Caro visitante:

Seja bem vindo e divirta-se! Em nosso maluco mundo atual, o que não falta é assunto para comentar...ah, e não deixe de cadastrar seu e-mail aqui ao lado esquerdo da tela para receber novidades deste blog.
Mostrando postagens com marcador FILOSOFIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FILOSOFIA. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de agosto de 2011

A SAGA DO HOMEM FRENTE A SEUS SÍMBOLOS


   Por que a Humanidade, desde seus primeiros raios da razão, criou, independentemente, em todos os rincões do planeta, a mesma forma explicativa da origem de tudo, desde o Universo até o homem, variando, apenas, a forma e mantendo idêntico núcleo inicial?
      Caminhemos em busca da resposta seguindo a pista básica: o ser humano é extremamente simbológico. Desde os primeiros momentos no despertar da ‘razão’, o homem se fez acompanhar de seus símbolos, sem os quais não resiste às diversas formas de ação e reação com o meio ambiente que o assusta, aterroriza e ao mesmo tempo o atrai. Símbolo é todo objeto físico que tem uma representação abstrata. Tem valor evocativo, mágico ou místico. Atrás de todo símbolo estão ocultos ensinamentos, crenças e superstições humanas. O símbolo está direta e firmemente relacionado com uma crença ou ritual e, raramente, com a parte religiosa de cada ser humano, embora pareça isto um paradoxo. O homem é primeiramente místico, depois religioso e ainda depois, pode ser ateu, e jamais em linha inversa.
        O ser humano, e somente os humanos, dentre os demais animais, se vale de símbolos para contar, representar e interpretar sua própria história. Não se vale o homem dos símbolos apenas no campo filosófico-religioso, valendo-se deles em toda sua vida, seja social, profissional, familiar e mesmo individual. Os símbolos podem variar de significados conforme a cultura, a região e o tempo. O pentagrama, por exemplo, no início do tempo cristão, representava as cinco chagas de Cristo enquanto que na Wicca, o mesmo símbolo representa os quatro elementos básicos da natureza:  água, terra,fogo, ar e o quinto elemento é o espírito, enquanto que na maçonaria, o pentagrama (estrela de cinco pontas) representa o homem perfeito, no aspecto físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual.
          Símbolo vem do grego antigo symballein significando agregar. Carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma idéia complexa (Mark O’Connel.,Signos & Símbolos,introd.). Confúcio afirma: ‘ Os signos e símbolos governam o mundo, não as palavras e as leis”. Sumer (Sumerianos) é a civilização mais antiga registrada pelos historiadores e são responsáveis pelo primeiro sistema de escrita conhecido.Usavam pictogramas ou ícones valendo-se 2 mil símbolos gráficos,cada um representando uma idéia,uma coisa, não uma palavra, de uso bastante limitado. Depois perceberam que os signos poderiam ser utilizados para representar sons e nasceu a escrita cuneiforme, surgindo uma vasta forma de representação de idéias,coisas e sons. Desta vasta coleção gráfica surgiram os templos, depositários do conhecimento onde as formas,as paredes internas e externas, tetos e pisos eram verdadeiras  bibliotecas disponíveis.Nascem os ziguratos, embriões dos futuros templos, com formas indicativas de montanhas cósmicas como Babel, escada unificadora do céu e da Terra e claramente significando o orgulho humano tentando se igualar à magnificência de Deus. Surgem os símbolos do poder e proteção, as esfinges maciças(Lamassu) com asas, o leão ou o touro com cinco pernas,asas e cabeça humana com barba, representando a vigilância contra os inimigos,o poder humano sobrenatural e a eterna vigilância contra o mal;  a deusa Lua, o deus Sol, as constelações e o zodíaco.
