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quinta-feira, 21 de julho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MENTE HUMANA

       
    O estudo das diversas ações pedagógicas de nosso tempo indica que o ser humano está em franca, continuada, incontrolável e sadia rota. Freire, em seu trabalho ‘Pedagogia da Autonomia’ nos ensina que só pode ensinar certo quem pensa certo, mesmo que às vezes pense errado. Continua dizendo: ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação. Assmann orienta que ‘educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar, mediante sua própria experiência do conhecimento’.
            Edgard Morin, em sua obra ‘ Os sete saberes necessários à educação do futuro, Ed. Cortez-SP, 2006, é um convite à reflexão com os pés no chão de forma a que o educador, o educando e a sociedade se complementem na esteira do tempo que nunca interrompe seu fluxo e a cada dia exige mais e mais de todos os envolvidos neste milenar processo de educação e do conhecimento.
            Destaca o educador que ‘ as idéias existem pelo homem e para o homem; o homem existe pelas idéias e para elas’. Podemos matar pessoas, queimar livros, mas as idéias subsistem incorruptíveis e eternas e elas servem ao homem e não às pessoas. As religiões foram criadas pelos homens para driblar suas incertezas para com Deus ou mesmo para com seus deuses. Pela religiosidade, pelas doutrinas impostas pelos líderes religiosos, as ideologias se submetem ao erro protegidas pelo próprio sistema de idéias que são transformadas em ‘verdades’.  De forma natural e até lógica, as doutrinas se fecham sobre si mesmas e se protegem contra as críticas que anunciam, expõem ou denunciem suas falhas e pontos atacáveis pelo raciocínio de algum seguidor.
            A religiosidade é natural no ser enquanto pensante, lógico, matemático, consciente, inquiridor e renovador. A cada dia a mente humana busca ser corretiva, criando uma forte carapaça protetora contra o erro e a ilusão. Diz Morin: ‘a mente é dotada de potencial de mentira para si próprio( self-deception). A memória é fonte de erros. A mente seleciona, inconscientemente, as lembranças que convém e realça ou apaga as que incomodam. A alucinação e a percepção do mundo real andam de mãos dadas e num antigo e parece eterno namoro já tendo levado o homem a situações bastante embaraçosas. Mentiras foram criadas para impedir o rompimento de ambas as forças e desta manutenção alucinatória foram criadas seitas, religiões, credos e escritos livros que passaram a ser chamados de sagrados.
Praticamente cem por cento do funcionamento orgânico depende dos hormônios gerados pela própria máquina biológica, com fortíssimos reflexos sobre ínfimo percentual que liga o homem interno ao mundo exterior. O homem externo precisa da alucinação sem a qual não processa a ligação com o seu eu interno. Desta conexão nasce o eu eterno, o eu dominador, o eu universal.
A cultura é um extraordinário conjunto de conhecimentos, de regras, de normas, de leis, de crenças, de idéias, de valores, de mitos que desembocam no oceano maior que é a religiosidade. O eu físico se conecta com o eu imortal, com os deuses criados, imaginados, com seus mitos, suas necessidades, sonhos, devaneios e surge a alegada realidade.
A poderosa máquina física, comandada e orientada pelo cérebro humano, uma obra prima da natureza e fortíssima geradora de energia, irradia um poder incomensurável, transformador do pensamento em coisa concreta e coisa concreta em um conjunto extraordinário de extrapolações que ele, a criatura e os seus deuses, classificam como teosofia, filosofia e ciência, e destes três pilares, nascem os fundamentos da humanidade terrestre.
E este ser, um amontoado de cem trilhões de diminutas células e dotada do estranho processo chamado vida, o homem  se alça para o éter universal, ambicionando dominar os mais profundos pontos deste incomensurável Universo.
E ele o fará, sem dúvida. 

domingo, 8 de maio de 2011

O VOTO POPULAR E SUA IMPORTÂNCIA



          O voto popular é uma ferramenta que interfere na vida do cidadão, do município, do estado e do país. É impressionante como este instrumento é poderoso, interferindo no presente e no futuro do cidadão, escrevendo o seu passado.
       O homem sempre teve direito a votar, ou escolher seus líderes, em vários momentos da história humana. A mulher, nem sempre. Só em 1893, na Nova Zelândia, a mulher adquiriu o direito de votar. No Brasil a mulher ganhou este direito  em 1934. O último país a conceder o direito de voto à mulher foi a Suíça, na década de 70.
         O habitante do Brasil votou pela primeira vez nas vilas de São Vicente e São Paulo, em 1532. Escolheram, pelo voto indireto, seis representantes junto da Coroa Portuguesa. Em 1821, seguindo o Livro das Ordenações, criado em 1603, escolheram 72 representantes em toda a Colônia. Em 1822 só votavam os ricos e brancos. Em 1889, com a Lei Saraiva, o voto foi proibido aos menores de 21, aos analfabetos, aos mendigos, aos soldados rasos, aos indígenas e aos integrantes do Clero. Não tínhamos partidos políticos nem voto secreto.
         Nossa primeira legislação eleitoral nasceu com a Constituição outorgada por Pedro I, em 1824. O voto era censitário, permitia-se o voto por procuração, o que gerou muitas fraudes. Este tipo de voto só proibido em 1842, quando também o voto distrital passou a não ter valor. A Lei Saraiva, de 1889, passou a exigir a fotografia do eleitor para se evitar fraudes. Pouco adiantou.
         Em 1891 o brasileiro elegeu pelo voto direto seu primeiro Presidente da República, o senhor Prudente de Moraes. Durante o período de 1889 a 1930 o voto de cabresto, ou seja, dirigido pelo chefe político local, imperava no território brasileiro. Em 1932 tivemos nova legislação eleitoral, e as mulheres passaram a ter direito ao voto, direito esse que realmente passaram a exercer a partir de 1945, com a queda do Estado Novo, iniciando-se a redemocratização do Brasil. Desde 1930 o voto passou a ser secreto. De 1937 a 1945, ficamos sem exercer o direito ao voto sob o jugo de Vargas. Com os militares no poder a partir de 1964 as eleições foram restritas só voltando em 1985, com a eleição da Tancredo e a posse do vice, Sarney. Em 1989 o direito pleno ao voto foi restabelecido no Brasil.
         O voto eletrônico passou a funcionar a partir de 2000. Até então eram usadas cédulas de papel, geratriz de fraudes fantásticas.
         Como se vê,esta ferramenta foi duramente conquistada e hoje é usada com um desdém que causa espanto.É obrigatório, porque em caso contrário é possível que não apareça nem o juiz eleitoral para presidir o pleito. É impressionante como o voto é usado nos processos eleitorais para usurpação de cargos no legislativo e no executivo, fora outros poderes e instituições. É lamentável como ferramenta tão importante é tratada, transformando-se em forte forma de assunção ilegítima ao poder. É inadmissível que um presidente da república, em especial, alcance o cargo maior do país trocando votos com instrumentos medíocres que se mostram muito pior e muito mais prejudicial que o voto de cabresto e os velhos currais eleitorais de ontem. Por todas as maneiras são  induzidos os eleitores a trocar o voto por uma cesta básica, uma bolsa-escola, uma bolsa-família ou assemelhados ou uma esmola financeira mensal. Com isto  institui-se a pobreza tornando-a obrigatória e continuada.
         A quem caberia ou cabe a conscientização do povo sobre  o perfeito uso de tão importante ferramenta? O que fazer para que todos os eleitores possam entender o quão poderoso é este ato, este poder que conquistamos com tantos sacrifícios?
         Creio que é só com o bom uso desta ferramenta fantástica nosso país poderá, realmente, exercitar a verdadeira e plena democracia e banir a corrupção, fazendo nascer realmente o governo do povo, para o povo e pelo povo, sem restrições.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

QUEM PODE JOGAR A PRIMEIRA PEDRA?

