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quinta-feira, 21 de julho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MENTE HUMANA

       
    O estudo das diversas ações pedagógicas de nosso tempo indica que o ser humano está em franca, continuada, incontrolável e sadia rota. Freire, em seu trabalho ‘Pedagogia da Autonomia’ nos ensina que só pode ensinar certo quem pensa certo, mesmo que às vezes pense errado. Continua dizendo: ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação. Assmann orienta que ‘educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar, mediante sua própria experiência do conhecimento’.
            Edgard Morin, em sua obra ‘ Os sete saberes necessários à educação do futuro, Ed. Cortez-SP, 2006, é um convite à reflexão com os pés no chão de forma a que o educador, o educando e a sociedade se complementem na esteira do tempo que nunca interrompe seu fluxo e a cada dia exige mais e mais de todos os envolvidos neste milenar processo de educação e do conhecimento.
            Destaca o educador que ‘ as idéias existem pelo homem e para o homem; o homem existe pelas idéias e para elas’. Podemos matar pessoas, queimar livros, mas as idéias subsistem incorruptíveis e eternas e elas servem ao homem e não às pessoas. As religiões foram criadas pelos homens para driblar suas incertezas para com Deus ou mesmo para com seus deuses. Pela religiosidade, pelas doutrinas impostas pelos líderes religiosos, as ideologias se submetem ao erro protegidas pelo próprio sistema de idéias que são transformadas em ‘verdades’.  De forma natural e até lógica, as doutrinas se fecham sobre si mesmas e se protegem contra as críticas que anunciam, expõem ou denunciem suas falhas e pontos atacáveis pelo raciocínio de algum seguidor.
            A religiosidade é natural no ser enquanto pensante, lógico, matemático, consciente, inquiridor e renovador. A cada dia a mente humana busca ser corretiva, criando uma forte carapaça protetora contra o erro e a ilusão. Diz Morin: ‘a mente é dotada de potencial de mentira para si próprio( self-deception). A memória é fonte de erros. A mente seleciona, inconscientemente, as lembranças que convém e realça ou apaga as que incomodam. A alucinação e a percepção do mundo real andam de mãos dadas e num antigo e parece eterno namoro já tendo levado o homem a situações bastante embaraçosas. Mentiras foram criadas para impedir o rompimento de ambas as forças e desta manutenção alucinatória foram criadas seitas, religiões, credos e escritos livros que passaram a ser chamados de sagrados.
Praticamente cem por cento do funcionamento orgânico depende dos hormônios gerados pela própria máquina biológica, com fortíssimos reflexos sobre ínfimo percentual que liga o homem interno ao mundo exterior. O homem externo precisa da alucinação sem a qual não processa a ligação com o seu eu interno. Desta conexão nasce o eu eterno, o eu dominador, o eu universal.
A cultura é um extraordinário conjunto de conhecimentos, de regras, de normas, de leis, de crenças, de idéias, de valores, de mitos que desembocam no oceano maior que é a religiosidade. O eu físico se conecta com o eu imortal, com os deuses criados, imaginados, com seus mitos, suas necessidades, sonhos, devaneios e surge a alegada realidade.
A poderosa máquina física, comandada e orientada pelo cérebro humano, uma obra prima da natureza e fortíssima geradora de energia, irradia um poder incomensurável, transformador do pensamento em coisa concreta e coisa concreta em um conjunto extraordinário de extrapolações que ele, a criatura e os seus deuses, classificam como teosofia, filosofia e ciência, e destes três pilares, nascem os fundamentos da humanidade terrestre.
E este ser, um amontoado de cem trilhões de diminutas células e dotada do estranho processo chamado vida, o homem  se alça para o éter universal, ambicionando dominar os mais profundos pontos deste incomensurável Universo.
E ele o fará, sem dúvida. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

POR QUE SERÁ QUE AS COISAS ACONTECEM ?



            A Igreja, mentora e depositária do conhecimento humano até bem pouco tempo, historicamente falando, sustentava que a Terra era o centro do Universo. O planeta azul era a jóia central da Criação e tudo girava em torno dele. Os astrônomos a serviço da Igreja admitiam a tese geocêntrica, indo de encontro à tese de Cláudio Ptolomeu, publicada em seu livro ‘Almagesto’, no século II, com treze volumes. Tais idéias eram seguidas por Platão e Aristóteles no século IV a.C. Ainda o século IV, Filolau de Crotona ensinava que a Terra girava em torno de seu eixo imaginário, no que era apoiado por Heráclides e Nicetas, bem como Aristarco de Samos, expoentes da filosofia e da nascente astronomia.