            Seguem-se civilizações como a egípcia, com suas pirâmides significando a ascensão perfeitamente alinhada com o Sol e as estrelas, o cosmo, combinando perfeitamente o triângulo e o quadrado que se tornam companheiros simbológicos da humanidade desde o raiar da consciência humana, indicando o domínio do poder da vida sobre a morte. A ordem é representada por Hórus e Set representava o caos. Os ritos buscavam o equilíbrio das forças e disto surgiram deuses secundários e as seitas, depois transformadas em religiões. A vida continuada após a morte é representada pelo escaravelho e a cruz ansata (o Ankh), formada por uma alça oval invertida (representando o universo, o macrocosmo) acoplada sobre uma cruz tau (T), representando o homem, o microcosmo. Esta simbologia une o Céu e a Terra e o símbolo, que une Osíris(a cruz) e Isis( o oval) é a chave que destrava os portões da morte para a eternidade, fundamento da vida humana no planeta Terra.
            Os gregos e romanos influenciaram a Sociedade Ocidental no campo religioso, social e jurídico. Os deuses e deusas do panteão greco-romano ditavam as normas aos mortais do planeta Terra do Olimpo, cujas ordens emanavam do templo de Apolo em Delfos, nas encostas do Monte Parnassus. Prevaleciam os ciclos da natureza e em cada um, deuses e símbolos atuavam. Reinavam os Mistérios de Eléusis, rituais anuais e secretos, que foram observados por 2 mil anos. Até hoje símbolos ali nascidos se espalham por todo o planeta, como por exemplo, o caduceu, haste ou bastão entrelaçado por duas serpentes (o deus Hermes, grego e Mercúrio, romano), que simboliza a medicina homeopática ou também o comércio); a coroa de louros, ligada a Apolo, a coroa da vitória Greco-romana, largamente usadas em competições internacionais como olimpíadas e outros jogos); os cinco anéis, que formam o símbolo dos jogos olímpicos modernos e tantos outros.  
            A Europa pagã foi rica em mitos e símbolos. Os celtas eram amantes da natureza. O caldeirão celta, de onde renasciam os mortos, foi o precursor do Santo Graal das memoráveis lendas de Arthur. Os anglo-saxões adoravam seus cavalos como deuses representantes da prosperidade e dignidade. Os Vikings eram comandados pelo deus Odin, também detentor do poder do pensamento e da memória contando com a ajuda de Thor e seu poderoso machado, senhor dos raios e trovões, ao lado de Freya, a deusa do amor e da beleza.
            O Oriente Médio foi testemunha do início de civilização que foi o berço do Judaísmo, do Islamismo e do Cristianismo, três riquíssimas fontes de mitos, de símbolos e signos. Os persas fizeram nascer o centro do poder iraniano unindo toda a Mesopotâmia política e cultural ao Egito, outro manancial de simbologia, misticismo e divindades. Faravahar era o deus supremo dos persas – Ahura Mazda, uma imagem majestosa nascida de um disco com asas, representando a aspiração humana de unir-se ao deus. Os bons espíritos(ahuras) e os maus(daevas) criam antagonismos que levam o homem a pensar no passado, no presente e no futuro. O fogo é o elemento purificador no zoroastrismo e um touro branco representa a criação máxima e geradora de todas as outras formas de vida. Os famosos ‘tapetes persas’ representam a estabilidade familiar, social e humana e são símbolos milenares da região. O incenso é o elemento químico natural máximo, representando o sagrado, enquanto que o olibano está associado à masculinidade e o espírito dos céus, e a mirra ao feminino e à terra. As espirais de fumaça clara e aromática formadas pela queima do incenso eram consideradas asas condutoras das orações e representavam a comunhão com os deuses.
            As tendas usadas pelos beduínos simbolizam a dualidade do masculino e do feminino. É o local onde a divindade é convocada a se manifestar; é a ligação entre o Céu e a Terra.  O véu negro usado pelas mulheres indica a condição de mulher casada. O homem é livre, e há o predomínio da cor branco, já que o homem é  independente, em todos os sentidos.