          
          O ser humano, e também o brasileiro de uma forma geral, parece ter vocação para desastres e noticias ruins. Basta um fato se registrar envolvendo mortes, catástrofes ou mesmo noticias menos dramáticas, que todos se postam diante do televisor para saber das últimas, parecendo querer absorver aquelas forças negativas e, o que é pior, ter de tolerar as perguntas cretinas dos repórteres e a insistência da repetição de cenas de dor e violência à exaustão.
            É impressionante como a grande maioria dos reportes e âncoras de programas televisivos se mostram vampirescos, negativos, sorvedores de energia negativa emanada do fato em andamento, como que atingindo êxtases através da dor e do sofrimento das vítimas envolvidas no evento.  É impressionante como a mídia insere na cabeça do público em geral quem é o grande culpado, o grande responsável pela dor e pelo desespero, indiciando, condenando e matando o possível autor do fato de forma antecipada e sem defesa.
            É claro que o autor da chacina do Rio de Janeiro é culpado. Não há dúvidas da culpabilidade do mesmo. Mas, será que é preciso tanta força na caça às bruxas como está se fazendo no presente caso e em casos assemelhados? Será preciso tanta violência dirigida e organizada contra este ou aquele que está envolvido na autoria dos fatos?  Será necessária tanta fúria para justificar um crime ou uma ação condenável cometida por um cidadão, um membro da sociedade humana, de uma comunidade?
            Quem é este jovem envolvido na chacina? Alguém sabia da existência dele antes? Não será ele produto desta apatia social que ai está, onde um jovem com vinte e poucos anos se vê sozinho entre seus semelhantes e jamais irmãos ou coisa parecida, não tendo a quem pedir um conselho, um socorro ou mesmo uma ajuda para poder pensar no que fazer?  Não será ele, primeiramente, a grande vítima deste rumoroso processo?
            A religião é um ópio, bem o sabemos, mas ela pode evitar isto e muito mais. A religiosidade conturba em muitos casos, mas neste poderia ter sido a solução, mesmo com as garras com que muitas igrejas escravizam seus membros. Mesmo assim acaba sendo válida a vinculação a esta ou aquela religião. Pelo menos o jovem do presente caso, caso estivesse agregado a uma religião, estaria inserido num grupo, num conjunto de semelhantes com as mesmas dificuldades e se ajudando mutuamente a vencer ou ser ajudado  nesta perigosa selva social em que nos vemos envolvidos diuturnamente.
            O episódio não foi o único nem será o último. Que a sociedade aprenda com esta forte dose de dor e assista seus membros com mais amor no coração e que estendam a mão a muitos outros que estão na mesma situação e que poderão não ter a quem pedir ajuda antes que façam o pior ou se matem.
Alerta, caros ‘seres humanos’!

domingo, 3 de abril de 2011

SOS EDUCAÇÃO

                       A educação pública (e a particular, em quase cem por cento) parece ter chegado ao fundo do poço, embora já venha dizendo isto há mais de vinte anos e principalmente desde quando a parafernália de invenções didático-pedagógicas começou a tomar conta da cúpula responsável pela educação nacional e estadual (paulista). Parece que cada governo disputa com os anteriores quem fica com a taça de maior criador de decretos, portarias, resoluções e até leis no campo educacional, enquanto, na prática, o atual grupo político no poder paulista ergue a taça da criatividade inócua e porque não dizer burra. Quero deixar claro que não estou feliz com a derrocada da educação, pelo contrário, muito pelo contrário.
            O Idesp- Índice de Desenvolvimento Educacional do Estado de São Paulo é um indicador da qualidade das séries iniciais (1ª à 4ª iniciais e das finais – 5ª à 8ª e agora 9ª).  Baseia-se nos exames do Saresp e no fluxo escolar. O Saresp é o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar, que envolve o ensino e a família e gestores escolares, bem como o ensino médio(3ª série). O ano de 2010 apresentou alguma melhoria nos rendimentos escolares, apesar da propaganda enganosa veiculada pela mídia,mas, ainda, indica que estamos muito aquém do mínimo ideal, bastando-se analisar o resultado onde 92% das escolas da antiga oitava série está praticamente reprovada em sua missão de ensinar.Uma escola na região alcançou 6,0 no ensino fundamental e uma 5,25 no ensino médio. As demais praticamente alcançam 3, ou décimos a mais na escala até 10,0.
            O cúmulo acontece: atrelam o bônus do professor ao desempenho da escola. Será que precisa perguntar o que acontece com este sistema medíocre e claramente gerador de falsidade ideológica?
            Sou da época do exame de admissão para a matrícula na quinta série. A coisa era pra valer. As provas vinham da secretaria da educação lacradas e o aluno era submetido a um ‘vestibular sério’. Eram examinados alunos e professores. Se uma série ou classe não ia bem, ficava claro que o professor não cumpriu seu trabalho e não ensinou como devia respeitadas as situações extraordinárias.  Não se pensava em reforço nem em aprovação continuada ou automática. Passava quem sabia de fato e a média era sete (7,0). E não 5,0(cinco) como atualmente. O castigo físico era presente, não discutindo aqui se ele era correto ou não, mas o que se sabe é que a coisa funcionava mesmo. Hoje dizem: o sistema era bom, mas excludente. Havia muitos alunos fora da escola. Balela. Estava na escola quem queria estudar e tinha por trás uma família verdadeiramente interessada na educação dos filhos.A inclusão escolar como está  é outra coisa perigosa.
            A indústria da criatividade continua a todo o vapor. Alegando cumprir a LDB, os gênios educacionais implantaram a progressão continuada, produto da Deliberação CEE 09/97. Filosoficamente lindo o seu conteúdo, mas não para a escola brasileira. Atrelada a esta ‘maravilha’ está o sistema de ciclos. Um terremoto nunca vem sozinho. De continuada se tornou automática, de automática num verdadeiro tsunami envolvendo milhares de seres em formação transformando-os em vítimas da mesma forma como aqueles contaminados pela irradiação atômica sem controle. Morrerão assim sem cura e sem retorno à normalidade mínima no direito de ler, escrever, pensar e representar o que pensam pela escrita ou pela matemática.
            Exercitando a ‘sanha’ em modernizar e gerar estatísticas favoráveis, implantou--se o processo da reclassificação (Res. SE 20/98). Outra pérola inserida no contexto. Mais uma chibatada nas costas do aluno e, por conseguinte, do professor e da educação como um todo. A reclassificação é um mecanismo que consiste em rever e alterar a classificação do aluno, matriculando-o ou transferindo-o para a série mais avançada em relação à anteriormente cursada, observando-se a correspondência idade/série. Mais uma vez a Lei de Diretrizes e Bases (9294/96) é invocada e aplicada a bel prazer. O mecanismo pretendia adequar um aluno à realidade dele, ou seja, tem idade e CONHECIMENTO comprovado vai para a série seguinte mediante avaliação séria; não tendo, pode VOLTAR, como uma espécie de correção de erro passado. A coisa na prática NÃO é assim. As  escolas, mesmo sem previsão regimental, montam processo irreal de provinhas com cartas marcadas e empurram o aluno para a série seguinte e o resto que se dane. Os professores SÃO OBRIGADOS a assinar e dar as notas necessárias. Falta ética, falta seriedade, falta tudo, sobrando a falsidade ideológica que se mostrar latente e perigosa, em especial por quem propõe, por quem participa e pela família que acaba concordando, quando ela que deveria requerer, se o aluno tivesse mesmo condições de galgar série seguinte e corrigir a rota educacional.A reclassificação teve como base uma idéia aceitável, mas na prática se tornou em mais um elo nesta falida massa educacional.
            Os cidadãos, a escola, a família, a sociedade, as autoridades envolvidas no processo educacional, como atores perfeitos, demonstram publicamente perplexidade diante dos índices. Mostram-se surpresos, quando sabem que a coisa ainda está muito mais séria do que se publica.  E o que se faz para se barrar este processo canceroso da decadência educacional em nossas escolas? Quem pagará pela má formação deste exército de crianças que amanhã serão os cidadãos responsáveis por este país? Que futuro nos aguarda comandados por pessoas assim formadas?
            Destaquei três pontos que tornaram o processo educacional num paciente em fase terminal: progressão continuada, promoção automática e reclassificação. São muitos os outros que estão em processo de contaminação grave contra o educando. Não se pode deixar de lado a má formação do professor. Ser professor é um ministério. Deve haver amor pelo que se faz, dedicação e doação em favor do ser em formação que está diante e dependente do profissional da educação. Não se pode fazer do magistério uma função porque não se consegue fazer outra coisa. Isto se agrega ao tumor em formação e o torna maior e mais perigoso ainda.
            Economistas acharam  um meio de minorar a questão inflacionária no país. Será que não vem nunca uma proposta que transforme a educação brasileira em uma esperança, em um novo tempo e naquilo que ela realmente deve ser?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EDUCAÇÃO - UMA PERIGOSA ROTA DE COLISÃO COM O FUTURO