Nicolau Copérnico (1473-1543), nascido em 19 de fevereiro  em Torum, Polônia, lança o livro “ De revolutionibus orbium coelestiuym ”– Sobre as revoluções das esferas celestes – que foi publicado em 1543, no mesmo ano de sua morte. Escapou da Inquisição com este procedimento. Tycho Brahe (1546-1601), astrônomo dinamarquês revolucionou o mundo da astronomia e, a cada dia, o assunto escapava das mãos inquisitoriais para ganhar foros de ciência livre.
René Descartes, nascido em 31 de março de 1596, em La Haye, França e morto em 11 de fevereiro (1596-1650) fez pesquisas sobre a rotação da Terra, mas não tirou conclusões reais. Fugiu das perseguições da Inquisição.
Johannes Kepler (1571-1630) foi auxiliar de Brahe, sendo o criador de  leis  físicas que são atualmente usadas pela NASA e relacionadas às viagens espaciais.  Definiu e comprovou a órbita elíptica (e não circular) dos planetas e isto revolucionou o mundo da astronomia e da física. Isaac Newton, nascido em  Woolsthorpe, Inglaterra, em 25 de dezembro de 1642( quando morria Galileu), comprova a leis de Kepler. Cria o cálculo infinitesimal para comprovar suas teorias. (também criado por Leibnitz simultaneamente). Era modesto, afirmando que “ se enxerguei além dos outros é porque estava no ombro de gigantes”, se referindo a Descartes, Keppler e Galileu).
            Suas descobertas comprovaram que a Terra girava em torno de um eixo imaginário e orbitava ao redor do Sol. Entendia que objetos em queda mostrariam desvio sistemático para leste da vertical indicando a rotação da Terra. Esta proposta era teórica e não conseguiu ele comprová-la. Galileu  Galilei chegou próximo disso um século mais tarde( 1700) e  é condenado pela mesma razão. Descobriu em 7 de janeiro de 1610 os satélites de Júpiter, com seu recém criado telescópio. Foi o primeiro cientista a estudar o pêndulo (criou relógios precisos com este mecanismo).
  Outros cientistas como Giambattista Guglielmini (1764-1817), Johann Friederich Benzenberg (1777-1846), Hoinrich Olbers (1758-1840), Carl Friedrich Gauss (1777-1855), Pierre-Simon de Laplace (1749-1827) se aproximaram desta prova, sem, contudo, alcançarem êxito. A comprovação do movimento de rotação da Terra parecia simples nos cálculos matemáticos, mas na prática, isto se mostrava impossível.
Esta comprovação só viria a acontecer no ano de 1871. As teses sustentavam que a Terra girava, mas não havia provas disso. Os conhecimentos se acumulavam no transcorrer do século XVIII. Prova cabal da rotação da Terra, nenhuma.
            A humanidade evolui através de luzes que nascem sobre a superfície do planeta em seus mais variados pontos. A grande maioria alça vôo alto e todo o planeta percebe sua presença e se beneficia de seu conhecimento. Assim é em todos os campos do saber humano. A Igreja estava perdendo a batalha com sua velha bandeira da ignorância e  agora se mostrava aberta a possíveis e emergentes mudanças. O Século XIX seria o palco das grandes mudanças no campo da astronomia e outras áreas.
             James Watt (1736-1819) desenvolve  a máquina a vapor (1761) que viria mudar o contexto mundial das ciências. Aperfeiçoa trabalho de Thomas Newcomen (1663-1729). Henry Bassemer (1813-1898) inventa o aço, fazendo florescer a produção de máquinas e armas. Marc Brunet (1769-1849) cria o torno, esculpindo o aço e outros produtos. Michael Faraday (1791-1867) estabelece os princípios da indução eletromagnética fazendo nascer a energia elétrica, conhecimento que fez o mundo mudar a partir de 1900. Em 1837, William Cooke (1806-1879) e Charles Wheatstone (1802-1875, no Reino Unido, criam o telégrafo com cinco agulhas. Em 1845, Allen B.Wilson (1824-1888) cria a máquina de costura, que revolucionou a indústria de confecções. O leque de conquistas fez o mundo mudar de forma ampla a partir de 1800 sendo considerado o ano do nascimento da evolução real da humanidade.
              Jean Bernard Leon Foucault , nascido em Paris no dia 18 de setembro de 1819,  descobre mecanismo para medir a rotação da Terra em 06 de janeiro de 1851. Tinha 32 anos de idade. Não tinha mais, neste tempo, o peso da Inquisição a impedir a evolução do conhecimento.  O Século XIX seria o palco das grandes mudanças no campo da astronomia e outras áreas. Os cientistas que morreram por desejarem ensinar ao homem os segredos dos movimentos da Terra e outros astros  tiveram seus sonhos tornados realidade. O velho pêndulo de Galilei voltava em cena, e desta vez como o instrumento maior da prova da rotação da Terra.
 No dia 3 de fevereiro de 1851. Foucault expos um enorme pêndulo preso a uma longa linha ao ponto mais alto da torre do observatório. No chão, um enorme tecido branco que iria registrar os movimentos do pêndulo livre de todas as interferências mecânicas do local. Exibição foi pública ao mundo científico da época.  O local  a Sala do Meridiano (Salle Cassini), Observatório de Paris. O Pêndulo funcionou maravilhosamente e comprovou, de forma clara e simples,  o movimento de rotação da Terra. O mundo científico da época se curvou à demonstração de Foucault. Galileu tinha razão quando afirmou frente a seus algozes:  que ela se move, isto se move.
             Foucault foi reconhecido como Doutor em ciências pelos estudos da velocidade da luz no ar e na água. Teve vários trabalhos reconhecidos na área da física, dentre eles o giroscópio. Em 1862 recebeu o título de Oficial da Legião de Hora da Academia de Ciências da França. Em 1867 começam sinais de sua debilidade física. Em 11 de fevereiro de 1868, aos 49 anos, morre.
             Foucault foi contemporâneo de vários cientistas que se destacaram nas várias áreas do conhecimento humano como Giovanni Domenico Cassini (1625-1712), François Arago (1756-1853) responsável pela medição do Meridiano de Paris, Adriem M.Legendre (1752-1833) Gaspard Monge (1746-1818), Jean-Baptiste Biot (1774-1862), Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850), Pierre Mechain (1744-1804), Gaspard-Gustave Coriolis (1792-1843, descobridor do Efeito Coriolis, coadjuvante nas pesquisas de Foucault. O grande protetor de Foucault foi o Imperador Luis Napoleão Bonaparte III.
            O triunfo de Foucault foi o triunfo da mente humana. É uma vitória total do conhecimento contra a ignorância. Seu nome foi perpetuado de várias formas, inclusive em cratera na Lua, denominada Cratera Léon Foucault.
           É assim que as coisas acontecem. Elas simplesmente acontecem. Pode se matar quem tem idéias, mas matar idéias é impossível. As idéias germinam e mais fortes ainda quando são combatidas.
            Este o retrato de como as coisas acontecem. E acontecem...
            Por que será?

                
         

quarta-feira, 9 de março de 2011

HISTÓRIA, ESTÓRIA E REALIDADE

CLIQUE NA IMAGEM PARA VER A DIFERENÇA ENTRE HISTÓRIA, ESTÓRIA E REALIDADE.
            