            A África Tribal cultua um arsenal de talismãs, símbolos da energia divina encapsulada em um objeto. Nesta região existe um mundo vasto, diverso e rico em cultos, divindades, cantos, danças e cerimoniais divinos. Seus habitantes acreditam que o poder espiritual possa ser manipulado para o bem ou para o mal. Pajés e Ngangas (benzedeiras) são imprescindíveis na vida social e tribal. As máscaras retratam a diversidade das divindades e dos espíritos dos ancestrais. A cabaça representa o universo e o Sol e a Lua ‘circulam’ em linhas opostas e constantes em torno da superfície da cabaça. A terra, o solo, está no interior da cabaça onde coexiste com os homens. Os tecidos são confeccionados e adorados como talismãs e retratam as famílias. A arte adinkra, que são símbolos pintados à mão, identifica cada grupo étnico e a posição social de cada usuário da roupa, sendo o tecido um grau de ascensão social.
            A simbologia ao sul e a sudoeste da Ásia é rica e dramática. Grandes civilizações já estavam na Índia por volta de 2.500 a.C e na China por volta do ano 200 a.C. O chamado terceiro reino é o Japão, tão rico quanto os dois anteriores em tradições, simbolismos e crenças, remontando ao século VII a.C, legando até a atualidade a dinastia Jimmu. A deidade principal do panteão xintoísta é o Sol e a bandeira japonesa ostenta um sol vermelho sobre um fundo branco puro. Japoneses tem símbolos eternizados como o dragão, símbolo do poder imperial e da tarefa atribuída ao imperador de mediar entre o Céu e a Terra em favor dos homens da ‘ terra do sol nascente’. Outros símbolos são as montanhas (sagradas moradas dos deuses), o faisão (ave celeste), grãos de arroz (alimento), o machado (trabalho), a chama (eternidade), a espiga d’água (a vida), o vaso sacrificial ( a vida eterna) e os padrões representantes da justiça.. São símbolos básicos a Grande Muralha, símbolo do poder, da divisão, de atitudes rigorosas e opressão Na Índia o Taj Mahal é o símbolo duradouro e profundo do amor. Na China o chá é o símbolo do respeito, da fraternidade, da benevolência sendo oferecido a todos os visitantes, não se podendo recusar a oferta sob pena de ofensa. Sete décimos da xícara são preenchidos com café e os outros três décimos representam a amizade e a afeição.
            É importante observar que a simbologia, a crença, os mitos, as lendas são uma constante em todos os pontos do planeta, independentes uns dos outros, mas com uma perfeita relação de significados e fundamentos. Parece que houve uma espécie de onda coletiva que alcançou a todos os povos da Terra, simultaneamente.
            A América Central e a América do Sul guardam esta relação de forma bastante significativa, talvez pela ligação física entre ambos, e isto até de forma mais marcante do que atualmente. Os Maias tinham o deus Itzamná como o mais elevado no panteão, senhor do leste e oeste, do dia e da noite, disseminador do conhecimento, da cultura, da escrita e criador de Mayapan, a grande capital maia. O jaguar era um deus  cultuado e respeitado, representando a realeza. O calendário, criação maia, tem expoente máximo  na Grande Pedra do Sol, que  simbolizava o tempo, fixado em uma rocha com 4 metros de diâmetro e é uma perfeita calculadora de datas, fatos, fenômenos, inclusive em nível extraterrestre, ou seja, em nível cósmico. Afirmam historiadores que os maias praticavam sacrifícios humanos, em especial de inimigos capturados, celebrando a ligação entre os deuses e os homens. Praticavam jogos, um deles assemelhado ao futebol, onde a bola (de um tipo de látex), representava  a Lua ou o Sol e a quadra o mundo. Os huacas eram locais sagrados e eram representados por cavernas, nascentes de rios e os seixos eram amuletos de alta simbologia e proteção. Cada dia reservado à agricultura tinha um deus e, os mais, costumavam desenhar nas grandes encostas montanhosas animais como um beija-flor, uma baleia, um macaco ou uma aranha, que, vistos  de forma aérea, são figuras perfeitamente geométricas, parecendo indicar alguma coisa a um suposto viajante espacial.