Muito se tem escrito e falado sobre educação e a grande maioria do que se pensa, diz e se escreve cai no esquecimento. A Constituição Federal de 1988 (Art. 205) determina que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Vai mais longe ao afirmar que é incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Pura balela como a grande maioria dos artigos da referida carta. Praticamente a Carta Maior é burlada quase que integralmente com maestria, por grande parte dos poderes e seus executores responsáveis, inclusive seus fiscais e defensores juramentados.
O Inciso VII do art. 206 determina: garantia de padrão de qualidade. Este o cerne da questão que se enfoca atual e de forma gravemente tardia. Os prejuízos causados pela inobservância deste mandamento são irrecuperáveis. As duas últimas gerações estão severamente comprometidas quanto à qualidade do ensino ministrada em nosso país.
As causas são várias e uma delas, e gravíssima, é a qualidade dos profissionais de ensino. Fugir desta constatação é demagogia.  As ‘fábricas de diplomas’ estão a pleno vapor. Habilitações no ensino fundamental, médio, licenciaturas, bacharelados, especializações, mestrados e doutorados estão á venda em todo o país. Outra questão, severamente grave, é a educação familiar, base da educação e que não deixa de ser um dos tripés do processo educacional. A terceira é o uso incontrolado de drogas lícitas e ilícitas, onde o acabamento, o reboco e a pintura, são a ineficiência e a cegueira dos órgãos repressores.
O Art. 213 da Constituição Federal abriu portas e janelas para a exploração da educação por particulares e o sistema hoje está como que um organismo atacado por vírus e bactérias que destroem a educação e a torna fraca e decadente, gerando altos lucros e vantagens em um número crescente de exploradores.
A questão da rebeldia e da certeza da promoção automática são elementos figurativos, facilmente controláveis. A comunicação, falsamente propalada como moderna, está centrada em métodos impostos como o computador e a facilidade da obtenção de informações em larga escala via internet. Informação sem alicerce no uso é como  sorvete sob o sol forte.
A qualidade do ensino é impressionantemente decrescente. A comunicação escrita está seriamente comprometida pelos processos criados pela Educação Nacional assemelhando-se a um laboratório que cria monstros e os impõe como métodos modernos e eficientes. As malditas apostilas e textos elaborados agilizam o processo de decadência. A interpretação de textos simples é assustadoramente ineficiente. O sistema de ensino está falido como um todo. Assemelha-se a um paciente terminal e seus defensores se movimentam para manter a UTI em ação, sabendo ser o caso insolúvel.
O processo educativo se faz, apenas, pelos olhos e pelos ouvidos (ou pelo tato, no Braile). Não se aprende levando livros em baixo dos braços. Não se aprende pelas axilas nem por nádegas amassadas nas cadeiras escolares. Um processo exige fases iniciais, decorrentes e finais. Nada se aprende por meios mágicos e mirabolantes. O tempo é a plataforma do conhecimento. Cultura é a somatória desta colheita que se desloca num tempo longo e que não pode ter interrupções. Não há cultura sem conhecimento; não há conhecimento sem educação; não há educação sem um projeto com raízes e alicerces bem elaborados. Recentemente os responsáveis pela educação nacional deram início a mais uma investida: será eliminada a reprovação na terceira série do ensino fundamental ( que já era coisa rara). Entendem ser um ponto negativo no processo educacional. (?)
O grande e insubstituível artífice deste processo é o professor bem preparado e comprometido com o processo educacional. Fora disso, é utopia total.
Educar é um processo e um processo educacional leva no mínimo vinte anos para se completar.  Tem razão o professor Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do projeto ‘Todos pela Educação’. Os últimos anos foram perdidos numa comprometedora degradação do conhecimento (previsto pelo educador Frota Pessoa há mais de 5 décadas) e sob uma falsa alegoria modernista e pseudo-inovadora. Não há como corrigir o que foi feito. Urge, entretanto, que não se continue como estamos numa rota de iminente colisão com o futuro. O choque é inevitável. As conseqüências já se mostram assustadoras.
O que a imprensa está propalando é apenas a ponta do iceberg. A situação está muito mais séria do que se divulga. Urge ação, e já, de todos e não apenas do governo.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EDUCAÇÃO: REFLEXÕES NECESSÁRIAS