            Leandro Narloch, autor do livro ‘ Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil’, da Editora Leya, 2009, escreveu um interessante estudo sobre as coisas que aprendemos em nossas escolas, em livros, em pesquisas das mais variadas fontes e que, muitas  vezes, não são reais nem verdadeiras, passando para o campo da fantasia ou mesmo da ignorância e até da má fé.
            Levanta ele mitos como o de que a população brasileira era, no século XVIII, constituída de 40% de escravos. Na verdade eram, em 1819, 4,4 milhões de pessoas e 91% dos proprietários de terras não tinham escravos e a economia brasileira era maior do que a de Portugal. Portugal realmente sugava nossas riquezas, não só em ouro como em outros produtos. Nossos historiadores afirmam, em grande maioria, que a Inglaterra obrigou o Brasil a invadir o Paraguai, quando na verdade a diplomacia britânica tentou evitar o conflito.                                                                                                  
             O Paraguai era uma potência latente, afirma a história, quando na verdade era o país mais atrasado do cone sul.  A Inglaterra tinha investimentos no Brasil e no Paraguai e uma guerra não seria nada interessante. Não é verdade que a Inglaterra fosse contrária à escravidão. Desejavam os ingleses ampliar o mercado de trabalho e esta era a força que alicerçava a sociedade inglesa da época. Lampião, afirma Narloch, não era um Robin Hood, e sim um grande amigo dos coronéis do sertão, ameaçando e subordinando famílias pobres e executando operários que construíam estradas para o interior do nordeste, fato que os coronéis não desejavam. Nunca esteve nos planos de Antonio Conselheiro a reforma agrária, e sim, uma sociedade igualitária, o que não ia de encontro com os grandes proprietários de terras. Canudos era uma pedra no sapato dos poderosos donos de terras.
            No que diz respeito à produção alimentícia, a banana e o coco não são produtos brasileiros, da mesma forma como a jaca, a manga e o abacate, bem como os cães nunca foram originários daqui. Vieram com as caravelas européias. A feijoada nasceu com restos da casa-grande, afirmam apaixonadamente alguns escritores.  Outro engano, visto que a feijoada tem origem européia, nascendo da tradição de misturar legumes com carnes, cassoulet francês, feito com carne de porco e feijão branco. O negro passou a usar o feijão preto, mais abundante. Escritores afirmam que milhares de índios foram dizimados pelos brancos e suas tribos arrasadas. Pouca verdade nisto. A grande maioria dos índios se mudou para os redutos dos brancos buscando melhoria de vida e esta de que o índio não se adaptou a escravidão é mito.
            Os bandeirantes eram em sua maioria mamelucos, filhos de índios com europeu. Conheciam as matas com exatidão e serviam de guias para os estrangeiros na busca de riquezas. As roupas magníficas  correm por conta da fantasia. Usavam poucas ou nenhuma roupa.  Eram assalariados e não desbravadores como se prega. Especialmente entre os séculos XVI e XVII, milhares de índios serviram em São Paulo como escravos devido á falta de mão de obra especialmente na região sudeste. Faltando mão de obra, iniciou-se a importação de africanos, grande parte vinda espontaneamente e não acorrentados como se prega, apesar dos exageros no processo por parte de importadores gananciosos. Muitos índios se uniram aos brancos para combaterem outras tribos que consideravam inimigas. A política de boa vizinhança tinha um objetivo e este era viver bem e fugir da vida miserável em que viviam.
            No campo da aviação o autor deixa claro, e não deixa de ter razão, de que os verdadeiros inventores do avião foram os irmãos Wright, que realmente voaram três anos antes de Dumont e diante de muitas testemunhas. No dia 05 de outubro de 1905 fizeram um vôo de 39 minutos percorrendo 38,9 quilômetros e o 14 Bis voou 220 metros a uma altura média de 6 metros e foi abandonado 5 meses depois.  Nosso brasileiro é, sem nenhuma dúvida, o criador do Demoiselle, em 1908, o primeiro ultraleve da história. Na arte, muitas obras extraordinárias no campo da escultura foram atribuídas a aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa). Grande número de obras a ele atribuídas foram feitas por auxiliares desconhecidos e um bom número a outras fontes totalmente desconhecidas. O ‘Quasímodo’ de Vitor Hugo se encaixa bem nesta história. O ser humano adora estas vias literárias onde a dor e a tristeza façam parte do cotidiano dos que se destacam entre os demais humanos.
            Escrever sobre a  história é ser fiel aos fatos. Fantasiar é perigoso e compromete a própria história e, por conseqüência, o historiador. O historiador tem o dever de colocar no papel o que de fato aconteceu, sem interferência ou ingerência, sob pena de botar tudo a perder.
            A história é o reflexo da realidade. Distorcê-la fantasia o resultado e torna tudo uma aventura sem volta.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O USO DO TEMPO EM ESQUISITICES HUMANAS


O ser humano é inteligente, capaz de imaginar coisas, máquinas, símbolos e transformar o mundo que o cerca e a si mesmo num emaranhado de coisas estranhas que causam estupefação no menos confuso, ou seja, o cidadão comum, uma vítima em potencial ou um beneficiário no final das contas.   Uma ferramenta, por mais simples que seja, confere ao seu criador (e aos demais semelhantes) um poder maior do que ele naturalmente tem. Imagine um alicate. Quão poderosa fica uma mão acoplada a um alicate? Como fica poderosa a mão adaptada a uma chave de fenda, a uma pua, a uma serra de cortar ferro, a um machado, a uma faca? Que ferramenta fantástica é o parafuso, o prego?
Quanto auferimos com a geração da energia elétrica enlatada (a pilha)? O que representa para a humanidade a lâmpada? O que adveio com a criação do avião, do helicóptero?  Desnecessário lembrar os benefícios que a humanidade recebe em razão das viagens espaciais, da tecnologia miniaturizada, da informática, do chip e seus descendentes.
Somos beneficiados com a capacidade cerebral humana, e a tudo isso chamamos de progresso. Mas, quanta bobagem se propaga pelo planeta com invenções e idéias estapafúrdias, sem nexo, sem uso, sem razão, sem finalidade nenhuma. Quanto tempo foi consumido no desenvolvimento de pesquisas que a nada levam, pelo contrário, demonstram que o cérebro humano também pode gerar o progresso na contra-mão, na marcha-a-ré.
A lista de invenções malucas é enorme. Destaco as mais comentadas: chaveiro detector de ovni’s ( e vende como pipoca), pantufas USB com aquecedor, conectadas na porta USB de seu computador; rebobinador de DVD, cadeira do papai com chuveiro inflável, roleta russa de dedos (os jogadores botam o dedo na máquina em buracos aleatórios e quem levar choque, perde o jogo), relógio de dias( marca que dia é da semana), impressora para torradas( imprime mensagens no pão das torradas para se ler durante o café da manhã) e a lista vai longe. Para premiar os melhores do mundo temos o Prêmio Nobel; para o inverso, temos, também em Harvard, o Prêmio Ignobel.
No Ignobel,destaques para pesquisas premiadas no cálculo da pressão que se acumula nos intestinos de pingüins antes de defecarem; da criação de testículos artificiais para cães castrados; montagem de tabela que reproduz os odores (gases,flatulência)  produzidos por 131 espécies de sapos ,envolvendo cientistas canadenses, suíços, franceses e australianos; provas do ritmo a que um pedaço de alcatrão congelado se vai derretendo e escorrendo por um funil ( uma gota leva 9 anos para pingar); um despertador que foge quando toca( para que o despertado não o danifique) e segue por ai a fora.


