mundo. É comum,ainda, se ler e ouvir: atrás de um homem bem sucedido sempre existe uma mulher, e o maldoso completa: antes de sua esposa.
            Os inquisitores do século XV acreditavam piamente na existência até material do demônio. Os do século XVIII já pensavam totalmente diferente. Hoje os bruxos e bruxas são centros de consulta de altas empresas e de simples cidadãos da periferia.
            E assim vai o homem caminhando sobre o planeta Terra, ora olhando sua história com orgulho, ora com tristeza, mas, jamais deixando de dar seus passos, seja com certeza seja com sofreguidão. À medida que ele avança no tempo e no espaço, percebe, dia a dia, que seu futuro é incerto, mas, por certo será o de triunfo depois de muitas lutas e tempestades. Este o mote da vida humana neste planeta cheio de segredos e apreensões. 

domingo, 12 de junho de 2011

PRECISA-SE DE POETAS

   

  Poeta é aquele que escreve e se consagra à poesia. Pessoa sensível, de imaginação inspirada ou sonhadora.  Poesia é a arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados. Quem poeta faz versos. Poético é aquele que se encerra cheio de emoção. Poetizar é tornar público uma poesia. 
  Poesia é a arte de escrever em verso, grafar uma composição poética. Poesia é a manifestação escrita que desperta o sentimento do belo. No Brasil o início da poesia se deu com os catequistas da companhia de Jesus que compunham autos e poemas avulsos de intenção religiosa. José de Anchieta figura entre os primeiros poetas em solo brasileiro. O primeiro poeta nascido no Brasil foi Bento Teixeira com a obra Prosopopéia, escrita em 1901. Prosopopéia é a figura literária que dá  vida a coisas inanimadas e voz a pessoas ausentes e a animais.
  Língua é a forma natural de comunicação humana, seja por meio oral ou escrito. Elemento central na transmissão da cultura. Literatura é o conjunto de composições de uma língua, com preocupação estética. É o conjunto de trabalhos literários de um país ou de uma época. No Brasil, ainda no início do século XVI, Pero Vaz de Caminha inaugura a literatura em solo brasileiro. No século XVII, o padre Antonio Vieira, com suas Cartas e Sermões (prosa) e Matos Guerra ( poesia) incluem o Brasil na literatura mundial.
  O poema é uma obra em verso, uma composição poética, uma epopéia. O poema sinfônico é usado em obras orquestrais de um só movimento. Nesta linha, Listz era imbatível. A estrofe, por sua vez, é cada uma das linhas que formam um poema e um conto é uma história, uma historieta, uma fábula. Um romance, por sua vez, envolve uma história amorosa, fabulosa. A fábula é uma narração alegórica, cujos personagens são geralmente animais que encerra uma lição moral. Uma novela é um pequeno romance, uma narração de aventuras interessantes podendo ser uma comprida história com várias histórias menores.
  A poesia concreta é uma composição que utiliza versos dispostos na página de forma pouco usual. Ela dá forma à poesia mesmo antes do leitor cumprir sua tarefa. Eram exímios, no Brasil, Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari (1956). Em meu livro “Poemas em Gotas”, de 2005, exercito-me nesta linha poética.
  O poeta é um ser diferenciado. É um ser humano como os demais outros, mas enxerga tudo onde o nada parece existir. É o único ser que diz tudo com quase nada de palavras ou outros símbolos gráficos e fonéticos. O poeta é capaz, ao contrário dos cientistas, de definir,em diminuto número de palavras, o que muitos livros não conseguiram fazer.
  O poeta é um ser que é capaz de escrever sobre temas que a matemática, ciência ‘mater’ do mundo, não consegue expressar.
  Eu poeto, tu poetas, ele poeta. Nós poetamos, vós poetais, eles poetam...
  Sem o poeta o mundo não seria colorido e o amor não seria tão interessante.
                         

domingo, 5 de junho de 2011

NUM VEM QUI NUM TEM




          O que estariam sentindo se vivos estivessem nossos construtores da língua portuguesa, nossa língua nacional? Como devem estar se sentindo os professores aposentados que passaram a vida toda ensinando regras gramaticais, concordâncias verbais e nominais, tempos de verbo, pontuação, crase, acentuação, análises sintáticas e tantas outras técnicas básicas do bem escrever?
            O MEC parece estar sofrendo de algum tipo de síndrome que se assemelha à ação de um vírus letal. Parece querer se fantasiar de modernista, de evolucionista, de estar caminhando conforme as necessidades do tempo, e, a cada investida, se mostra bizarro, fanfarrão e perigosamente intencionado. Só citando alguma fanfarronice, sai o kit-gay, entra a confusão instalada no livro “Por uma vida melhor”, uma apologia ao erro e ao uso indevido da língua, deixando claro que a forma de falar não precisa necessariamente seguir a norma culta, ou as regras gramaticais e que alunos não podem sofrer preconceitos lingüísticos caso desconheçam concordâncias ou tempos verbais.
            Desde que se comuniquem, vale, afirmam alguns próceres da educação brasileira. Exigir regras no falar (e no escrever) é um preconceito, e todo preconceito deve ser afastado (sic). Afirmam: ‘a linguagem oral se sobrepõe à linguagem escrita em qualquer situação. Não existe mais o adequado e o inadequado’. Quero ver como fica tudo isto quando o ‘dito cujo do aluno’, tiver de fazer uma avaliação que implique em conseguir ou não um emprego.
                Nóis vai, nóis foi e nóis  fumus’. Perfeito. Quer mais direto do que isto?
              A comunicação é um processo interessantíssimo. Muitos são os seus  instrumentos. No mundo do pouco tempo para tudo (geração miojo), melhor mesmo é simplificar a coisa. Já que tudo caminha pela eliminação total do preconceito, abaixo a linguagem culta, e que a ordem do chacrinha prevaleça: ‘quem não se comunica, se estrumbica’.
            Nesti mundu, a genti lóita qui lóita, labóita qui labóita, ninguém cilêia i cada vez piorréia maisi.
                 E alguém poderia arrematar: vamu pará cum isso, purque isso num inflói nem contribói.
                 Tenho dito!