A educação é um processo moroso que se inicia nos primeiros momentos da vida de uma pessoa, de um indivíduo, e se prolonga por toda sua vida. As fases são naturais e não podem ser ‘puladas’. Não se admite falhas neste processo. Deve ele ser constante, sequencial e cumulativo.
Houve tempo em que a educação era responsabilidade única do Estado enquanto poder político organizado. Só haviam escolas oficiais, reconhecidas e dotadas de poder absoluto na busca de seu objetivo: transmitir conhecimentos. Hoje ensinar é preparar o cidadão para o exercício pleno da cidadania.
Segundo Freire em seu livro ‘Pedagogia da Autonomia’1996, ensinar exige pesquisa, exige respeito aos saberes dos educandos; ensinar exige criticidade; ensinar exige estética e ética; ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo; ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; ensinar exige reflexão crítica sobre a prática; ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Defendeu o referido educador a progressão continuada que, infelizmente, acabou sendo convertida em promoção automática, que se tornou no grande fantasma da educação.
Ensinar não é transferir conhecimento. Há necessidade de se ter em mente que ensinar exige consciência do inacabamento do educando e do educador, visto que o ser nunca aprende tudo sobre tudo nem ensina o que não sabe e nem mesmo tudo o que sabe.
Recentemente foi constatado que 26% dos professores da rede pública estadual afirmaram que seus alunos não sabem ler nem escrever. Entendo que a porcentagem é pequena, e com certeza as respostas tentaram ‘encobrir’ um percentual muito mais elevado, talvez até por buscar encobrir a defasagem em que o ensino realmente se encontra ou a própria participação do pesquisado no processo. A repetência no ensino médio é assustadora,somada à desistência, sendo necessário se destacar que a maioria dos alunos é aprovada pelo conselho, ou seja, é ‘empurrada’ para frente. Basta se ler as atas dos conselhos de classe onde predomina a expressão: ‘aprovado pelo conselho’, o que significa, foi reprovado, mas foi promovido para a série seguinte. Nesta fase o professor é conivente, pacífico, calado e concorda com o que os gestores da escola desejam,determinam a mando de esferas superiores. Semelhante procedimento é adotado no ensino fundamental.
Em 2010 o Estado de São Paulo obrigou as escolas a promoverem alunos que estejam em defasagem de idade, conforme a série. O processo se chama ‘reclassificação’, ou seja, o aluno tem idade para estar na sexta, sétima ou oitava séries, então ele ‘pula’ para a série conforme sua idade, mediante um procedimento de “provinhas” que são montadas e que não representam a verdade, tudo num verdadeiro ‘ circo educacional’. Promove-se o aluno sem nenhum ‘pudor’ didático ou  pedagógico. O criador deste processo deveria ser responsabilizado. Pensou no equilíbrio das idades mas cometeu um verdadeiro crime quando aos princípios básicos da educação.
O mercado de escritores sobre pedagogia da educação está totalmente inchado. A grande maioria dos autores nunca deu uma aula a não ser como aulas-modelos para clientelas montadas para o ‘espetáculo’ educacional. São teóricos que sonham enquanto os professores no batente das salas de aulas estão em constantes pesadelos.  Raríssimos são os que enfrentaram os 200 dias letivos mais 165 na preparação de todo o trabalho do período letivo. Das duas uma: ou rasgariam o que escreveram ou reescreveriam  tudo demonstrando o que realmente ai está.
O tempo, num passeio por um determinado espaço medido por anos, modifica o ser, os grupos sociais, os estados e até os pensamentos que foram entendidos como imutáveis por serem próprios da essência humana. O indivíduo, em processo de educação, se adapta ao tempo vivido. Absorve as ‘perfumarias’ da época e do meio onde vive.  Transforma-se. Transmuta-se de um ser natural em um ser produzido, montado conforme as circunstâncias e o desejo do poder político reinante. O que determina tudo e o que realmente interessa, são as ‘estatísticas’ positivas, números.
No sistema adotado recentemente, as avaliações para progressão continuada (introduzida em 1998, junto com o sistema de ciclos que praticamente extingue a repetência) serão feitas nas 2,4ª,6ª e 8ª séries e não mais apenas na 2ª,4ª e 8ª séries, que também eram presentes só no papel. De que adianta a avaliação se não há retenção? Se fosse ‘pra valer’, alguma coisa de bom aconteceria, mas na prática ficará, como antes, apenas no papel e os conselhos continuarão a ‘promover’ os alunos, mesmo que tenham notas vermelhas em todas as disciplinas e registrem, como condição ‘sine qua non’ presenças (física) dentro do mínimo necessário. O aluno sabe que será promovido e em razão disto, deixa as coisas acontecerem do jeito que for melhor e mais proveitoso para ele. O estudante bom deixa de estudar; o que não quer nada com nada, nada de braçadas nos seus conceitos de matar o tempo na escola. A criança na escola dá à família um tempo de sossego e não há mais interação plena entre os dois pilares da educação que são a família e a escola. Ambas estão totalmente divorciadas. Registro aqui meu repúdio à idéia da reprovação pela reprovação.
O processo de recuperação paralela ou mesmo de reforço são utopias e campeiam na área da criação imaginativa de nossos mentores educacionais. Se há reforço, há fracasso confesso do processo educacional vigente. E este fracasso, ocorreu por que?
‘Precisamos não só de escolas para todos, mas de escolas de boa qualidade para todos, sejam pobres, sejam ricos, se de fatos desejamos uma pátria forte, menos injusta socialmente. A educação funciona com vontade política. Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder’.(Izabel Sadalla Crispino,Repetência Escolar,Supervisora de Ensino aposentada(2000).(grifo nosso)
Andy Hargreaves, em seu livro ‘Ensino na sociedade de conhecimento: Educação na era da insegurança’, afirma que vivemos em uma economia do conhecimento e que as escolas são as geradoras destas matrizes, já que a riqueza e a prosperidade dependem da capacidade das pessoas de superar seus concorrentes em criação e astúcia, sintonizar-se com os desejos e demandas do mercado consumidor e mudar de emprego ou desenvolver novas habilidades à medida que as flutuações e os momentos de declínio econômico assim o exigirem.
Ensinar é uma profissão paradoxal. Afirma Rubens Alves em seu livro ‘A alegria de Ensinar’ que o professor não morre jamais e que ensinar é um exercício da imortalidade. Dos professores (e das escolas) se espera que construam comunidades de aprendizagem; criem a sociedade do conhecimento e desenvolvam capacidades para a inovação, a flexibilidade e o compromisso com as transformações essenciais à prosperidade econômica do país e do educando.
Os professores de hoje se encontram presos por uma poderosa força de interesses e imperativos conflitantes. Um cipoal de legislação envolve seu trabalho e o transforma em repetidor de textos, de informações onde o conhecimento escoa para caminhos indefinidos e perigosos. E o que é pior, com os nervos à flor da pele, não só em razão dos salários percebidos, mas, em especial, porque sabem que o sistema está comprometido e com mínimas chances de sucesso.
O tempo flui eterna e continuamente. A educação age, o novo cidadão aflora e, no mesmo processo em que foi gestado continua a produzir novos cidadãos, à sua semelhança e também no mesmo processo de modificação ou de imobilização. Esta seqüência se instala continuamente e o produto da educação emerge e comanda novos processos numa interminável seqüência perigosa e contagiante.
Como uma virose, os produtos da nova educação e do implantado processo cultural, se tornam ‘modelos’ e os doutores, mestres e especialistas em educação, numa euforia preocupante, aplaudem a ‘ modernização do ensino’ como que o grande messias que era esperado para a redenção da espécie humana.
A questão da avaliação é um tormento para os professores. Regras e mais regras e o que se tem realmente é uma promoção automática disfarçada, onde só interessa a presença física do aluno, desmotivado ou não, aprendendo ou não. Retenção só por abandono e ainda assim há casos de promoção, com retirada do excesso de faltas para se poder diminuir ao máximo o número de repetentes. Números negativos causam mais temores do que cruz para vampiros. O processo da avaliação está semelhante a uma dona de casa que, catando feijões com defeito, depois de muito trabalhar, ao final, junta tudo e põe na panela. De nada adianta o esforço dos professores, visto que ao final, todos serão promovidos, gerando uma total sensação de impotência e inutilidade.
Modificam-se grades de ensino, criam-se promoções continuadas, fundem-se disciplinas e criam ‘blocos’ de matérias que são pensadas como soluções aos inúmeros problemas educacionais que enfrentamos no Brasil, em nossos estados e em nossos municípios desde a década de 60 com a famigerada criação de licenciaturas breves e plenas para engordarem as estatísticas frente ao mundo.
Os laboratórios educacionais continuam freneticamente na produção de ‘fórmulas mágicas’ pensando resolver a questão da transmissão do conhecimento, da preservação dos valores culturais, sociais, morais e políticos. Poções mágicas fantasiosas, sem ter o pé no chão e sem reconhecer os métodos utilizados ontem e que deram certo. Tentam apagar o passado com borrachas duras que só rasgam o papel e a nada chegam.
Posso parecer negativista no que aqui registro, mas isto tudo nasce da realidade concreta da escola hoje. Há pontos positivos a serem comemorados e não são poucos, apesar da alta dose de propaganda enganosa veiculada pela mídia e assinada por velhos discursos que a nada levam. Educar é um processo. Estas ‘invenções’ por meio de injeções venosas são paliativas. Uma vez interrompido, retomá-lo é doloroso. É como um tratamento médico que, defeituoso, precisa se iniciar no zero se o paciente não entrar em óbito antes.  As seqüelas destas interrupções no processo educacional são perigosíssimas e incuráveis. As gerações submetidas a estes procedimentos podem ser prejudicadas de forma irrecuperável no tempo e no espaço
O professor tem uma função complexa, singular, interdisciplinar, contextualizada. Complexa, porque precisa ter sensibilidade para perceber e acolher as diferenças individuais e, singular porque precisa desenvolver seu trabalho no nível e no ritmo de cada aluno, respeitando sua potencialidade, desenvolvendo suas habilidades e atitudes à medida que seus alunos se apropriam do conhecimento.
O processo educacional está doente e não a educação. Os gestores deste processo precisam acordar para esta realidade. É preciso baixar as armas e se propor a começar tudo de novo, antes que tarde demais. Feio não é mudar de idéias, feio é não se ter idéias para serem mudadas. O brasileiro é inteligente e capaz de produzir coisas muito melhores do que esta parafernália que se ostenta no país há mais de três décadas.
Um processo educacional defeituoso repercute em todos os demais segmentos da sociedade humana e alcança gerações futuras, com graves conseqüências no sistema de produção, uso, transmissão e evolução do conhecimento, sem se incluir aqui as questões de natureza social e familiar.
Educação implica em cultura. Em ambas a certeza num futuro melhor.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A DISLEXIA E SEUS FANTASMAS