Não bastasse isto, um cidadão que é astrofísico nos EEUU, Greg Laughlin, recentemente criou um sistema para colocar valor (preço)  no planeta Terra e outros astros do universo. Diz ele que queria uma métrica mais precisa para avaliar se um planeta merece a nossa atenção (em termos econômicos). Diz, pelos seus ‘cálculos’ que o planeta Marte vale 14.000 dólares; Vênus cerca de a trilionésima parte de um centavo de dólar ( lá a temperatura é suficiente para derreter o chumbo) e que quanto mais antiga for a estrela que ilumina o planeta e quanto mais próximo da Terra, seu valor será muito  maior. O exoplaneta Gilese 518 g, descoberto em 2010 e bem parecido com a Terra, valeria segundo ele 60.000 dólares, valores estes que são considerados com relação à idade da estrela que ilumina o planeta, a quantidade de luz que chega a ele, a temperatura da superfície e o tamanho do astro.  Avalia ele que a Terra vale 5 quatrilhões de dólares. Ignobel nele!
Há quem conte o tempo nas mais variadas atividades humanas. Veja por exemplo:  gastamos 6 dias de nossas vidas amarrando sapatos; 13 dias cortando as unhas; 38 dias esperando o sinal abrir; 69 dias esperando o sinal fechar; 76 dias fazendo a barba; 9 dias aquecendo o jantar; 3 dias fechando botões; 9 dias esperando a garagem abrir; 35 dias preparando café; 51 dias ligando o computador; 140 dias mastigando; 5 dias digitando senhas; 53 dias escovando os dentes; 177 dias tomando banho. Disto gastamos 11 anos em nossas obrigações domésticas; 13 anos com obrigações profissionais; 17 anos com lazer e 29 anos com funções vitais. Este cálculo foi baseado em uma vida durando 70 anos.
Apesar de tudo, estes ‘iluminados’ cidadãos construtores do mundo novo acabam por ter quem leia e discuta os resultados de suas pesquisas (?). Isto me assusta. Eu, inclusive, lendo e escrevendo sobre estes “importantes temas”. Imagine!
Arf!



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O SER HUMANO E SEUS ANJOS



         O ser humano não pode ficar sozinho, em nenhuma circunstância, seja ela qual for. A solidão absoluta só existe na ficção. Mesmo nos conventos mais fechados a solidão não está presente, visto que as freiras reclusas têm Jesus, seus santos, anjos e superiores. A solidão pessoal é quebrada pela presença concreta, palpável e indiscutível de figuras denominadas anjos, que se apresentam em forma de seres humanos, na grande maioria alados, com vistosas e alvas asas. Cristãos, muçulmanos e judeus têm seus exércitos de anjos, com suas hierarquias, poderes e funções específicas.
         Segundo um conjunto enorme de escritos, religiosos ou não, o nome mais usado para os seres guardiães que nos acompanham desde o nascimento até a morte, e depois dela nos auxiliam nas vidas posteriores, se resume em ‘anjo da guarda’. A expressão anjo vem do latim ângelus e do grego ággelos significando basicamente mensageiro. Na tradição judaico-cristã, que predomina em praticamente todo o planeta, o anjo é uma criatura celestial, portador de vistosas asas (alguns com duas outros com quatro) e a indispensável auréola em torno e sobre a cabeça, emitindo continuamente uma luz penetrante e vinculadora. A forma como o anjo se apresenta ao homem é variada, podendo ser uma criança ou um adulto, sem características sexuais e sempre com beleza ímpar. Os espíritas já dão ao anjo uma característica física assemelhada ao homem e mulher comum, chamados de espíritos de luz , sendo pertencentes a planos superiores de evolução humana, mas sempre inferiores aos anjos, que não experimentam processos reencarnatórios.
         Como não poderia deixar de ser, há anjos bons, maus e os dotados de certo grau de ambigüidade, conforme a ação de seu ‘protegido’. Os anjos estão em uma vasta coleção de livros e citações humanas. No Cristianismo é figura presente e constante na Bíblia desde Abrão até o Cristo. Os Evangelhos mantêm tais figuras unipresentes. São inúmeras as divisões de categorias dos anjos, mostrando uma hierarquia natural e bem próxima da própria humanidade. Em geral se classificam em Serafins, Querubins, Éons, Hostes, Potestades, Autoridades, Principados, Tronos, Arcanjos, Anjos e Dominações. Esta é a mais antiga e chamada de classificação de São Clemente e a mais moderna é a de Dante Alighieri, registrada em seu livro Divina Comédia, que indica: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Arcanjos, Principados e Anjos. Em todas as classificações conhecidas se inicia com Serafim, que são os anjos mais próximos a Deus e se termina com anjos, indicando que anjo é a menor categoria de tais entidades e, portanto,  mais próxima do homem. Estas categorias divinas, obviamente, não usam alimentos, como faz o homem.
         O Budismo e o Hinduísmo têm seus anjos sob a denominação de devas (brilhante) e, alguns, usam alimentos como os humanos. O Islamismo divide seus anjos em bons, fiéis a Deus e os maus, que são privados da graça divina por terem recusado a prestar suas homenagens a Adão, o ‘top’ da criação divina e motivo de ciúmes entre estes anjos e a criatura humana maior, o Homem. Na visão teosófica, a existência dos seres angélicos torna rica a literatura religiosa mundial. Entende que a categoria angélica foi criada por Deus para assessorá-Lo. Teólogos como Charles Leadbeater (A Ciência dos Sacramentos) e Geoffrey Hodson (O Reino dos Deuses), tratam do assunto e até dão detalhes do sistema que rege tais entidades.
         Nada escapa à tutela angelical. Também a Astrologia enfoca o assunto, indicando responsáveis por cada planeta do zodíaco, sendo o reitor do Sol Miguel; da Lua Gabriel; de Mercúrio Rafael; de Vênus Uriel/Anael; de Marte Camael/Samuel, de Júpiter Zacariel/Sadkiel/Zeus/Zacarias e de Saturno Orifiel/Cassiel. Os demais planetas não eram conhecidos na antiguidade.
         Os anjos mais conhecidos e invocados são os chamados ‘anjos da guarda, os quais têm invocação especial e própria, como por exemplo: “ Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarda, me governe e ilumina. Amém.” ( Igreja católica e espíritas)
         É bastante conhecida a ação do anjo mensageiro, chamados também de Anjo do Senhor. Esta categoria de anjo está presente nas mensagens que Deus enviou a determinadas pessoas da antiguidade bíblica e de outros livros considerados sagrados. Notável a presença deste anjo com relação a Abraão, a Hagar, Gideão, à Virgem Maria e nos momentos cruciais de Sodoma e Gomorra e do próprio dilúvio. Há aqueles que classificam o episódio da sarsa ardente a este tipo de anjo, representando a própria figura divina, bem como a entrega das taboas da lei a Moises.
         Interessante a participação de anjos dos conflitos celestiais, onde a inveja, a disputa pelo olhar de Deus e de lugar de mais destaque em torno do Trono Divino se torna na tônica humana. Lúcifer, o anjo mais próximo de Deus, acabou sendo expulso da presença divina por não se sujeitar às homenagens que todos deveriam fazer a Adão, a criação maior de Deus. A concessão do livre arbítrio ao homem o que é vedado aos anjos em todas as suas categorias, acabou sendo a pedra fundamental da discórdia. Lançado aquém do céu, Lúcifer busca até hoje demonstrar que sua tese não era errada, e que Deus jamais deveria ter criado o homem à imagem e semelhança do Criador. Vendo nisto uma humilhação a todos os anjos,e em todos os níveis.
         Outra figura angelical na teologia cristã é o Anjo da Presença. Esta figura não tem vida própria e sim uma forma-pensamento, representando o Cristo no sacramento da Eucaristia, onde o Deus Cristão está vivo, latente, presente e transubstanciado na própria hóstia eucarística. O espiritismo transubstancia este anjo na figura dos mentores espirituais que, indo e vindo nas escalas evolutivas, pode auxiliar os de círculos menores na ascensão a círculos mais elevados. Os umbandistas atuam através do ‘nego véio’, de seus guias, seus cantos e ritos, onde os ‘anjos’ atuam na missão de resolver e ou minimizar os problemas dos encarnados no cumprimento de seus ‘carmas’ ou destino.
         Cidinha D’Agostino, terapeuta holística, entende que cada um dos seres humanos tem um anjo guia protetor, jamais interferindo na vida de seu protegido, em seu livre arbítrio, mas, buscando evitar que determinados acontecimentos não se registrem, sem contudo, ingerir sob nenhuma forma no destino daquele.
         Enfim, o homem precisa de seus anjos para cumprir sua missão neste eterno vale de lágrimas. Esta ‘ necessidade’ humana vem de encontro com a própria instabilidade do espírito humano, sua inconstância, seus medos e suas fraquezas frente ao desconhecido, visto que o homem é o único entre os demais animais que conhece a força do tempo nas suas escravagistas divisões: passado, presente e futuro.
         O anjo é a força complementar que o homem usa como a uma muleta indispensável para a travessia dos anos da existência e que lhe auxilia na superação de seus obstáculos e ansiedades, desde o momento do nascimento até seu último momento enquanto matéria.             