            A América do Norte, que em parte do tempo geológico esteve ligada a outras extensões de terra existentes no hemisfério norte e praticamente separada da América Central e do Sul, mostra uma simbologia diferenciada, mas semelhante. O Estreito de Bering era o caminho natural dos habitantes asiáticos que viveram na área há cerca de 15 mil anos. Os nativos americanos mantinham estreita ligação com a natureza, com a terra, Gaia. O Grande Espírito criou tudo e a todos em círculos e tudo se assemelha ao que a grande maioria das religiões indicam como o princípio criacional  da Terra e dos seres vivos, inclusive do Universo. O bisão, o urso, o búfalo, o lobo, a águia destacavam-se como representantes da vida, da força, do equilíbrio e da paz. Montavam seus totens (guardião principal do indivíduo ou da comunidade como um todo) e conta a história dos ancestrais daquele grupo étnico, numa interessante superposição de rostos, elementos naturais, figuras de animais e vegetais. O milho, no sul do México, era uma herança divina da deusa Iroquois, filha da Mãe Terra. Os xamãs usavam o tabaco como meio de ligação com espaços superiores da espiritualidade. Atos diferentes, fundamentos semelhantes, objetivos praticamente iguais, onde tudo é dito, expressado e santificado pelo uso de símbolos signos e crenças.
            As regiões árticas não ficaram de fora nestes mistérios. O Ártico inclui a Sibéria, partes do norte da Rússia, o Alasca, nos Estados Unidos, o norte do Canadá, a Groelândia, a Lapônia, a Finlândia, o norte da Noruega e a Suécia. A região ártica é conhecida como ‘terra do sol da meia-noite’. As forças da natureza são chamadas de innua e fazem parte delas a água, o ar, as pedras e os animais. Estas forças podem ser personificadas pelos guardiões dos homens, os torngak. O iglu é um símbolo de lar e vida familiar. É a residência de gelo utilizada pelos inuítes, os ‘ esquimós’, constituído por blocos de gelo de forma espiral ascendente com um orifício superior. Em 1958 o governo canadense registrou a imagem do iglu como marca indicativa do trabalho dos artistas e dos escultores inuites. Os antigos lapônicos, hoje saami, são caçadores hábeis e acreditam que o mundo foi criado em três escalas: o mundo inferior, o mundo intermediário e o mundo superior, lembrando uma tenda que chamam de ‘tenda cósmica’, onde o ápice é preso à Estrela Polar. O princípio básico da criação do homem e do universo permanece constante em todos os povos. A rena é um símbolo saami com várias facetas da vida e da morte, sendo ela a condutora da alma de uma pessoa para o mundo superior.
            Jung afirmava que um signo esta sempre ligado ao pensamento consciente e que um símbolo representava mais do que o seu significado óbvio e imediato, buscando algo ainda não conhecido e que  ocorriam, signos e símbolos, não apenas nos sonhos mas em todos os tipos de manifestações psíquicas. A Teoria do Inconsciente de Jung expressa que o homem se vale de símbolos para expressar os temas universais humanos, e ,por conseqüência, a universalização do mesmo pensamento básico da ação criativa em todos os pontos do planeta e em todos os tempos, desde o estalar de dedos da ‘razão humana’.
            O homem antigo e o homem atual são submetidos, historicamente, sempre, às mesmas pressões do meio e do grupo social onde viveram e vivem. Não poderiam agir de forma diferente quanto às suas crenças e nem teriam signos ou símbolos de diferentes significados, apesar de terem estes símbolos formas diversas de serem grafados e isto em razão de que, tanto o homem antigo como o homem atual, caminharem sob a ação dos mesmos elementos em todos os tempos: o ar, o fogo, a água e a terra. Desta ação, a reação não poderia ser diferente, daí as crenças se basearem, sempre, nos mesmos fundamentos e as religiões nos mesmos pilares, em semelhantes dogmas, tratados de formas diferenciadas no transcorrer dos séculos..
            Por esta razão, todas as religiões têm o mesmo princípio básico: um Deus criador de todas as coisas e muitos deuses ou divindades para administrarem todas estas diferenças.