A aprendizagem é um processo, e como tal, tem seus componentes básicos que são o comunicador, a mensagem, o receptor e o meio ambiente. Um destes que apresentar defeitos implica no prejuízo do objeto final e a vítima é o educando. A  maturidade leva à prontidão necessária para a alfabetização e alguns distúrbios podem ocorrer na execução do processo de aprendizagem que dura a vida toda. Não há que se falar em comportamento anormal ou normal. Uma criança tem um distúrbio de comportamento quando apresenta desvios da expectativa de comportamento dentro do grupo etário a quem pertence. O professor tem um papel especial nesta análise e para tanto precisa estar preparado campo didático e psicopedagógico, caso contrário poderá provocar sérios estragos na vida futura da criança.
A criança com Disfunção Cerebral Mínima (DCM) pode apresentar a disgrafia, que é a dificuldade na utilização dos símbolos gráficos para expressar suas idéias; a disortografia, representada pela incapacidade de apresentar uma escrita correta e a discalculia, representada pela incapacidade em matemática.
M.Condemarin e M.Blomquist, no livro ‘Dislexia, manual de leitura corretiva’, p.21, afirma: “entendemos por dislexia específica ou dislexia de evolução, um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o centro nervoso da escrita),geralmente hereditária, ou ás vezes adquirida, que afeta aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao sintoma grave.  A dislexia é frequentemente acompanhada de transtornos de aprendizagem da escrita, ortografia, gramática,redação e, raramente, em matemática.. A dislexia afeta os meninos em proporção maior do que as meninas”. Houve tempo que a dislexia foi chamada de disfunção de aprendizagem. Isto não quer dizer que o cérebro do disléxico tem defeito ou qualquer lesão,pelo contrário. Acontece apenas um distúrbio que pode ser modificado com um perfeito contato com a linguagem e seus símbolos,indo bem nos outros segmentos que não a leitura e até da escrita.  Acertadamente, Ubiratam B.Mattani, em seu texto Ciências,1987,p.15 diz: “atualmente, qualquer distúrbio de linguagem apresentado pela criança, é tachado como dislexia, tanto pelos pais como pelos professores. O problema, entretanto, nem sempre está na criança e sim nos processos educacionais –sob a responsabilidade paterna - ou nos processos de aprendizagem sob o encargo da escola.”


A ‘torto e a direito’ pais, professores e alguns profissionais, tacham crianças durante a 3ª série do primeiro grau de disléxicas , ou ainda de hiperativos, demostrando plena desinformação no tocante aos seus importantes papeis na educação. Os pais, e também muitos professores, se preocupam em quanto o filho ou filha recebe e armazena instrução, conteúdo informativo, independentemente do grau de desenvolvimento mental do educando. Segundo Lúcia Werner, fonoaudióloga, “a dislexia é uma incapacidade apresentada pela criança. O restante é um distúrbio apresentado na apreensão da linguagem escrita”. Temos disgráficos rígidos, disgráficos de grafismo solto, impulsivos, inábeis e lentos e meticulosos, segundo J.de Ajuriaguerra (Manual de Psiquiatria Infantil, p 252). Todos são passíveis de modificações e orientações que modifiquem condutas natas, reencaminhando o educando para uma postura dentro da normalidade usual. A escrita defeituosa acaba acarretando atraso no progresso escolar da criança e é exatamente por esta razão que o professor precisa ficar atento ao desempenho da criança a partir da 3ª série do ensino fundamental, afirma Ruth Caribé da Rocha Drouet em seu livro ‘Distúrbios da Aprendizagem’.(Ática,1990)
Crianças disléxicas acabam por rejeitar a escrita, fugir dela, fazendo da vida escolar um verdadeiro tormento, não só para si como para todo o universo escolar. O professor precisa ficar atento ao desempenho de seu aluno. Ele é um técnico educacional, e se não tiver o preparo necessário deve se socorrer de profissionais da área educacional. Todos os detalhes devem ser analisados, mesmo os que pareçam não significativos. A incapacidade geral de aprender, a imaturidade, os distúrbios da fala, a gagueira, os distúrbios emocionais, a carência cultural, a falta de motivação ambiental, os fatores sociais e econômicos, questões de motricidade, de relações de espaço e tempo, tudo isto deve ser uma constante no trabalho do professor a partir da 3ª série do ensino fundamental. Nada pode escapar à sua observação para que todas as situações de dislexia sejam tratadas e resolvidas, visto que a dislexia não é uma doença e sim apenas um distúrbio e estes são contornáveis, sanáveis e em sua quase totalidade resolvidos com técnica e bastante paciência.


Nenhum aluno é igual ao outro. Todas as pessoas são diferentes entre si e, por conseguinte, agem e reagem de formas diferentes aos estímulos internos e externos. O desenvolvimento da personalidade se alicerça na parte genética e na aprendizagem. A cultura é o conjunto de ideais, de costumes, de crenças, tradições e o conjunto todo recai sobre a criança e pesa sobremaneira a partir da 3ª série do ensino fundamental e o acompanha por toda sua vida e em todos os campos, e tudo o que vem depois  é  conseqüência desta fase inicial, daí sua grande importância para o indivíduo e para com a sociedade como um todo na plena formação do cidadão no gozo de sua cidadania.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FALEI, TÁ FALADO!