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SIGNOS & SIGNOS

            
          Astronomia é a ciência que estuda a posição, os movimentos e outros elementos básicos dos astros no Universo. Astrologia é um estudo (não ciência) que estuda a suposta influência dos astros no destino e no comportamento das pessoas. O homem, desde o raiar da razão, olhava o firmamento tentando entender o que poderiam ser aquelas luzes que aparecem nas noites sem nuvens e longe da luz do Sol. Divagando, viu nestas luzes seres mitológicos criando suas constelações e organizando-as em doze elementos. Este trabalho espetacular já tem cerca de 3.000 anos. Até o Renascimento, astronomia e astrologia caminharam juntas. Depois, a astronomia se tornou ciência e a astrologia continua como crendice popular.
            Astrólogos dizem que os astros exercem influências sobre as pessoas conforme o momento de seu nascimento. Um em cada quatro americanos e metade dos Franceses creem nesta influência. Entre 2000 brasileiros entrevistados, 51%  lêem os horóscopos diariamente e não dão um passo sem isto. Outros 37% acreditam que existe influências, mas não tão profundas. O astrônomo americano Parke Kunkle, renomado estudioso dos astros, apresentou resultado de pesquisa demonstrando que os signos precisam ser revistos em razão das mudanças que aconteceram no transcorrer destes séculos todos, não só com a posição da Terra no espaço como também diante dos cálculos modernos e do conhecimento hoje à disposição de todos sobre o próprio Universo.
            Semelhante situação já ocorreu quando se corrigiu a forma de contagem dos meses e dos anos. As alterações foram feitas e se colocou a casa em ordem conforme os conhecimentos mais avançados sobre o assunto. É assim que a ciência caminha. Chutes  e fantasias não mais podem ser usados. Hoje o homem já viaja na imensidão do cosmo com suas naves não tripuladas, fotografando e descobrindo novas fronteiras do Universo. Ficar se baseando em suposições, é, no mínimo, teimosia. Evoluir não é opção, é necessidade e coisa natural da humanidade. O que Kunkle demonstra não é achômetro, é Ciência e toda modificação gera reações das mais variadas formas. Recentemente morria gente de ‘nó na tripa’. Nem se pensava em apendicite.
            Foi incluída nova constelação que era desconhecida, cujo nome é Ophiuchus significando serpentário predominando de 29 de novembro a 17 de dezembro, ficando assim o novo conjunto com 13 elementos: Capricórnio, de 20 de janeiro a 16 de fevereiro; Aquário, de 16 de fevereiro a 11 de março; Peixes, de 11 de março a 18 de abril; Áries, de 18 de abril a 13 de maio; Touro, de 13 de maio a 21 de junho; Gêmeos, de 21 de junho a 20 de julho; Câncer, de 20 de julho a 10 de agosto; Leão, de 10 de agosto a 16 de setembro; Virgem, de 16 de setembro a 30 de outubro; Libra, de 30 de outubro a 23 de novembro; Escorpião, de 23 de novembro a 29 de novembro, Serpentário, de 29 de novembro a 17 de dezembro e Sagitário, de 17 de dezembro a 20 de janeiro.
            Nada de apavoramento. Jerome Barkow (The Adapted Mind), diz que a astrologia ajudou muito o homem a encontrar seu destino, a fazer da agricultura um ponto fundamental para a humanidade e a nos guiar na direção das estrelas, bem como a confortar os feridos e os solitários, guiando-os, não pelos caminhos escuros, mas pelo labirinto evolutivo da vida e da sociedade como um todo.
            Novos tempos, novas máquinas, nova vida e novos conceitos. Em frente.           

