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quinta-feira, 7 de maio de 2009

O PROCESSO EDUCACIONAL ESTÁ DOENTE


A educação é um processo moroso que se inicia nos primeiros momentos da vida de uma pessoa, de um indivíduo e se prolonga por toda sua vida. As fases são naturais e não podem ser ‘puladas’. Não se admite falhas neste processo. Deve ele ser constante, seqüencial e cumulativo.
Houve tempo em que a educação era responsabilidade única do Estado enquanto poder político organizado. Só haviam escolas oficiais, reconhecidas e dotadas de poder absoluto na busca de seu objetivo: transmitir conhecimentos. Ensinar. Preparar o cidadão para o exercício pleno da cidadania.
O tempo, num passeio por um determinado espaço, modifica o ser, os grupos sociais, os estados e até os pensamentos que foram entendidos como imutáveis por serem próprios da essência humana. O indivíduo, em processo de educação, se adapta ao tempo vivido. Absorve as ‘perfumarias’ da época e do meio onde vive.  Transforma-se. Transmuta-se de um ser natural em um ser produzido, montado conforme as circunstâncias e o desejo do poder político reinante.
O tempo flui eterna e continuamente. O novo cidadão aflora e, no mesmo processo em que foi gestado continua a produzir novos cidadãos, à sua semelhança e também no mesmo processo de modificação. Esta seqüência se instala continuamente e o produto da educação emerge e comanda novos processos numa interminável seqüência perigosa e contagiante.
Como uma virose, os produtos da nova educação e do implantado processo cultural, se tornam ‘modelos’ e os doutores, mestres e especialistas em educação, numa euforia preocupante, aplaudem a ‘ modernização do ensino’ como que o grande messias que era esperado para a redenção da espécie humana.
Modificam-se grades de ensino, criam-se promoções continuadas, fundem-se disciplinas e criam ‘blocos’ de matérias que são pensadas como soluções aos inúmeros problemas educacionais que enfrentamos no Brasil, em nossos estados e em nossos municípios desde a década de 60 com a famigerada criação de licenciaturas breves e plenas para engordarem as estatísticas frente ao mundo.
Os laboratórios educacionais continuam freneticamente na produção de ‘fórmulas mágicas’ pensando resolver a questão da transmissão do conhecimento, da preservação dos valores culturais, sociais, morais e políticos. Poções mágicas fantasiosas, sem ter o pé no chão e sem reconhecer os métodos utilizados ontem e que deram certo. Tentam apagar o passado com borrachas duras que só rasgam o papel e a nada chegam.
Educar é um processo. Estas ‘invenções’ por meio de injeções venosas são paliativas. Uma vez interrompido, retomá-lo é doloroso. É como um tratamento médico que, defeituoso, precisa se iniciar no zero. As seqüelas destas interrupções no processo educacional são perigosíssimas e incuráveis. As gerações submetidas a estes procedimentos podem ser prejudicadas de forma irrecuperável no tempo e no espaço.
E quem é o responsável por isto tudo? Quem ‘ paga a conta’?
O processo educacional está doente e não a educação. Os gestores deste processo precisam acordar para esta realidade. É preciso baixar as armas e se reiniciar o processo antes que tarde demais.
É bom lembrar que um processo educacional defeituoso reflete em todos os demais segmentos da sociedade humana e condena o cidadão ,cada vez mais, a abdicar de seu sagrado direito de alçar vôo rumo à sua plena integração com a sociedade onde vive.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

SEM EDUCAÇÃO, PARA ONDE VAMOS?