Que a escola, não só pública, está indo mal das pernas, isto não está escondido em nenhum canto da maledicência e sim ostensivamente provado nas provas efetuadas pelos governos federal e estaduais e no cotidiano da internet, em seus mais variados sistemas. Escrever bem é um diamante entre pedregulhos; escrever razoavelmente é uma raridade e mal se comunicar é o que se vê nas salas de aulas em todos os estados brasileiros.
Não há muito tempo os jovens se comunicavam pelo ‘correio elegante’ nas quermesses. Eram frases, versos e até pequenas cartas de amor que ‘voavam’ de mão em mão e provocavam faíscas nos olhos dos interlocutores. Estudar a língua portuguesa (ou pátria) exigia uma forte dose de conhecimento de gramática, regras de acentuação, de concordância verbal, nominal, análises lógicas, léxicas e um pacote de verbos em todas as suas categorias.
A atualidade é desconcertante para quem ainda lê e escreve com relativa ou absoluta correção. Segundo os parâmetros oficiais, se o aluno do grau médio ou superior consegue se fazer entender (com grafia correta ou não), numa prova, já está de bom tamanho. Não se pode corrigir provas de português e ‘ rabiscar’ o texto com caneta vermelha. Isto causa ‘constrangimento’ ao aluno, dizem os próceres atuais da educação do século XXI. E com tudo isto, ainda há escolas que se classificam bem nos Enems da vida.Como? Basta pesquisar ‘in loco’ e a coisa fica feia.
Do jeito que a coisa vai, se um estudante mandar um bilhete para o açougue, com certeza não vem carne e sim tomate; se a mãe mandar o filho somar a caderneta de fiado, da venda ou do açougue, a coisa será estrondosa para todos os lados.
Vejam algumas frases colhidas no Enem/2010: “O sero mano tem uma missão; O euninho já provocou secas e enchentes calamitosas; Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele; A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO; O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destrói, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos;...menos desmatamentos, mais florestas arborizadas; Isto tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia; Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos; essi eo futurio de noço paíz...” ( sic – Enem).
Preciso dizer mais alguma coisa, brasileiros e brasileiras deste país?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

EDUCAÇÃO X INTERNET


          Há uma forte dose de ‘maria-vai-com-as-outras’ no uso da internet e da informática na educação infantil e fundamental. No segundo grau as coisas poderiam ser diferentes do que são, mas, o estudante mal consegue formular pensamentos e colocá-los no papel de forma minimamente ordenada e inteligível. Não se fala mais em gramática, principalmente na análise sintática, léxica ou mesmo basicamente em termos de um português onde se possa levar a comunicação escrita a níveis de correção elementar.
          Pedagogos, técnicos educacionais, coordenadores pedagógicos e um exército de diretores de escola acham ‘lindo e moderno’ o uso do computador por crianças e adolescentes. Falam como se fosse tal uso a grande mágica que se perdeu no passado e agora se deseja reencontrar a qualquer custo, menos na capacitação real do professor, quer no que diz respeito à formação específica (universitária) quer no domínio mínimo do conhecimento pedagógico. É politicamente correto (e chique) se falar em internet.
          A rede mundial de computadores (Internet) surgiu por razões militares já na Guerra Fria, em especial nas décadas de 70 e 80. Só na década de 90 que alcançou a população em geral. A partir de 2006 nasceram as redes sociais, com destaque para o Orkut, depois o Facebook e o Twitter. O mundo atual não sobrevive sem a Internet. Bibliotecas do mundo estão à disposição num simples ‘clicar’ da prodigiosa máquina – o computador.
          É preciso se levar em conta que o computador é apenas uma ferramenta. A escola que decide usá-la precisa de um belo projeto pedagógico, com professores preparados e uma máquina para cada aluno. De nada adianta ‘visitas’ à sala de informática e ficar um bloco de alunos em torno de um projeto que não tem continuidade individual e muito menos coletiva. De nada adianta pedir a um aluno que faça  uma pesquisa pela Internet. Ele copia trechos, reproduz frases e ao final apresenta o conjunto para o professor. Não houve produção de conhecimento. Apenas aconteceu uma cópia mal feita de um tema que foi trabalhado e consultado.
          Transformar o computador na principal figura escolar é um perigo de grandes proporções e conseqüências negativas. Não se pode transformar o professor e o aluno em meras peças do sistema educacional. Alunos, professores e computadores devem ser integrados na produção de conhecimento. A máquina apenas armazena. O aluno deve saber buscar o conhecimento e transformá-lo, com a ajuda indispensável do professor, em um produto que signifique conhecimento auferido e utilizado na mudança da rota educacional e na busca de uma prática efetiva do aprendizado.
          Não há mágica nesta fantástica máquina de informações assim como não há mágica no número de exemplares de livros em uma biblioteca. O poder está no aluno, no ser humano, na pessoa bem orientada. De nada adianta um carro do último tipo nas mãos de um condutor inabilitado.
          Educadores e responsáveis pela educação: Aprender não é digitar e montar um belo trabalho escolar. O professor ainda é o grande mágico da educação.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