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A DISLEXIA E SEUS FANTASMAS





A aprendizagem é um processo, e como tal, tem seus componentes básicos que são o comunicador, a mensagem, o receptor e o meio ambiente. Um destes que apresentar defeitos implica no prejuízo do objeto final e a vítima é o educando. A  maturidade leva à prontidão necessária para a alfabetização e alguns distúrbios podem ocorrer na execução do processo de aprendizagem que dura a vida toda. Não há que se falar em comportamento anormal ou normal. Uma criança tem um distúrbio de comportamento quando apresenta desvios da expectativa de comportamento dentro do grupo etário a quem pertence. O professor tem um papel especial nesta análise e para tanto precisa estar preparado campo didático e psicopedagógico, caso contrário poderá provocar sérios estragos na vida futura da criança.
A criança com Disfunção Cerebral Mínima (DCM) pode apresentar a disgrafia, que é a dificuldade na utilização dos símbolos gráficos para expressar suas idéias; a disortografia, representada pela incapacidade de apresentar uma escrita correta e a discalculia, representada pela incapacidade em matemática.
M.Condemarin e M.Blomquist, no livro ‘Dislexia, manual de leitura corretiva’, p.21, afirma: “entendemos por dislexia específica ou dislexia de evolução, um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o centro nervoso da escrita),geralmente hereditária, ou ás vezes adquirida, que afeta aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao sintoma grave.  A dislexia é frequentemente acompanhada de transtornos de aprendizagem da escrita, ortografia, gramática,redação e, raramente, em matemática.. A dislexia afeta os meninos em proporção maior do que as meninas”. Houve tempo que a dislexia foi chamada de disfunção de aprendizagem. Isto não quer dizer que o cérebro do disléxico tem defeito ou qualquer lesão,pelo contrário. Acontece apenas um distúrbio que pode ser modificado com um perfeito contato com a linguagem e seus símbolos,indo bem nos outros segmentos que não a leitura e até da escrita.  Acertadamente, Ubiratam B.Mattani, em seu texto Ciências,1987,p.15 diz: “atualmente, qualquer distúrbio de linguagem apresentado pela criança, é tachado como dislexia, tanto pelos pais como pelos professores. O problema, entretanto, nem sempre está na criança e sim nos processos educacionais –sob a responsabilidade paterna - ou nos processos de aprendizagem sob o encargo da escola.”


A ‘torto e a direito’ pais, professores e alguns profissionais, tacham crianças durante a 3ª série do primeiro grau de disléxicas , ou ainda de hiperativos, demostrando plena desinformação no tocante aos seus importantes papeis na educação. Os pais, e também muitos professores, se preocupam em quanto o filho ou filha recebe e armazena instrução, conteúdo informativo, independentemente do grau de desenvolvimento mental do educando. Segundo Lúcia Werner, fonoaudióloga, “a dislexia é uma incapacidade apresentada pela criança. O restante é um distúrbio apresentado na apreensão da linguagem escrita”. Temos disgráficos rígidos, disgráficos de grafismo solto, impulsivos, inábeis e lentos e meticulosos, segundo J.de Ajuriaguerra (Manual de Psiquiatria Infantil, p 252). Todos são passíveis de modificações e orientações que modifiquem condutas natas, reencaminhando o educando para uma postura dentro da normalidade usual. A escrita defeituosa acaba acarretando atraso no progresso escolar da criança e é exatamente por esta razão que o professor precisa ficar atento ao desempenho da criança a partir da 3ª série do ensino fundamental, afirma Ruth Caribé da Rocha Drouet em seu livro ‘Distúrbios da Aprendizagem’.(Ática,1990)
Crianças disléxicas acabam por rejeitar a escrita, fugir dela, fazendo da vida escolar um verdadeiro tormento, não só para si como para todo o universo escolar. O professor precisa ficar atento ao desempenho de seu aluno. Ele é um técnico educacional, e se não tiver o preparo necessário deve se socorrer de profissionais da área educacional. Todos os detalhes devem ser analisados, mesmo os que pareçam não significativos. A incapacidade geral de aprender, a imaturidade, os distúrbios da fala, a gagueira, os distúrbios emocionais, a carência cultural, a falta de motivação ambiental, os fatores sociais e econômicos, questões de motricidade, de relações de espaço e tempo, tudo isto deve ser uma constante no trabalho do professor a partir da 3ª série do ensino fundamental. Nada pode escapar à sua observação para que todas as situações de dislexia sejam tratadas e resolvidas, visto que a dislexia não é uma doença e sim apenas um distúrbio e estes são contornáveis, sanáveis e em sua quase totalidade resolvidos com técnica e bastante paciência.


Nenhum aluno é igual ao outro. Todas as pessoas são diferentes entre si e, por conseguinte, agem e reagem de formas diferentes aos estímulos internos e externos. O desenvolvimento da personalidade se alicerça na parte genética e na aprendizagem. A cultura é o conjunto de ideais, de costumes, de crenças, tradições e o conjunto todo recai sobre a criança e pesa sobremaneira a partir da 3ª série do ensino fundamental e o acompanha por toda sua vida e em todos os campos, e tudo o que vem depois  é  conseqüência desta fase inicial, daí sua grande importância para o indivíduo e para com a sociedade como um todo na plena formação do cidadão no gozo de sua cidadania.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PORQUE ADVOGADO É DOUTOR