            Tanabi, agosto de 2011.





domingo, 8 de maio de 2011

O VOTO POPULAR E SUA IMPORTÂNCIA



          O voto popular é uma ferramenta que interfere na vida do cidadão, do município, do estado e do país. É impressionante como este instrumento é poderoso, interferindo no presente e no futuro do cidadão, escrevendo o seu passado.
       O homem sempre teve direito a votar, ou escolher seus líderes, em vários momentos da história humana. A mulher, nem sempre. Só em 1893, na Nova Zelândia, a mulher adquiriu o direito de votar. No Brasil a mulher ganhou este direito  em 1934. O último país a conceder o direito de voto à mulher foi a Suíça, na década de 70.
         O habitante do Brasil votou pela primeira vez nas vilas de São Vicente e São Paulo, em 1532. Escolheram, pelo voto indireto, seis representantes junto da Coroa Portuguesa. Em 1821, seguindo o Livro das Ordenações, criado em 1603, escolheram 72 representantes em toda a Colônia. Em 1822 só votavam os ricos e brancos. Em 1889, com a Lei Saraiva, o voto foi proibido aos menores de 21, aos analfabetos, aos mendigos, aos soldados rasos, aos indígenas e aos integrantes do Clero. Não tínhamos partidos políticos nem voto secreto.
         Nossa primeira legislação eleitoral nasceu com a Constituição outorgada por Pedro I, em 1824. O voto era censitário, permitia-se o voto por procuração, o que gerou muitas fraudes. Este tipo de voto só proibido em 1842, quando também o voto distrital passou a não ter valor. A Lei Saraiva, de 1889, passou a exigir a fotografia do eleitor para se evitar fraudes. Pouco adiantou.
         Em 1891 o brasileiro elegeu pelo voto direto seu primeiro Presidente da República, o senhor Prudente de Moraes. Durante o período de 1889 a 1930 o voto de cabresto, ou seja, dirigido pelo chefe político local, imperava no território brasileiro. Em 1932 tivemos nova legislação eleitoral, e as mulheres passaram a ter direito ao voto, direito esse que realmente passaram a exercer a partir de 1945, com a queda do Estado Novo, iniciando-se a redemocratização do Brasil. Desde 1930 o voto passou a ser secreto. De 1937 a 1945, ficamos sem exercer o direito ao voto sob o jugo de Vargas. Com os militares no poder a partir de 1964 as eleições foram restritas só voltando em 1985, com a eleição da Tancredo e a posse do vice, Sarney. Em 1989 o direito pleno ao voto foi restabelecido no Brasil.
         O voto eletrônico passou a funcionar a partir de 2000. Até então eram usadas cédulas de papel, geratriz de fraudes fantásticas.
         Como se vê,esta ferramenta foi duramente conquistada e hoje é usada com um desdém que causa espanto.É obrigatório, porque em caso contrário é possível que não apareça nem o juiz eleitoral para presidir o pleito. É impressionante como o voto é usado nos processos eleitorais para usurpação de cargos no legislativo e no executivo, fora outros poderes e instituições. É lamentável como ferramenta tão importante é tratada, transformando-se em forte forma de assunção ilegítima ao poder. É inadmissível que um presidente da república, em especial, alcance o cargo maior do país trocando votos com instrumentos medíocres que se mostram muito pior e muito mais prejudicial que o voto de cabresto e os velhos currais eleitorais de ontem. Por todas as maneiras são  induzidos os eleitores a trocar o voto por uma cesta básica, uma bolsa-escola, uma bolsa-família ou assemelhados ou uma esmola financeira mensal. Com isto  institui-se a pobreza tornando-a obrigatória e continuada.
         A quem caberia ou cabe a conscientização do povo sobre  o perfeito uso de tão importante ferramenta? O que fazer para que todos os eleitores possam entender o quão poderoso é este ato, este poder que conquistamos com tantos sacrifícios?
         Creio que é só com o bom uso desta ferramenta fantástica nosso país poderá, realmente, exercitar a verdadeira e plena democracia e banir a corrupção, fazendo nascer realmente o governo do povo, para o povo e pelo povo, sem restrições.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

QUEM PODE JOGAR A PRIMEIRA PEDRA?

          
          O ser humano, e também o brasileiro de uma forma geral, parece ter vocação para desastres e noticias ruins. Basta um fato se registrar envolvendo mortes, catástrofes ou mesmo noticias menos dramáticas, que todos se postam diante do televisor para saber das últimas, parecendo querer absorver aquelas forças negativas e, o que é pior, ter de tolerar as perguntas cretinas dos repórteres e a insistência da repetição de cenas de dor e violência à exaustão.
            É impressionante como a grande maioria dos reportes e âncoras de programas televisivos se mostram vampirescos, negativos, sorvedores de energia negativa emanada do fato em andamento, como que atingindo êxtases através da dor e do sofrimento das vítimas envolvidas no evento.  É impressionante como a mídia insere na cabeça do público em geral quem é o grande culpado, o grande responsável pela dor e pelo desespero, indiciando, condenando e matando o possível autor do fato de forma antecipada e sem defesa.
            É claro que o autor da chacina do Rio de Janeiro é culpado. Não há dúvidas da culpabilidade do mesmo. Mas, será que é preciso tanta força na caça às bruxas como está se fazendo no presente caso e em casos assemelhados? Será preciso tanta violência dirigida e organizada contra este ou aquele que está envolvido na autoria dos fatos?  Será necessária tanta fúria para justificar um crime ou uma ação condenável cometida por um cidadão, um membro da sociedade humana, de uma comunidade?
            Quem é este jovem envolvido na chacina? Alguém sabia da existência dele antes? Não será ele produto desta apatia social que ai está, onde um jovem com vinte e poucos anos se vê sozinho entre seus semelhantes e jamais irmãos ou coisa parecida, não tendo a quem pedir um conselho, um socorro ou mesmo uma ajuda para poder pensar no que fazer?  Não será ele, primeiramente, a grande vítima deste rumoroso processo?
            A religião é um ópio, bem o sabemos, mas ela pode evitar isto e muito mais. A religiosidade conturba em muitos casos, mas neste poderia ter sido a solução, mesmo com as garras com que muitas igrejas escravizam seus membros. Mesmo assim acaba sendo válida a vinculação a esta ou aquela religião. Pelo menos o jovem do presente caso, caso estivesse agregado a uma religião, estaria inserido num grupo, num conjunto de semelhantes com as mesmas dificuldades e se ajudando mutuamente a vencer ou ser ajudado  nesta perigosa selva social em que nos vemos envolvidos diuturnamente.
            O episódio não foi o único nem será o último. Que a sociedade aprenda com esta forte dose de dor e assista seus membros com mais amor no coração e que estendam a mão a muitos outros que estão na mesma situação e que poderão não ter a quem pedir ajuda antes que façam o pior ou se matem.
Alerta, caros ‘seres humanos’!