A Humanidade só existe em razão da educação transmitida, séculos a fio, de pessoa a pessoa, sejam quais forem os instrumentos ou ferramentas. A cultura é específica de cada povo, de cada agrupamento sociológico e se remonta de forma contínua na linha do tempo. Humanidade e cultura se associam de forma inseparável, parecendo paralelas geométricas onde desvios não são aceitos nem podem existir sem o perigo de se comprometer todo o sistema.
Educação é uma outra história. É uma atividade humana que necessita da cultura para se alçar e progredir, continuamente, não se admitindo curvas ou retrocessos. Deve ser uma linha perpétua, contínua, evolutiva, envolvente, cuidadosa e seletiva, embora não se destine a nenhuma pessoa isoladamente e ao mesmo tempo ao cidadão como exemplar único de um grupo social, seja ele diminuto ou todo o povo de um território, agregado e ligado à população do mundo.
Educação é, portanto, um legado, uma herança e como tal deve ser aprimorada, cuidada, trabalhada de forma a que as gerações futuras sejam parte integrante e ativa dos elos de ligação que há séculos se interligam e formam todo um processo evolutivo-educacional.
Cultura e educação se diferenciam em muitos aspectos. Uma e outra podem se manifestar de forma separada, estanque e ao mesmo tempo podem se unir e, segundo a regra das paralelas, caminharem juntas com mais força, mais intensidade, mais resultados, e de forma uníssona, escreverem o futuro de um povo, de um pais.
Evoluímos, entendendo que a involução é impossível, em qualquer situação ou processo. E na educação, o que dizer da fase atual que atravessam nossas escolas brasileiras?  O que dizer do aluno apático, sem propósitos ou sonhos, sem estímulos em buscar conhecer e cultivar a sua cultura, a cultura de seu povo e a educação como um legado que pode ajudá-lo a alcançar degraus significativos na sociedade humana onde ele está inserido? O que dizer fazer e pensar com relação a nossos professores, em todos os graus de ensino e mais diretamente aos militantes no ensino fundamental?
A China deposita basicamente no ensino fundamental toda sua força que advém de seu passado, de sua cultura, de seu respeito para com o conhecimento, mola propulsora do mundo moderno. O professor é o único que não precisa reverenciar o Imperador. O professor é o mestre, é o condutor das linhas da cultura e da educação. É o guardião do passado, o administrador do presente e o gerador do futuro.
O Brasil é um país ‘jovem’, mas velho o suficiente para pensar seriamente em sua cultura e na educação de seu povo. Fomos ‘descobertos’ em 1500. Os Estados Unidos formados em 1492. Tomados estes dados como exemplos, por que tanta diferença entre os dois povos. Não creio que as dificuldades de ambos sejam histórica, social e economicamente, muito diferentes embora com algumas variações.
Esta ação de dar migalhas para mitigar a fome sem ensinar a pescar vai acabar com o que de pouco temos no campo da cultura e transformar a educação num mero passatempo escolar cuja atração é, ainda, a merenda escolar e em breve um pólo de revoltas e agressões, como já se vê em inúmeros estabelecimentos escolares, onde os direitos são muitos e os deveres e obrigações, poucos ou quase nenhum.
Houve tempo que bolsa era um equipamento para guardar livros e cadernos para estudo. Hoje, é sinônimo de pouco ou nada fazer em troca de migalhas do poder reinante. Os governos escondem nas bolsas os problemas que, se somando-se, explodirão, com certeza, uma hora ou outra.
Alerta, brasileiros.

terça-feira, 21 de abril de 2009

ERREI, MAS VOU DEVOLVER TUDO!!!

É incrível o que lemos em nossos jornais sobre o Senado, sem excluir nossa Câmara Federal e Assembléias Legislativas estaduais. Não escapa um dia sem que páginas inteiras de nossos jornais retratem ‘assaltos à mão desarmada’, com a promessa de se esquecer tudo o que foi publicado ontem. São escândalos sucessivos, continuados e escancarados.
Chego a me ‘emocionar’ vendo foto de senador chorando no Senado dizendo que está tudo certo. Ele tem apartamento em Brasília e recebe o famigerado auxilio moradia, de igual forma sua mulher que também é deputada federal. É uma mamata que machuca, dói,visto que, só neste ‘direito’, ambos recebem mensalmente R$ 6.800,00. O Ministério Público Federal busca enquadrar servidores do Congresso que compactuem com ações consideradas inconstitucionais. Adverte o MP: ‘a doação de passagens aéreas a parentes de parlamentares é ilegal e os diretores-gerais precisam dizer aos políticos que esta prática será contestada na Justiça, caso prossiga. O que fica complicado é o ‘caso prossiga’. Nunca prosseguem as constatações das falcatruas. Tudo fica acobertado pelos chefes-de-plantão num conluio sem fim.
A coisa fica mais ´preta’ quando se lê, nas entrelinhas e mais parecendo um segredo de estado, que o TCU – Tribunal de Contas da União – criado exatamente para fiscalizar possíveis usos indevidos de verbas públicas, em vários casos, usa do mesmo expediente com a maior cara-de-santo. Ministros de Tribunais da Justiça fazem o mesmo. Viva o geral. O que todos fazem, mesmo ilícitamente, se torna ‘legal’.
A farra continua, e desta vez, versa sobre viagens pelo país e pelo exterior por deputados, seus parentes, namorados e namoradas, apaniguados e sabe-se lá quem mais. Questionados, os deputados respondem no ‘pé-da-lata’: é um direito. Não estou fazendo nada errado. Servidores dos ‘patrões espertos’ vendem cotas que sobram. Negociam com empresas de aviação e até trocam com outras vantagens pessoais. É a farra geral onde tudo deveria ser um espelho para os demais cidadãos.
O Presidente da Câmara Federal diz que ‘ há um número mínimo de deputados que praticam atos inadequados’. E continua: o patrimonialismo é uma característica da política brasileira... Isto é uma confissão de que ele sabe que há irregularidades. O que faz para coibir? É função e dever dele fazer isto, mas, ao invés, ‘confessa’ que também já usou da sua cota de viagens para passeios familiares no Brasil e no exterior. Viva!.
O remédio veio: a partir de agora é correto e legal usar as cotas de viagens como bem entender o deputado. Se antes não estava escrito, agora está. Ponto final. Isto cheira  piada pronta. Se há traição no sofá, resolve-se a questão: tira-se o sofá.  No Senado, o eterno presidente escritor exclama: ‘isto é um absurdo! Não sabia disso! Vamos investigar!.Que os marimbondos me piquem se isto acontecer de novo!.
E precisaria acontecer? Não poderia de forma nenhuma é ter acontecido.
Sou pela democracia,mas, a continuar assim o Brasil vai virar(e já vira) uma casa-de-mãe joana. Quem puder, leve vantagem, caso contrário receberá a peja de ‘trouxa’.