          Todos os que   estão   envolvidos  na  vida  acadêmica sabem  que existem títulos que o profissional  liberal  tem  de buscar  na  sua  evolução   funcional.    Títulos valem pontos, valem contratações, empregos.  O conhecimento raramente entra nesta história.  Conhecidas são as histórias   de   profissionais   com curriculuns   invejáveis, mas, na prática    pouco se mostram preparados. Vide índice de aprovação nos exames da OAB.
          Falando em títulos, o bacharel em ciências jurídicas (Direito) é o único profissional liberal que  já ‘nasce’ com  o  título de “Doutor”.    É comum na vida cotidiana que todas as pessoas portadoras  de  diplomas  de  graduação  universitária  na  área  médica  ou  correlata    sejam chamadas de    ‘doutor’.     Isto  se  vê  em  medicina,   farmácia,    fisioterapia,      odontologia, laboratoristas e outras modalidades.   Tornou-se   moda   que   qualquer    pessoa  com  curso superior se auto-dotora.   O público,   em uma  farmácia comum, chama   até os atendentes de ‘doutor’.
E por que o advogado é Doutor?
          Dom Pedro I, Imperador do Brasil, assinou decreto  criando,  no  dia  11  de  agosto  de 1825,  o  curso  jurídico  no  Brasil  e  denominou de   ‘Doutor’   àqueles   que   se    tornassem advogados e, por decorrência atual, filiados à OAB. O título em nível de ‘ doctores canonun et decretalium’   acabou   sendo   concedido   a doutores   da igreja  e filósofos  como Tomas de Aquino,Duns Scoth e outros.  Os advogados  são   ‘ doctores sapientae’,   aos quais se atribui o ‘jus respondendi’, ou seja, aquele que responde em juízo.
          O título de Doutor  é  honraria  legítima  e  originária  dos advogados ou juristas e não de qualquer outra profissão.     Academicamente, hoje, o título de doutor se alcança com a defesa de tese, de cursos especiais e em nível de pós-graduação.   É bom lembrar que o fundamento do título natural de Doutor aos advogados se fundamenta no trabalho que ele executa   perante os  tribunais,  onde  defende  suas  teses  e  as  aprova  cotidianamente,  auferindo  para  seus clientes a justiça que pleiteiam daquele poder.
          Bacharel   em   Direito, sem o registro na OAB  não é advogado, e não sendo advogado não pode usar  o título  de Doutor  que  lhe  cabe, neste caso, por direito e  tradição, e não  por pura ostentação. Não se pode deixar de antepor o título de doutor antes do nome,  em  termos profissionais.    É até um dever, além de direito, indicando ás pessoas a condição profissional daquele cidadão.  Há pessoas que deixam de usar a expressão ‘doutor’ por entender que isto é ostentação leviana e desprezível. Não é.   Quem  é  tem  de  mostrar e esta exposição é uma forma  de  melhor   garantir   que   os  direitos   e   os   deveres   de   cada  cidadão  devem ser exercitados.
          O advogado é, em sua essência e afastados os defeitos de alguns profissionais, a mais pura forma de fazer com que a Justiça reine  entre os homens e os tornem iguais, em todos os sentidos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O HOMEM E A ENERGIA

          As pessoas, de forma geral, sabem a força de um benzimento, de uma oração individual e conjunta, da força de um ‘passe’ espiritual, de um banho de folhas devidamente escolhidas, de um desejo bem dirigido e organizado, não se interessando o conhecimento que cada um tenha ou mesmo de sua cultura. Conhecido por todos são os efeitos do ‘mau olhado’ ou ‘olho gordo’, dispensando maiores comentários.
            O ser humano é uma fantástica máquina produtora de energia. Digo máquina porque suas células são compostas de elementos químicos. Absorvem e produzem energia sob várias formas. Além disso, sabido é que toda matéria sofre ações das mais variadas formas e da mesma maneira age sobre estas formas vivas, sejam animais sejam vegetais.  Da mesma forma é conhecida a fonte principal desta energia que muitos simplesmente chamam de Deus.
            São sete as leis herméticas que regem todo este processo de dar e receber energia. A recepção é define pela palavra ‘Kaballah ou Caibalon’, de raiz hebraica. Sinteticamente são estas leis as seguintes:
            1. O Todo é Mente; o Universo é mental – O Universo é a mente do Ser Superior. É o todo. A matéria é como os neurônios de uma grande mente. O homem está ligado a esta mente que contém todo o conhecimento.
            2. O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima – O verdadeiro macrocosmo é o microcosmo e vice-versa. Pode o homem aprender as grandes verdades do cosmo servindo-se do microcosmo que está ao seu alcance mais fácil.
            3. Nada está parado, tudo se move, tudo vibra – Tudo é movimento vibratório. O todo se manifesta por esse princípio. Nada está em repouso. O movimento é o plasma universal da vida.
            4. Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados. Amor e ódio são manifestações de uma mesma coisa com diferentes graus de sentimento.
            5. Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobre e desce, o ritmo é a compensação – A lei do ciclo assegura que cada ciclo busque sua complementação. Tudo é ciclo no Universo. Nada é imutável.
            6. O gênero está em tudo: tudo tem os princípios masculino e feminino.( yin yang). O gênero se manifesta em todos os planos da criação. Os princípios da atração e repulsão movem o Universo.
            7. Toda causa tem o seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nenhum escapa à Lei -  Não existe o acaso. Tudo nasce de uma ação à qual corresponde uma reação igual e contrária.
O Ser Humano é energia pura. Esta energia pode ser ativa e passiva. Numa equação matemática esta energia precisa caminhar de forma proporcional e constante como num gráfico cartesiano. O desequilíbrio gera a doença, o mal, o sofrimento. A energia zero leva o ser ao final. O processo energético está sediado no cérebro, onde a energia é recebida e irradiada, mas, todas as mais de cem trilhões de células do corpo humano funcionam como dínamos de forma plenamente integrada no ser pleno.
Como ser um ser pleno, equilibrado?
Vivendo intensamente a vida e fazendo do corpo um magneto produtivo de energia que não só produza e irradie força positiva como também a converta em resultados para o bem pessoal e coletivo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

VIVA, JÁ TEMOS SELEÇÃO!