domingo, 15 de março de 2009

EXCOMUNHÃO

Lagoinha, a 230 km do Recife, foi palco de um dos atos mais retrógrados, em termos de religião, que se possa imaginar: o ato de excomunhão. Este procedimento indica que a Igreja está, ainda, se firmando em procedimentos que o tempo acabou por colocar no baú das coisas absurdas praticadas no campo religioso. Cheira à Inquisição.
  Uma menina de 9 anos, com1,36 metro de altura e pesando 33 quilos, estava grávida de gêmeos e no quarto mês de gestação. Foi engravidada pelo padrasto, que já abusava da menina há anos. Um quadro típico do nível social que nosso país registra em suas várias regiões.
O art. 124 do Código Penal diz textualmente: “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque – pena- detenção, de um a três anos”  Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, a pena será reclusão de três a dez anos(Art. 125). Se provocar aborto com o consentimento da gestante: pena- reclusão de um a quatro  anos. Pune-se quem faz e pune-se quem ajuda, quem faz e quem induz.
  O Código prevê em seu artigo 128 que: não se pune o aborto praticado por médico(I), se não há outro meio de salvar a vida da gestante e não se pune o aborto no caso de gravidez resultante de estupro(II). Ambos os casos necessitam de fundamentos médicos devida e tecnicamente explicitados e só podem ser feitos sob ordem da Justiça, após a formalização de um processo legal.
  O caso em questão ficou clara e tecnicamente fundamentada. Em não havendo o aborto legal, a menina não teria condições de suportar uma gravidez gemelar(gêmeos). Não se levou em consideração a questão do estupro. O embasamento médico foi o perigo de vida da mãe(criança). A lei autoriza o procedimento médico e a família deve se engajar no procedimento, autorizando o aborto. Tudo feito, tudo consumado.
  Surgem os grandes arautos e a Igreja condena a atitude e excomunga a mãe da menina e os médicos envolvidos. Excomungar quer dizer amaldiçoar, condenar, reprovar. Implica em pena eclesiástica que exclui do gozo de todos ou de alguns dos bens espirituais comuns aos fiéis. Repetem o que fizeram com Joana D’Arc, com Tomas Morus, com Galileu Galilei e tantos outros. Depois vivem pedindo desculpas pelos absurdos cometidos. Esta mesma Igreja luta contra o uso de preservativos no mundo atual que enfrenta gravíssimos problemas com a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
  Por que esta mesma Igreja não trabalha contra médicos católicos e assemelhados que praticam o aborto em clínicas ostensivamente funcionando em todo o país. Por que não ‘excomunga’ membros seus que fazem o aborto por dinheiro?  Por que não paga todas as despesas de aidéticos por todo o mundo contaminados pelo não uso da camisinha? Por que não ajudam a criar e manter crianças produtos de gravidez indevida? Algumas ajudas esporádicas não resolve, a não ser para justificar opiniões. Por que a Igreja se silenciou com relação ao estuprador?  Não é esta figura o grande gerador de tanto sofrimento e confusão? Isto não ´é ‘ pecado’?         
Dizer que tais bispos são ignorantes seria absurdo, mas chego a pensar seriamente nisso.