domingo, 15 de março de 2009

EXCOMUNHÃO

Lagoinha, a 230 km do Recife, foi palco de um dos atos mais retrógrados, em termos de religião, que se possa imaginar: o ato de excomunhão. Este procedimento indica que a Igreja está, ainda, se firmando em procedimentos que o tempo acabou por colocar no baú das coisas absurdas praticadas no campo religioso. Cheira à Inquisição.
  Uma menina de 9 anos, com1,36 metro de altura e pesando 33 quilos, estava grávida de gêmeos e no quarto mês de gestação. Foi engravidada pelo padrasto, que já abusava da menina há anos. Um quadro típico do nível social que nosso país registra em suas várias regiões.
O art. 124 do Código Penal diz textualmente: “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque – pena- detenção, de um a três anos”  Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, a pena será reclusão de três a dez anos(Art. 125). Se provocar aborto com o consentimento da gestante: pena- reclusão de um a quatro  anos. Pune-se quem faz e pune-se quem ajuda, quem faz e quem induz.
  O Código prevê em seu artigo 128 que: não se pune o aborto praticado por médico(I), se não há outro meio de salvar a vida da gestante e não se pune o aborto no caso de gravidez resultante de estupro(II). Ambos os casos necessitam de fundamentos médicos devida e tecnicamente explicitados e só podem ser feitos sob ordem da Justiça, após a formalização de um processo legal.
  O caso em questão ficou clara e tecnicamente fundamentada. Em não havendo o aborto legal, a menina não teria condições de suportar uma gravidez gemelar(gêmeos). Não se levou em consideração a questão do estupro. O embasamento médico foi o perigo de vida da mãe(criança). A lei autoriza o procedimento médico e a família deve se engajar no procedimento, autorizando o aborto. Tudo feito, tudo consumado.
  Surgem os grandes arautos e a Igreja condena a atitude e excomunga a mãe da menina e os médicos envolvidos. Excomungar quer dizer amaldiçoar, condenar, reprovar. Implica em pena eclesiástica que exclui do gozo de todos ou de alguns dos bens espirituais comuns aos fiéis. Repetem o que fizeram com Joana D’Arc, com Tomas Morus, com Galileu Galilei e tantos outros. Depois vivem pedindo desculpas pelos absurdos cometidos. Esta mesma Igreja luta contra o uso de preservativos no mundo atual que enfrenta gravíssimos problemas com a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
  Por que esta mesma Igreja não trabalha contra médicos católicos e assemelhados que praticam o aborto em clínicas ostensivamente funcionando em todo o país. Por que não ‘excomunga’ membros seus que fazem o aborto por dinheiro?  Por que não paga todas as despesas de aidéticos por todo o mundo contaminados pelo não uso da camisinha? Por que não ajudam a criar e manter crianças produtos de gravidez indevida? Algumas ajudas esporádicas não resolve, a não ser para justificar opiniões. Por que a Igreja se silenciou com relação ao estuprador?  Não é esta figura o grande gerador de tanto sofrimento e confusão? Isto não ´é ‘ pecado’?         
Dizer que tais bispos são ignorantes seria absurdo, mas chego a pensar seriamente nisso.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA "BRAVA GENTE BRASILEIRA"


Antonio Caprio teve seu artigo "A maldição de Pedro II"  publicado na Revista "Brava Gente Brasileira", Ano 1, No 2, tiragem de 01/02/09, página 20, conforme imagem abaixo:


quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

OLHOS DE ESTÁTUA


Pelas ruas, descalço, roupas carcomidas pelo tempo,
Um menino pede pão desejando boas festas.
Feliz Natal!

Na mesma calçada, um homem apressado, evangelho à mão.
Sorriso abundante. Feliz com a vida e si mesmo.
Cumprimenta a todos os que passam.

Não vê nem percebe o menino, muito menos suas chagas.
Não vislumbra sua tristeza e nem condição.
Vai para sua reunião de seu grupo religioso.

Lá, lê o Evangelho que fala da pobreza.
Explica a parábola do amor ao semelhante.
Interpreta o texto com perfeição.

Sai! O cristão cumpridor de seu papel volta para casa.
Esbarra, novamente, com o pedinte menino. Olha austero.
Limpa o local do esbarrão com as mãos. Sujeira.

Indignado corre para casa. Lá luzes, amigos e festa.
Mesa farta. Feliz Natal, diz. Nasceu o Salvador.
Reafirma o amor como pregou Jesus.

Reúnem-se os familiares. Novamente o Evangelho.
Este pede de novo amor ao próximo. Novas mensagens.
Todas de amor, de paz e de fraternidade.

No presépio, o menino-estátua fecha os olhos cerâmicos.
Lágrimas brotam da escultura argilosa, exclamando:
Não foi isto, Pai, que pedi nem ensinei...