O brasileiro comum, o brasileiro diferenciado, o brasileiro com ou sem teto, o brasileiro com ou sem emprego, o brasileiro com droga ou sem droga, o brasileiro interno, o brasileiro externo e tantas outras modalidades de cidadãos, devem estar vibrantes, visto que o técnico brasileiro já definiu os nomes dos superbrasileiros que farão parte de mais um espetáculo desportivo mundial.
E segue a listagem anunciada em rede nacional e internacional. Narizes torcidos, empinados, ombros arcados e peitos estufados. Gritos irrompem das gargantas por decepção de não ter seu ´ídolo incluído ou porque o técnico foi ‘injusto’ com o seu craque preferido ou preferido. Pobre Brasil. Pobre brasileiro. Feliz o país que não precisa de heróis.
O Congresso Nacional, por unanimidade, acompanha a euforia e ‘decreta’ recesso durante os jogos da copa, esteja o Brasil jogando ou não. Afinal, o Congresso é formado de brasileiros especiais, diferenciados, imunizados ( não contra dengue ou outras coisas de pobre) e sim contra perseguições de discordantes eleitores que insistem em afirmar que a corrupção está aberta, grassando e destruindo o país mais que a saúva do governo Figueiredo.
As escolas de todo o país já preparam calendários especiais. Os bancos, os shoppings, as bolsas de valores, o comércio, as indústrias, todos, num ‘pra frente’ Brasil parece redescobrir o caminho do governo Médici: Ame ou deixe-o. Pra frente Brasil: Salve (será do verbo salvar?) a seleção brasileira. Lembrando a eleição do papa podemos afirmar: O Brasil já tem sua  seleção. Hosanas.
Para Brasil!
Copa, eleição, pós-eleição, porre dos eleitos e derrotados e depois a nostalgia do natal, do final de ano e começar 2011 que 2012 vêm chegando com o fim dos tempos. E assim caminha o país para um festival de construções, de licitações com caminhos conhecidos e decorados, de aplicação do sagrado dinheiro público para as olimpíadas do Rio de Janeiro, crises de dengue, desmoronamentos, inundações e os governos anunciando merendas de primeiro mundo, educação para todos, escolas com computadores e livros às mancheias, professores em crise mas correndo atrás das aulas, estatísticas inchadas, propagandas que deixariam os ministros de Hitler extasiados e os programas televisivos das grandes religiões fazendo dezenas de milagres por noite mediante contribuições que deixam qualquer rico de primeiro mundo angustiado.
Mas, isto é coisa de somenos importância.
Brasileiros, temos uma seleção. Que corra a bola nos verdes gramados do mundo. O resto, é resto, uai!.  Com Lula, com Dilma ou com quem for, o que importa é que nas tardes de domingo ou nas quinta-feiras possam os brasileiros extravasarem suas energias xingando o juíz e, no dia seguinte, entrentarem com mais disposição o calvário. do cotidiano que não se altera nunca, pelo contrário.
Bola pra frente, brasileiros e brasileiras!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ALERTA MÁXIMO - PERIGO NA PISTA

Nosso país parece passar por uma fase bastante complicada, apesar das propagandas (caríssimas) dos governos (nos três níveis) buscando afirmar que tudo está sob controle e em ordem. Quando se faz muita propaganda, ou a empresa está quebrando ou alguma coisa mais séria está acontecendo.
O Presidente, um ator perfeito e que desempenha o papel de chefe de Estado e de governo com maestria, já afirmou que o Congresso tinha 300 picaretas e que o atual Presidente do Senado era um cidadão com vários adjetivos negativos e que chefiava uma verdadeira quadrilha. Lê nova partitura e a música agora é outra. O partido básico do Presidente era um exemplo de retidão na fiscalização da lei, dos atos anti-republicanos e antiéticos. Não dava um segundo de sossego para os governos. Seus paladinos, com barba e roupas simples, eram os trabalhadores-modelos. Unir-se com a oposição era palavra maldita. Contaminação, nunca.
Democracia agora é: obedece quem tem juízo, manda quem pode. O ‘sim senhor’ é padrão. Unge-se sucessores e a quem ousar discordar, corte de verbas, da mídia, dos cargos, da lista de convidados e das devassas na vida particular e pública. O procedimento é usual, nestes tempos, nos países de repúblicas fracas e de presidencialismo ditatorial. Está de volta : Brasil- Ame-o ou deixe-o.
Judas seria bem vindo no conceito do Presidente. Senador-modelo veste cueca vermelha no Senado, dá cartão vermelho ao Presidente e depois amarela. O líder ameaça debandar e no dia seguinte diz que suas palavras foram mal interpretadas. A oposição é barulhenta, mas sabe que a faixa amarela está adiante do nariz, e que transpô-la significa perder  ‘benesses’. A propaganda é boa. A realidade é preocupante. O futuro? Este será bastante complicado.
Perigo à vista. Pista molhada e pneus carecas podem levar o país a situações irreversíveis. Democracia fraca é o mesmo que o Jeca-tatu sem remédios contra vermes.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DE QUEM É O PETRÓLEO

É incrível como o governo de plantão prima pela desfaçatez e pela repetição de fatos e atos que condenou desde o nascimento do partido que lhe dá sustentação básica até a sua chegada ao poder. A questão do pré-sal é um fato a ser comemorado, não resta a menor dúvida, mas se valer de uma hipótese que poderá se concretizar em um prazo de vinte anos e fazer da questão coisa concreta e pronta vai uma distância enorme e tudo em nome da próxima eleição.
O espetáculo foi tão bem ensaiado que a candidata ‘ungida’ deixou escapar lágrimas durante e depois do discurso do chefe-mentor-padrinho. Em todos os canais de TV, a preço de ouro, propaganda sobre o pré-sal como coisa concreta, funcionando, produzindo petróleo para dar e vender. Já gastam por conta da futura conta e não pouco. O grande teatro contou com as presenças de artistas veteranos na arte política de enganar e atuais, aprendizes já pós-graduados.  Os slogans criados a preço de diamante: patrimônio da União. Riqueza do Povo. Futuro do Brasil.
Não se tem, ainda, tecnologia pronta para se alcançar os depósitos de petróleo. São previsões. A especulação tomou conta do cenário. As bolsas estufaram. O tom político, eleitoreiro, ufanista e até constrangedor tomou conta de tudo e de todos. A platéia selecionada, os holofotes bem focados, o sorriso aberto de todos e só faltando a velinha para soprar, no caso o produto tão decantado: o petróleo. As lágrimas da ministra foram como glacê sobre o bolo artificial.
A equipe aprendeu bem as lições do passado na arquibancada da oposição. Desceu, fez especialização e se alçou ao centro do palco e parece que sabe de cor a lição de como fazer o que tanto condenou no passado recente. O marco regulatório do setor de petróleo elegeu a Petrobras como a grande estrela e de lambuja, pretende-se criar um outro elefante branco, a Petro-Sal. Serão milhares de empregos destinados a pessoas escolhidas a dedo e parentes próximos do poder, é óbvio, com alguns concursos para tapar o sol com a peneira. Tudo em nome do desenvolvimento, da independência do país no campo energético e, sem dúvida, a garantia da permanência do poder, a qualquer custo. Agora pode. Não só pode como deve.
Diante de tamanho estardalhaço e tanta cara-de-pau, até Monteiro Lobato, o sonhador do petróleo brasileiro, pediria socorro e  se esconderia embaixo do avental da tia Anastácia.