EDUCAÇÃO - REFLEXÕES NECESSÁRIAS

A educação é um processo moroso que se inicia nos primeiros momentos da vida de uma pessoa, de um indivíduo, e se prolonga por toda sua vida. As fases são naturais e não podem ser ‘puladas’. Não se admite falhas neste processo. Deve ele ser constante, sequencial e cumulativo.
Houve tempo em que a educação era responsabilidade única do Estado enquanto poder político organizado. Só haviam escolas oficiais, reconhecidas e dotadas de poder absoluto na busca de seu objetivo: transmitir conhecimentos. Ensinar é reparar o cidadão para o exercício pleno da cidadania.
Segundo Freire em seu livro ‘Pedagogia da Autonomia’,1996, ensinar exige pesquisa, exige respeito aos saberes dos educandos; ensinar exige criticidade; ensinar exige estética e ética; ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo; ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; ensinar exige reflexão crítica sobre a prática; ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Defendeu o referido educador a progressão continuada que, infelizmente, acabou sendo convertida em promoção automática.
Ensinar não é transferir conhecimento. Há necessidade de se ter em mente que ensinar exige consciência do inacabamento do educando e do educador, visto que o ser nunca aprende tudo sobre tudo nem ensina o que não sabe e nem mesmo tudo o que sabe.
Em 2009 foi constatado que 26% dos professores da rede pública estadual afirmaram que seus alunos não sabem ler nem escrever. Entendo que a porcentagem é pequena, e com certeza as respostas tentaram ‘encobrir’ um percentual muito mais elevado, talvez até por buscar encobrir a defasagem em que o ensino realmente se encontra ou a própria participação do pesquisado no processo. A repetência no ensino médio é assustadora, e que se destaque: a maioria dos alunos é aprovada pelo conselho, ou seja, é ‘empurrada’ para frente. Basta se ler as atas dos conselhos de classe onde predomina a expressão: ‘aprovado pelo conselho’, o que significa, foi reprovado, mas foi promovido para a série seguinte. Nesta fase o professor é conivente, pacífico, calado e concorda com o que os gestores da escola desejam,determinam a mando de esferas superiores. Semelhante procedimento é adotado no ensino fundamental.
Em 2010 o Estado de São Paulo obrigou as escolas a promoverem alunos que estejam em defasagem de idade, conforme a série. O processo se chama ‘reclassificação’, ou seja, o aluno tem idade para estar na sexta, sétima ou oitava séries, então ele ‘pula’ para a série conforme sua idade, mediante um procedimento de “provinhas” que são montadas e que não representam a verdade, tudo num verdadeiro ‘ circo educacional’. Promove-se o aluno sem nenhum ‘pudor’ didático ou  pedagógico.
O mercado de escritores sobre pedagogia da educação está totalmente inchado. A grande maioria dos autores nunca deu uma aula a não ser como aulas-modelos para clientelas montadas para o ‘espetáculo’ educacional. São teóricos que sonham enquanto os professores no batente das salas de aulas estão em constantes pesadelos.  Raríssimos são os que enfrentaram os 200 dias letivos mais 165 na preparação de todo o trabalho do período letivo. Das duas uma: ou rasgariam o que escreveram ou reescreveriam  demonstrando o que realmente ai está.
O tempo, num passeio por um determinado espaço medido por anos, modifica o ser, os grupos sociais, os estados e até os pensamentos que foram entendidos como imutáveis por serem próprios da essência humana. O indivíduo, em processo de educação, se adapta ao tempo vivido. Absorve as ‘perfumarias’ da época e do meio onde vive.  Transforma-se. Transmuta-se de um ser natural em um ser produzido, montado conforme as circunstâncias e o desejo do poder político reinante. O que determina tudo e o que realmente interessa, são as ‘estatísticas’ positivas, números.
No sistema adotado recentemente, as avaliações para progressão continuada (introduzida em 1998, junto com o sistema de ciclos que praticamente extingue a repetência) serão feitas nas 2,4ª,6ª e 8ª séries e não mais apenas na 2ª,4ª e 8ª séries, que também eram presentes só no papel. De que adianta a avaliação se não há retenção? Se fosse ‘pra valer’, alguma coisa de bom aconteceria, mas na prática ficará, como antes, apenas no papel e os conselhos continuarão a ‘promover’ os alunos, mesmo que tenham notas vermelhas em todas as disciplinas e registrem, como condição ‘sine qua non’ presenças (física) dentro do mínimo necessário. O aluno sabe que será promovido e em razão disto, deixa as coisas acontecerem do jeito que for melhor e mais proveitoso para ele. O estudante bom deixa de estudar; o que não quer nada com nada, navega de braçada nos seus conceitos de matar o tempo na escola. A criança na escola dá à família um tempo de sossego e não há mais interação plena entre os dois pilares da educação que são a família e a escola. Ambas estão totalmente divorciadas. Registro aqui meu repúdio  à idéia da reprovação pela reprovação.
O processo de recuperação paralela ou mesmo de reforço são utopias e campeiam na área da criação imaginativa de nossos mentores educacionais. Se há reforço, há fracasso confesso do processo educacional vigente.
‘Precisamos não só de escolas para todos, mas de escolas de boa qualidade para todos, sejam pobres, sejam ricos, se querermos realmente uma pátria forte, menos injusta socialmente. A educação funciona com vontade política. Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder’.(Izabel Sadalla Crispino,Repetência Escolar,Supervisora de Ensino aposentada(2000).
Andy Hargreaves, em seu livro ‘Ensino na sociedade de conhecimento: Educação na era da insegurança’, afirma que vivemos em uma economia do conhecimento e que as escolas são as geradoras destas matrizes, já que a riqueza e a prosperidade dependem da capacidade das pessoas de superar seus concorrentes em criação e astúcia, sintonizar-se com os desejos e demandas do mercado consumidor e mudar de emprego ou desenvolver novas habilidades à medida que as flutuações e os momentos de declínio econômico assim o exigirem.
Ensinar é uma profissão paradoxal. Afirma Rubens Alves em seu livro ‘A alegria de Ensinar’ que o professor não morre jamais e que ensinar é um exercício da imortalidade. Dos professores ( e das escolas) se espera que construam comunidades de aprendizagem; criem a sociedade do conhecimento e desenvolvam capacidades para a inovação, a flexibilidade e o compromisso com as transformações essenciais à prosperidade econômica do país e do educando.
Os professores de hoje se encontram presos por uma poderosa força de interesses e imperativos conflitantes. Um cipoal de legislação envolve seu trabalho e o transforma em repetidor de textos, de informações onde o conhecimento escoa para caminhos indefinidos e perigosos. E o que é pior, com os nervos à flor da pele, não só em razão dos salários percebidos, mas, em especial, porque sabem que o sistema está comprometido e com mínimas chances de sucesso.
O tempo flui eterna e continuamente. A educação age, o novo cidadão aflora e, no mesmo processo em que foi gestado continua a produzir novos cidadãos, à sua semelhança e também no mesmo processo de modificação ou de imobilização. Esta seqüência se instala continuamente e o produto da educação emerge e comanda novos processos numa interminável seqüência perigosa e contagiante.
Como uma virose, os produtos da nova educação e do implantado processo cultural, se tornam ‘modelos’ e os doutores, mestres e especialistas em educação, numa euforia preocupante, aplaudem a ‘ modernização do ensino’ como que o grande messias que era esperado para a redenção da espécie humana.
A questão da avaliação é um tormento para os professores. Regras e mais regras e o que se tem realmente é uma promoção automática disfarçada, onde só interessa a presença física do aluno, desmotivado ou não, aprendendo ou não. Retenção só por abandono e ainda assim há casos de promoção, com retirada do excesso de faltas para se poder diminuir ao máximo o número de repetentes. Números negativos causam mais temores do que cruz para vampiros. O processo da avaliação está semelhante a uma dona de casa que, catando feijões com defeito, depois de muito trabalhar, ao final, junta tudo e põe na panela. De nada adianta o esforço dos professores, visto que ao final, todos serão promovidos, gerando uma total sensação de impotência e inutilidade.
Modificam-se grades de ensino, criam-se promoções continuadas, fundem-se disciplinas e criam ‘blocos’ de matérias que são pensadas como soluções aos inúmeros problemas educacionais que enfrentamos no Brasil, em nossos estados e em nossos municípios desde a década de 60 com a famigerada criação de licenciaturas breves e plenas para engordarem as estatísticas frente ao mundo.
Os laboratórios educacionais continuam freneticamente na produção de ‘fórmulas mágicas’ pensando resolver a questão da transmissão do conhecimento, da preservação dos valores culturais, sociais, morais e políticos. Poções mágicas fantasiosas, sem ter o pé no chão e sem reconhecer os métodos utilizados ontem e que deram certo. Tentam apagar o passado com borrachas duras que só rasgam o papel e a nada chegam.
Posso parecer negativista no que aqui registro, mas isto tudo nasce da realidade concreta da escola hoje. Há pontos positivos a serem comemorados e não são poucos, apesar da alta dose de propaganda enganosa veiculada pela mídia e assinada por velhos discursos que a nada levam. Educar é um processo. Estas ‘invenções’ por meio de injeções venosas são paliativas. Uma vez interrompido, retomá-lo é doloroso. É como um tratamento médico que, defeituoso, precisa se iniciar no zero se o paciente não entrar em óbito antes.  As seqüelas destas interrupções no processo educacional são perigosíssimas e incuráveis. As gerações submetidas a estes procedimentos podem ser prejudicadas de forma irrecuperável no tempo e no espaço
O professor tem uma função complexa, singular, interdisciplinar, contextualizada. Complexa, porque precisa ter sensibilidade para perceber e acolher as diferenças individuais e, singular porque precisa desenvolver seu trabalho no nível e no ritmo de cada aluno, respeitando sua potencialidade, desenvolvendo suas habilidades e atitudes à medida que seus alunos se apropriam do conhecimento.
O processo educacional está doente e não a educação. Os gestores deste processo precisam acordar para esta realidade. É preciso baixar as armas e se propor a começar tudo de novo, antes que tarde demais. Feio não é mudar de idéias, feio é não se ter idéias para serem mudadas. O brasileiro é inteligente e capaz de produzir coisas muito melhores do que esta parafernália que se ostenta no país há mais de três décadas.
Um processo educacional defeituoso repercute em todos os demais segmentos da sociedade humana e alcança gerações futuras, com graves conseqüências no sistema de produção, uso, transmissão e evolução do conhecimento, sem se incluir aqui as questões de natureza social e familiar.
Educação implica em cultura. Em ambas a certeza num futuro melhor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O PROCESSO EDUCACIONAL ESTÁ DOENTE


A educação é um processo moroso que se inicia nos primeiros momentos da vida de uma pessoa, de um indivíduo e se prolonga por toda sua vida. As fases são naturais e não podem ser ‘puladas’. Não se admite falhas neste processo. Deve ele ser constante, seqüencial e cumulativo.
Houve tempo em que a educação era responsabilidade única do Estado enquanto poder político organizado. Só haviam escolas oficiais, reconhecidas e dotadas de poder absoluto na busca de seu objetivo: transmitir conhecimentos. Ensinar. Preparar o cidadão para o exercício pleno da cidadania.
O tempo, num passeio por um determinado espaço, modifica o ser, os grupos sociais, os estados e até os pensamentos que foram entendidos como imutáveis por serem próprios da essência humana. O indivíduo, em processo de educação, se adapta ao tempo vivido. Absorve as ‘perfumarias’ da época e do meio onde vive.  Transforma-se. Transmuta-se de um ser natural em um ser produzido, montado conforme as circunstâncias e o desejo do poder político reinante.
O tempo flui eterna e continuamente. O novo cidadão aflora e, no mesmo processo em que foi gestado continua a produzir novos cidadãos, à sua semelhança e também no mesmo processo de modificação. Esta seqüência se instala continuamente e o produto da educação emerge e comanda novos processos numa interminável seqüência perigosa e contagiante.
Como uma virose, os produtos da nova educação e do implantado processo cultural, se tornam ‘modelos’ e os doutores, mestres e especialistas em educação, numa euforia preocupante, aplaudem a ‘ modernização do ensino’ como que o grande messias que era esperado para a redenção da espécie humana.
Modificam-se grades de ensino, criam-se promoções continuadas, fundem-se disciplinas e criam ‘blocos’ de matérias que são pensadas como soluções aos inúmeros problemas educacionais que enfrentamos no Brasil, em nossos estados e em nossos municípios desde a década de 60 com a famigerada criação de licenciaturas breves e plenas para engordarem as estatísticas frente ao mundo.
Os laboratórios educacionais continuam freneticamente na produção de ‘fórmulas mágicas’ pensando resolver a questão da transmissão do conhecimento, da preservação dos valores culturais, sociais, morais e políticos. Poções mágicas fantasiosas, sem ter o pé no chão e sem reconhecer os métodos utilizados ontem e que deram certo. Tentam apagar o passado com borrachas duras que só rasgam o papel e a nada chegam.
Educar é um processo. Estas ‘invenções’ por meio de injeções venosas são paliativas. Uma vez interrompido, retomá-lo é doloroso. É como um tratamento médico que, defeituoso, precisa se iniciar no zero. As seqüelas destas interrupções no processo educacional são perigosíssimas e incuráveis. As gerações submetidas a estes procedimentos podem ser prejudicadas de forma irrecuperável no tempo e no espaço.
E quem é o responsável por isto tudo? Quem ‘ paga a conta’?
O processo educacional está doente e não a educação. Os gestores deste processo precisam acordar para esta realidade. É preciso baixar as armas e se reiniciar o processo antes que tarde demais.
É bom lembrar que um processo educacional defeituoso reflete em todos os demais segmentos da sociedade humana e condena o cidadão ,cada vez mais, a abdicar de seu sagrado direito de alçar vôo rumo à sua plena integração com a sociedade onde vive.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

SEM EDUCAÇÃO, PARA ONDE VAMOS?

A Humanidade só existe em razão da educação transmitida, séculos a fio, de pessoa a pessoa, sejam quais forem os instrumentos ou ferramentas. A cultura é específica de cada povo, de cada agrupamento sociológico e se remonta de forma contínua na linha do tempo. Humanidade e cultura se associam de forma inseparável, parecendo paralelas geométricas onde desvios não são aceitos nem podem existir sem o perigo de se comprometer todo o sistema.
Educação é uma outra história. É uma atividade humana que necessita da cultura para se alçar e progredir, continuamente, não se admitindo curvas ou retrocessos. Deve ser uma linha perpétua, contínua, evolutiva, envolvente, cuidadosa e seletiva, embora não se destine a nenhuma pessoa isoladamente e ao mesmo tempo ao cidadão como exemplar único de um grupo social, seja ele diminuto ou todo o povo de um território, agregado e ligado à população do mundo.
Educação é, portanto, um legado, uma herança e como tal deve ser aprimorada, cuidada, trabalhada de forma a que as gerações futuras sejam parte integrante e ativa dos elos de ligação que há séculos se interligam e formam todo um processo evolutivo-educacional.
Cultura e educação se diferenciam em muitos aspectos. Uma e outra podem se manifestar de forma separada, estanque e ao mesmo tempo podem se unir e, segundo a regra das paralelas, caminharem juntas com mais força, mais intensidade, mais resultados, e de forma uníssona, escreverem o futuro de um povo, de um pais.
Evoluímos, entendendo que a involução é impossível, em qualquer situação ou processo. E na educação, o que dizer da fase atual que atravessam nossas escolas brasileiras?  O que dizer do aluno apático, sem propósitos ou sonhos, sem estímulos em buscar conhecer e cultivar a sua cultura, a cultura de seu povo e a educação como um legado que pode ajudá-lo a alcançar degraus significativos na sociedade humana onde ele está inserido? O que dizer fazer e pensar com relação a nossos professores, em todos os graus de ensino e mais diretamente aos militantes no ensino fundamental?
A China deposita basicamente no ensino fundamental toda sua força que advém de seu passado, de sua cultura, de seu respeito para com o conhecimento, mola propulsora do mundo moderno. O professor é o único que não precisa reverenciar o Imperador. O professor é o mestre, é o condutor das linhas da cultura e da educação. É o guardião do passado, o administrador do presente e o gerador do futuro.
O Brasil é um país ‘jovem’, mas velho o suficiente para pensar seriamente em sua cultura e na educação de seu povo. Fomos ‘descobertos’ em 1500. Os Estados Unidos formados em 1492. Tomados estes dados como exemplos, por que tanta diferença entre os dois povos. Não creio que as dificuldades de ambos sejam histórica, social e economicamente, muito diferentes embora com algumas variações.
Esta ação de dar migalhas para mitigar a fome sem ensinar a pescar vai acabar com o que de pouco temos no campo da cultura e transformar a educação num mero passatempo escolar cuja atração é, ainda, a merenda escolar e em breve um pólo de revoltas e agressões, como já se vê em inúmeros estabelecimentos escolares, onde os direitos são muitos e os deveres e obrigações, poucos ou quase nenhum.
Houve tempo que bolsa era um equipamento para guardar livros e cadernos para estudo. Hoje, é sinônimo de pouco ou nada fazer em troca de migalhas do poder reinante. Os governos escondem nas bolsas os problemas que, se somando-se, explodirão, com certeza, uma hora ou outra.
Alerta, brasileiros.